0:00Imagina a seguinte situação. Você tá na cadeira de decisão e assina um cheque pra um projeto de marketing, que promete colocar 16 mil páginas novas no ar em pouco tempo. E a ideia é gerar um aumento de acessos pra bater as metas do trimestre, sabe? Só que, tipo, três meses depois, o gráfico de acessos simplesmente para de crescer.
0:20É, não só para de crescer, como o domínio inteiro da empresa pode desaparecer das buscas. Nossa, sim. O tráfego que o site já tinha vira pó. E o nosso mergulho nesse material hoje é justamente para destrinchar por que isso acontece, né?
0:34Com certeza. O risco é muito real e atual. O cenário de fiscalização dos buscadores mudou de um jeito que, bom, não permite amadorismo. Nem um pouco. Só para a gente ter uma ideia, apenas neste ano de 2026, o Google já rodou quatro atualizações focadas puramente em varrer o spam da internet.
0:51Quatro atualizações. E a mais recente começou agora, no dia 24 de setembro. Exatamente. E o ponto mais crítico é que essa política passou a valer também para as respostas de inteligência artificial dentro da pesquisa. O cerco fechou.
1:05O que deixa a nossa missão de hoje muito clara. A gente vai focar em quem aprova a verba, sabe? CEO, CMO, liderança de produto ou do jurídico. Isso. O pessoal que responde pela marca. É, quem contrata agência, mas que não escreve uma única linha de código.
1:20Eu fico muito atenta a como essas pessoas avaliam os projetos. Eu também sou muito focado nisso. O objetivo é preparar essa liderança para bater o olho numa proposta dessas e, tipo, separar na hora o que é um ativo de longo prazo do que é só um acervo de fachada.
1:37Perfeito. E para começar essa separação, a gente precisa alinhar o que essas agências estão vendendo, né? O material chama de SEO programático. É, o nome na capa é bonito, mas a melhor imagem mental para entender isso é uma gráfica.
1:53Tipo uma gráfica industrial. Isso, pensa numa daquelas máquinas configuradas para imprimir o mesmo formulário milhares de vezes. A única coisa que muda entre a primeira e a milésima folha são os dados preenchidos nos espaços em branco.
2:07O resto continua idêntico. E é aí que mora o perigo na hora de aprovar o orçamento. A matemática na mesa de reunião é muito sedutora. Demais. O roteiro clássico é pegar, por exemplo, os 5.570 municípios brasileiros, né? Sim, a lista do IBGE.
2:25Aí, a agência oferece três serviços diferentes. Multiplica os municípios pelos serviços e apresenta um cronograma de 16.710 páginas. De uma tacada só. E a primeira reação de quem olha esse número é se preocupar com a plataforma.
2:40Pois é. A pergunta clássica é, quantas páginas eu posso publicar sem sofrer uma penalidade? O que é a pergunta errada, sabe? Focar no volume de publicação afunda o projeto logo de cara.
2:53A métrica que realmente decide se um projeto sobrevive é a quantidade de registros reais que a empresa tem. Faz todo sentido. E o curso traz um exemplo muito bom disso, que é o QuintoAndar. Ah, o caso deles é excelente.
3:05Eles publicam páginas para 23.436 ruas diferentes. É muita página. Sim, mas tem um motivo. Eles só publicam isso porque tem imóveis reais anunciados nessas 23.436 ruas. Exato.
3:19Se eles pegassem só um catálogo de CEPs e gerassem as mesmas páginas, mas sem ter apartamento nenhum ali, o projeto ia cair. Seriam só páginas idênticas trocando a placa com o nome da rua, né?
3:30E sem o imóvel para vincular aquela página à realidade, o buscador classifica como manipulação. Mas vem cá, se a agência usar a inteligência artificial para reescrever os textos de cada uma dessas páginas, tipo, mudando a ordem e usando o sinônimo, o buscador não vê como conteúdo novo.
3:47Então, aí que a coisa complica. A documentação da política de spam do Google é muito direta sobre isso. Ela foi reescrita em 15 de maio de 2026. E teve aquela atualização em 28 de agosto de 2026, né?
