Google Analytics 2027 · Capítulo 24 de 35 · 10 min
Importar custo de mídia e comparar plataformas com o mesmo indicador
Custo da Meta e do e-mail dentro do Analytics, com cobertura acima de 95 por cento e um custo por evento-chave comparável entre os três canais.
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O relatório de atribuição do capítulo anterior divide o crédito, mas não diz quanto cada crédito custou. Sem o custo dentro do Analytics, a comparação entre Google Ads, Meta e e-mail continua em três planilhas com três definições de conversão, e a régua do capítulo 23 se perde na hora de dividir por reais.
O prejuízo de comparar assim é silencioso. A Meta informa um custo por compra de R$ 51 pelo painel dela; o Analytics credita a ela um terço daquelas compras. Quem compara o custo por compra da Meta com o custo por evento-chave do Google Ads está dividindo réguas diferentes, e o canal que parece barato ganha orçamento que não devolve.
Ao terminar, o custo das plataformas fora do Google entra no Analytics pela importação de dados de campanha, o relatório de validação mostra quanto casou, e os três canais aparecem na mesma tabela com custo por evento-chave, receita atribuída e retorno calculados pela mesma régua. Foi o que a Verde Vivo fez em setembro, com 96 por cento de cobertura no segundo envio.
Fontes complementares são o ponto de partida. O custo do Google Ads chega sozinho pelo vínculo do capítulo 22. Meta, TikTok, parceiros, e-mail e qualquer outra plataforma não têm vínculo nativo de custo com o Analytics, e o caminho documentado para eles é a importação de dados de campanha (campaign data import), que até julho de 2026 se chamava importação de custos (cost data import).
A importação é um arquivo por linhas, uma por combinação de origem, mídia, campanha e dia. Os campos obrigatórios são source, medium e date no formato ISO 8601 (2026-09-01). Desde 28 de julho de 2026, currency no padrão ISO 4217 (BRL) é obrigatório sempre que houver custo, e a moeda pode vir de uma coluna ou de um valor fixo para o arquivo inteiro. Ao menos uma métrica entre clicks, cost e impressions precisa existir; campaign ID e campaign name são opcionais.
Os campos da importação de dados de campanha e o que cada um exige
| Campo | Obrigatório | Formato | Erro frequente |
|---|---|---|---|
| source | Sim | Texto igual ao utm_source da sessão | "Facebook" no arquivo e "facebook" na UTM: não casa |
| medium | Sim | Texto igual ao utm_medium da sessão | "paid social" com espaço no arquivo e "paid_social" na UTM |
| date | Sim | ISO 8601 (AAAA-MM-DD), sem data futura nem anterior a 2013 | Exportação da plataforma em DD/MM/AAAA |
| currency | Sim, quando houver custo | ISO 4217 (BRL), por coluna ou valor fixo | Arquivo sem moeda depois de 28 de julho de 2026 é recusado |
| clicks, cost, impressions | Ao menos um | Número; custo em decimal | Custo com separador de milhar em ponto e decimal em vírgula |
| campaign ID e campaign name | Não | Texto igual ao utm_id e ao utm_campaign | Nome com maiúscula e acento diferente da UTM |
Fonte: Google Analytics Help, Import campaign data (answer/10071305), julho de 2026
Chaves de associação decidem tudo. A junção acontece em tempo de relatório: o Analytics não grava o custo no evento, ele casa cada linha do arquivo com as sessões que têm o mesmo source, medium e, quando informados, campanha e id, no mesmo dia. Uma letra maiúscula, um espaço ou um acento diferente entre o arquivo e a UTM zera o casamento daquela linha. A convenção de UTM do capítulo 13 é, na prática, o dicionário desta importação.
Atualizações e correções seguem três regras. A taxa de casamento considera só os últimos 24 meses, então histórico mais antigo entra sem métrica de cobertura. O dado leva até 24 horas para aparecer nos relatórios. E, como a junção é feita na hora do relatório, corrigir um arquivo com grafia errada e enviar de novo é o caminho para recuperar o mês; conferir o resultado no relatório de validação antes de dar o assunto por encerrado evita reenviar três vezes.
O relatório de validação da importação de dados de campanha existe desde agosto de 2026, em Reports > Data import. Ele classifica cada linha em três estados: Joined (casou com sessões do Analytics), No campaign data (o Analytics viu sessões daquela origem e mídia, mas o arquivo não trouxe custo) e No Analytics data (o arquivo trouxe custo, mas nenhuma sessão casou).