3:59Isso mesmo. O Google não avalia só a variação de palavras. Ele mapeia intenções. A política detalha o conceito de doorway. Que, na tradução, seria algo como páginas criadas para classificar consultas específicas e canalizar o usuário, certo?
4:14Exato. Elas funcionam como um funil para páginas intermediárias. O exemplo oficial do Google foca direto em páginas de regiões ou cidades que só servem para isso. É tipo espalhar outdoors idênticos com cores diferentes em milhares de estradas. Boa analogia.
4:31O motorista vê a placa, entra na estrada, mas no fim não tem loja nenhuma lá. A página só existe para capturar o clique. E o buscador entende essa manobra em milissegundos. É a tal da gráfica imprimindo papel vazio.
4:42Por isso que o projeto precisa se apoiar num critério claro. Que é o critério central do curso inteiro, né? Cada página precisa ter pelo menos um dado que só exista nela mesma. Sim, e que alguém buscaria isoladamente.
4:54É uma frase curta, mas que exige muito de quem aprova. O material divide isso em quatro perguntas para a liderança fazer na mesa de reunião. A primeira delas é bem direta. Existe um registro real baseando essa página.
5:06Não pode ser uma estimativa, tem que ser um dado concreto. Isso. A segunda pergunta, esse dado só existe ali? Uhum. Ou a página está só mastigando uma informação que já está no site todo? E a terceira pergunta, pense em quem pesquisa.
5:19Tipo, alguém faria a busca por esse dado de forma isolada? Porque ter um dado exclusivo e inútil não resolve nada, né? Pois é. E a quarta pergunta é, a intenção de quem pesquisa casa com a oferta da página?
5:32Para testar isso na prática, a gente pode usar o teste de fusão. Esse teste é muito prático. Como ele funciona na mesa de aprovação? Você sorteia duas páginas geradas na proposta. Aí tenta fundir o conteúdo das duas numa só.
5:46Se você juntar e o leitor não perder nenhuma informação relevante, o projeto é doorway. Nossa, muito visual isso. Se eu pego uma página de serviços em Campinas e outra de serviços em Sorocaba e junto numa sobre serviços no interior, e nenhum dado se perde.
6:03É porque as páginas originais eram vazias, eram só os outdoors na estrada. E aí a métrica muda. A proporção de páginas com o dado próprio passa a ser o objetivo e não a quantidade de páginas publicadas.
6:16O guia do Google para recursos generativos ilustra isso perfeitamente. Esse guia é de 15 de maio de 2026. Atualizado em 10 de julho de 2026, né? Isso. Ele mostra o contraste entre um conteúdo genérico, tipo, sete dicas para quem compra o primeiro imóvel.
6:33Ah, sim, que qualquer robô faz. Exato. E contrapõe com um relato que tem dado próprio, tipo, por que dispensamos a vistoria e economizamos. É uma experiência singular. Para não ficar só na teoria, o material traz O caso Causal, de 2023.
6:49É um exemplo real do que acontece quando se ignora isso. Um caso clássico. O Jake Ward exportou o sitemap do site Exceljet. Que é focado em tutoriais de Excel. Aí ele usou uma ferramenta baseada no GPT-4 e gerou 1.800 artigos sobre funções de planilhas.
7:08E publicou tudo no domínio do cliente dele, a Causal. E os números são bem reveladores, lembrando que são estimativas do Ahrefs, não dados internos da empresa. Dados de terceiro. No começo de 2023, a base de tráfego era umas 200 mil visitas.
7:24Com os 1.800 artigos, o site bateu um pico de 610 mil acessos no começo de outubro. Um salto enorme. Qualquer pessoa olhando isso em outubro ia achar que a estratégia funcionou muito bem. Parecia, né? Mas esse pico sumiu rápido.
7:37Em meados de dezembro de 2023, o tráfego despencou para 190 mil visitas. Ou seja, ficou abaixo do ponto de partida. Exatamente. E isso traz três leituras para quem aprova o orçamento. A primeira é que o pico de acessos gerado por volume e sem qualidade some.
7:54Durou uns quatro meses ali. A segunda é o custo. O projeto não foi neutro. Ele terminou abaixo da linha de partida, comprometendo o ativo que a empresa já tinha. E a terceira leitura que pega na parte de negócios é a intenção de busca.
8:08O público que pesquisa como fixar uma linha no Excel não está procurando software de planejamento financeiro. Nenhuma intenção de comprar o produto central da Causal. A pessoa quer resolver uma planilha numa tarde de terça-feira, sabe?
8:21Mesmo se o tráfego ficasse em 610 mil visitas, a conversão seria zero. Diante desse cenário, o curso mostra um projeto ideal, o Radar de Preço de Combustível. Esse projeto é muito interessante.
8:34Ele estabelece a criação de uma página por município brasileiro e por combustível. Mas, espera aí, isso não soa igual a multiplicar cidades por serviços? Parece, mas a diferença está no dado.
8:45O radar cruza a série semanal da ANP com a base de localidades do IBGE. Ah, e aí ele passa nas quatro perguntas do teste. Passa. Tem registro real, que é o preço apurado na bomba, E tem exclusividade, porque o cruzamento do município, combustível e semana só existe ali.
9:05E a intenção também é clara, né? Quem pesquisa o preço da gasolina na cidade quer comparar os postos. Sem contar que os dados mudam toda sexta-feira. E tem a questão da cobertura desigual.
9:15É verdade. Nem toda cidade tem posto coletado pela ANP para todo combustível. E o que o projeto faz? Ele força a publicar a página só onde a coleta confirmou o dado. Se não tem levantamento, a página nem existe.
9:27É uma proteção para não gerar doorway de jeito nenhum. E, para garantir que a agência faça isso, o material pede uma ficha de viabilidade. Isso tem que vir antes de escrever qualquer código. São quatro campos.
9:39A fonte do dado, a unidade de registro, o dado exclusivo por página e a intenção comercial. E o curso também pede a página de referência escrita à mão, né? Fundamental. O fornecedor tem que redigir a primeira página inteira, manualmente, e usar números verdadeiros do levantamento.
9:55Nunca números de exemplo. Essa página vira o padrão de qualidade absoluto do projeto. Se o modelo em escala entregar menos que isso, não pode ser aprovado. Exato. A tecnologia tem que escalar a qualidade.
10:06Vamos fazer um exercício rápido aqui para quem está ouvindo e senta na mesa de decisão. Imagina três propostas chegando para aprovar. Bora. Proposta A. Criar uma página de encanador 24 horas por cidade.
10:18O texto é igual para todas e o telefone é o mesmo de uma central. Essa é barrada na primeira pergunta. Não tem registro real de profissionais nas cidades. É a rodovia vazia de novo. Perfeito. Proposta B. Gerar páginas sobre integrações entre aplicativos.
10:33E a fonte é um catálogo que a própria empresa mantém e testa internamente. Aí o sinal fica verde. O dado existe, é exclusivo e a intenção de quem procura integrar ferramentas casa com a oferta da página. Legal. E a proposta C.
10:46Uma corretora de seguro de vida sugere usar dados abertos da PRF sobre acidentes em rodovias federais. Essa é a pegadinha. Ela até passa na exclusividade do dado, porque cruzar a estatística por trecho cria uma página única. Mas esbarra na intenção, né?
11:01Isso. Quem pesquisa acidente na rodovia está preocupado com o trânsito, não com seguro de vida padrão. Só faria sentido se a corretora vendesse um seguro específico para a viagem.
11:12Excelente análise. E para fechar essa conversa, o material traz um guia de implementação para as próximas duas semanas. Cinco passos bem claros. Primeiro, pedir a ficha de viabilidade preenchida com precisão.
11:24Segundo, contar o número de registros reais e confrontar com o número de páginas propostas. Terceiro, fazer o teste de fusão na mesa de aprovação, sorteando as duas páginas. Quarto, exigir a página de referência escrita à mão.
11:38E quinto, registrar o veredito em ata, colocando a proporção de dados próprios como meta. A ação final para quem está na liderança agora é marcar a reunião de avaliação para daqui a duas semanas.
11:48E a proposta só vai para a votação quando duas páginas sorteadas passarem no teste de fusão e a razão entre registros reais e páginas fica muito perto de um para um. Separar o acervo de fachada é o primeiro passo de verdade. Até a próxima análise a fundo.
12:04Até logo.