Cobertura é o número que resume o relatório. A taxa de cobertura é a proporção de linhas casadas sobre o total, ao lado das contagens de eventos, cliques, impressões, custo e eventos-chave.
Os três estados do relatório de validação e o que cada um pede
| Estado | O que significa | Causa mais provável | O que fazer |
|---|---|---|---|
| Joined | A linha do arquivo casou com sessões do Analytics | Chaves iguais dos dois lados | Nada; conferir se o custo somado bate com a fatura da plataforma |
| No campaign data | Há sessões daquela origem e mídia, mas nenhum custo importado | Campanha nova sem linha no arquivo, ou UTM usada fora da mídia paga | Incluir a campanha no arquivo ou aceitar que a origem não tem custo |
| No Analytics data | Há custo no arquivo, mas nenhuma sessão casou | Grafia diferente de source, medium ou campanha; UTM ausente no anúncio | Corrigir o arquivo ou a UTM e reenviar |
Fonte: Google Analytics Help, Campaign data import validation report (answer/17231531), agosto de 2026
Data Manager (o painel do Google que recebe dados próprios e eventos de servidor e os distribui aos produtos de anúncio) é o outro lugar em que fontes externas entram no ecossistema. Em 2026 ele recebe eventos com transaction ID para fluxos web e app do Analytics, com acesso por lista de permissão desde 7 de maio, e públicos para o Google Ads. Para custo de campanha de plataformas fora do Google, o caminho documentado continua sendo a importação de dados de campanha por arquivo.
Indicadores comparáveis são o resultado que justifica o trabalho. Com custo e evento-chave na mesma tabela, três números passam a valer para qualquer canal: custo por evento-chave (custo dividido pelos eventos-chave atribuídos), receita atribuída (o valor dos purchase creditados ao canal pelo modelo escolhido) e retorno (receita atribuída dividida pelo custo). Os três só são comparáveis se o modelo de atribuição e a janela forem os mesmos para todas as linhas.
Retorno sobre custo de mídia ainda não é lucro. O número compara receita bruta com o gasto na plataforma e deixa de fora frete, imposto, produto e a equipe que opera a campanha. Um retorno de 1,5 com 38 por cento de margem de contribuição perde dinheiro no primeiro pedido, e só a recompra dos meses seguintes diz se a conta fecha.
Armadilha comum: colocar na mesma coluna o custo por conversão que a Meta informa e o custo por evento-chave que o Analytics calcula para o Google Ads. O primeiro usa a régua da Meta, com visualização sem clique; o segundo usa o modelo orientado por dados. A tabela parece comparável e não é, e a decisão de orçamento sai contaminada.
Na Verde Vivo, o primeiro envio de setembro cobriu o mês de agosto: R$ 24.000 de Meta em 14 campanhas e R$ 3.200 da ferramenta de e-mail, com custo rateado por campanha de envio. O relatório de validação mostrou 58 por cento de cobertura.
A causa estava na grafia, e não na ferramenta. As linhas em No Analytics data eram as da Meta com source "Facebook" e campanhas com espaço no nome, enquanto a UTM do anúncio usava minúsculas e sublinhado. Caio corrigiu a exportação, Marina reenviou, e o segundo relatório mostrou 96 por cento.
A importação de custo da Verde Vivo, primeiro e segundo envio
Primeiro envio
Antes
- source "Facebook", medium "paid social", campanha com espaço e maiúscula
- Data em DD/MM/AAAA, exportada como saiu da plataforma
- Sem coluna de moeda; arquivo recusado no primeiro upload
- Cobertura de 58 por cento; 41 por cento das linhas em No Analytics data
- Custo por compra da Meta lido no painel dela: R$ 51
Segundo envio
Depois
- source "facebook", medium "paid_social", campanha igual à utm_campaign
- Data em ISO 8601, convertida na planilha antes de exportar
- currency fixo em BRL para o arquivo inteiro
- Cobertura de 96 por cento; o restante são campanhas encerradas sem sessão no mês
- Custo por compra da Meta no Analytics, orientado por dados: R$ 145
Com o custo dentro, a tabela unificada de agosto ficou assim: o Google Ads gastou R$ 38.000 e recebeu 310 compras (R$ 66.650 de receita atribuída) e 34 orçamentos B2B; a Meta gastou R$ 24.000 por 165 compras e R$ 35.475; o e-mail custou R$ 3.200 por 240 compras e R$ 51.600. O custo por compra saiu em R$ 123 no Google Ads, R$ 145 na Meta e R$ 13 no e-mail, na mesma régua.
Os três canais da Verde Vivo em agosto, com custo e crédito pela mesma régua (cenário composto)
| Canal | Custo | Compras atribuídas | Receita atribuída | Custo por compra | Retorno |
|---|---|---|---|---|---|
| Google Ads (Pesquisa, Performance Max, Demand Gen) | R$ 38.000 | 310, mais 34 orçamentos B2B | R$ 66.650, mais R$ 204.000 esperados nos orçamentos | R$ 123 | 1,75 só no e-commerce |
| Meta (social pago) | R$ 24.000 | 165 | R$ 35.475 | R$ 145 | 1,48 |
| E-mail (ferramenta de envio) | R$ 3.200 | 240 | R$ 51.600 | R$ 13 | 16,1 |
Modelo orientado por dados, janela de 30 dias, ticket médio de R$ 215. Os R$ 204.000 esperados são 34 orçamentos vezes o valor padrão de R$ 6.000 do capítulo 22, e não receita realizada.
O que essa tabela mudou foi a leitura do e-mail: com 38 por cento de margem, cada compra deixa cerca de R$ 82 de contribuição, e os dois canais pagos custam mais do que isso por compra de primeiro pedido. O e-mail, que nunca tinha aparecido na reunião de mídia, virou o canal que fecha as vendas que os outros abrem. Nenhum canal foi cortado por esse número sozinho; o capítulo seguinte explica por quê.
Exporte da Meta o custo diário por campanha do mês passado, converta a data para ISO 8601, acrescente a coluna currency e envie ao Analytics. Abra o relatório de validação no dia seguinte: se a cobertura ficar abaixo de 90 por cento, a lista de No Analytics data diz qual grafia corrigir antes do próximo capítulo, que usa esse custo para planejar orçamento.
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Todos os capítulos de Google Analytics 2027
- 01Entender o que o GA4 de 2026 mede antes de instalar a tag
- 02Transformar a pergunta do negócio num plano de mensuração
- 03Ler usuários, sessões e engajamento sem somar o que não soma
- 04Desenhar conta, propriedade e fluxo para o negócio que existe
- 05Instalar a Google tag uma vez só e validar a coleta
- 06Organizar o Tag Manager para que a tag certa dispare uma vez
- 07Escrever o contrato de dados que o desenvolvedor consegue implementar
- 08Registrar dimensões personalizadas sem estourar a cardinalidade
- 09Pedir consentimento, ligar o Consent Mode e saber o que a modelagem devolve
- 10Manter a mesma pessoa no relatório entre login, domínios e dispositivos
- 11Provar que o evento chegou certo antes de confiar no relatório
- 12Ler os relatórios nativos com denominador certo e comparação justa
- 13Marcar campanhas com UTM e ler canais sem cair em Direct e Unassigned
- 14Medir busca orgânica e tráfego de assistentes de IA sem superestimar nenhum
- 15Descobrir por que a página cheia de tráfego não produz resultado
- 16Achar onde a jornada perde gente com exploração, segmento e funil
- 17Medir retenção, ativação e valor por coorte em vez de por mês
- 18Construir públicos que a mídia usa e saber quando o preditivo não existe
- 19Instrumentar a loja do view_item ao refund e conciliar com o financeiro
- 20Ligar o clique ao contrato assinado com eventos de lead e CRM
- 21Medir o aplicativo e a assinatura com Firebase sem perder a pessoa entre plataformas
- 22Escolher quais eventos-chave viram conversão no Google Ads e quais só analisam
- 23Explicar por que duas plataformas reivindicam a mesma venda
- 24Importar custo de mídia e comparar plataformas com o mesmo indicador
- 25Planejar orçamento entre canais e separar crédito de causa
- 26Montar o painel executivo dentro do próprio Analytics
- 27Contar o resultado do mês no Data Studio sem multiplicar linhas
- 28Usar Ask Advisor e insights automáticos sem aceitar resposta sem conferir
- 29Ligar a exportação para o BigQuery e entender o que ela não reproduz
- 30Responder às perguntas do negócio em SQL sobre os dados brutos
- 31Enviar do servidor o evento que o navegador não vê, sem duplicar
- 32Automatizar relatório, auditoria e alerta com as APIs do Analytics
- 33Decidir entre Standard e 360 e governar a propriedade como ativo da empresa
- 34Diagnosticar os onze problemas clássicos do GA4 com método
- 35Entregar o projeto de mensuração e manter a rotina que o conserva