Google Analytics 2027 · Capítulo 16 de 35 · 10 min
Achar onde a jornada perde gente com exploração, segmento e funil
Um funil que aponta a etapa exata em que o checkout perde gente, separado por meio de pagamento, com a ressalva de amostragem no lugar certo.
Este capítulo faz parte do curso gratuito Google Analytics 2027. Para marcar como concluído e salvar o progresso, abra este capítulo na página do curso.
Com a página de guia diagnosticada, o relatório padrão parou de responder. Ele diz quantas sessões chegaram ao checkout e quantas compras saíram, mas não diz em qual tela a pessoa desistiu, quanto tempo passou entre uma etapa e outra nem se quem escolheu Pix se comporta como quem escolheu cartão.
O custo de ficar só no relatório é decidir no escuro. A Verde Vivo passou três semanas mexendo na tabela de frete porque a taxa de conversão de 2,0 por cento parecia baixa, quando a perda estava na tela de pagamento. Sem funil, cada hipótese vira uma mudança no site e um mês de espera pelo resultado.
Explorações resolvem isso com um custo próprio: obedecem a regras diferentes dos relatórios, amostram acima de um limite e respeitam a janela de retenção da propriedade. Ao terminar, o funil do checkout da Verde Vivo mostra a etapa da perda por meio de pagamento, e o número que ele entrega vem com a ressalva certa.
Exploração é a área do Analytics onde a pergunta vem antes do relatório. Em vez de abrir uma tabela pronta, a pessoa escolhe as variáveis (dimensões, métricas e segmentos que a aba pode usar), monta a tela e troca de técnica sem perder o que já configurou. As técnicas são: livre, funil, caminho, sobreposição de segmentos, coorte, usuário e valor de vida.
A exploração livre é uma tabela dinâmica: linhas, colunas e valores escolhidos à mão, com filtro e segmento por cima. Ela responde às perguntas que o relatório padrão não aceita, como cruzar cidade com meio de pagamento e ticket médio. É por ali que se testa uma hipótese antes de gastar tempo com um funil.
Relatório e exploração leem os mesmos eventos por regras diferentes, e a página oficial lista as diferenças. Campos que só existem num dos dois. Filtros de exploração que distinguem maiúsculas de minúsculas. Segmentos e comparações convertidos com perda ao passar de um lado para o outro. A retenção de dados limita o período da exploração e não o do relatório agregado. As últimas 48 horas podem divergir entre os dois.
Relatório padrão e exploração: o que muda na mesma propriedade
| Critério | Relatório padrão | Exploração |
|---|---|---|
| Período disponível | Dados agregados, sem limite pela retenção | Só dentro da retenção de eventos: 2 ou 14 meses na propriedade padrão |
| Filtro por texto | Sem distinção de maiúsculas | Distingue maiúsculas de minúsculas |
| Segmento | Não existe; só comparação | Segmento de usuário, sessão ou evento |
| Dados modelados | Entram, com identidade combinada | Não entram em coorte, retenção, usuário, valor de vida nem segmento com sequência |
| Amostragem | Não amostra | Amostra acima de 10 milhões de eventos por consulta (1 bilhão no 360) |
| Últimas 48 horas | Podem diferir da exploração | Podem diferir do relatório |
| Uso em dashboard nativo | Cartões de relatório, sem segmento | Não entra no dashboard |
Fonte: Google Analytics Help, Data differences between reports and explorations; About Google Analytics dashboard (setembro de 2026)
Segmento é o subconjunto que a exploração enxerga, e o escopo dele muda a resposta. Segmento de usuário traz todos os eventos de quem cumpriu a condição em algum momento, inclusive as visitas de antes. Segmento de sessão traz só as sessões em que a condição ocorreu. Segmento de evento traz só os eventos que a cumprem, sem o resto da sessão.
Na prática, a escolha do escopo é a pergunta. "Quem já pagou com Pix" é segmento de usuário e inclui as sessões de pesquisa antes da compra. "Sessões em que alguém escolheu Pix" é segmento de sessão e serve para medir o checkout daquele dia. "Eventos de pagamento com Pix" é segmento de evento e serve para contar e somar, não para descrever comportamento.
Funil é a técnica que ordena etapas e mede quem passa de uma para a outra. Funil fechado exige entrar pela primeira etapa; funil aberto aceita quem entra em qualquer ponto. Cada etapa pode ser "seguida indiretamente" (com outras ações no meio) ou "seguida diretamente", e pode receber um limite de tempo entre uma etapa e a seguinte. A tabela mostra usuários por etapa, taxa de conclusão, abandono e tempo decorrido.
Duas decisões definem o que o funil mede. A primeira é o escopo do funil: usuários que completam as etapas em qualquer sessão, ou só dentro da mesma sessão. A segunda é a última etapa: se ela é um evento que depende de algo fora do navegador, como a confirmação do pagamento, o funil dentro da sessão vai chamar de abandono o que é só espera.
Exploração de caminho responde à pergunta inversa: dado um evento, o que vem depois ou o que veio antes. Ela desenha uma árvore de eventos ou de páginas a partir de um ponto de partida ou de chegada, e é a ferramenta para descobrir para onde vai quem sai da tela de pagamento sem comprar: para o carrinho, para o guia de frete ou para fora do site.
Sobreposição de segmentos cruza poucos segmentos por vez e mostra quem pertence a mais de um, no molde de um diagrama de conjuntos. Exploração de usuário lista identificadores individuais com a linha do tempo de eventos de cada um. Ela vale para depurar um caso, nunca para identificar uma pessoa: o Analytics não guarda nome, e dados modelados de consentimento não aparecem ali.
Amostragem é o limite que a exploração precisa declarar. Na propriedade padrão, a consulta que passa de 10 milhões de eventos é amostrada; no Analytics 360, o limite é 1 bilhão. O ícone no alto da exploração diz se o resultado é completo. Explorações sem amostragem existem só no 360, com cota de 20.000 tokens por propriedade por dia e 5.000 por consulta, em resultados somente leitura que expiram em 50 dias.
Os limites de amostragem das explorações, por tipo de propriedade
10 milhões
de eventos por consulta antes de amostrar
Propriedade padrão; o ícone da exploração indica quando o resultado é amostrado
1 bilhão
de eventos por consulta no Analytics 360
Só em propriedade 360; o limite vale por consulta, não por período
20.000 tokens
por propriedade por dia para exploração sem amostragem
Só no 360, 5.000 tokens por consulta; resultado somente leitura, expira em 50 dias
0
amostragem e linha (other) na exportação para o BigQuery
Eventos brutos, sem modelagem, atribuição orientada por dados nem agregação
Fonte: Google Analytics Help, Google Analytics 360; Unsampled explorations; Data differences between Analytics UI and BigQuery export (consultadas em setembro de 2026)
Quando a pergunta ultrapassa esse teto, a resposta está no BigQuery, que recebe os eventos brutos sem amostragem, sem linha (other) e sem as adições do Google: nada de modelagem de consentimento, nada de atribuição orientada por dados. O capítulo 29 monta essa exportação; aqui basta saber que a exploração amostrada é boa para achar a etapa e ruim para fechar o número do mês.
Armadilha comum: montar o funil fechado dentro da sessão com purchase como última etapa numa loja que aceita Pix e boleto, ler 60 por cento de abandono na tela de pagamento e mandar o desenvolvedor reescrever o checkout. O evento purchase só chega quando o pagamento confirma, e boa parte das confirmações vem depois de a aba fechar. O funil mediu espera e chamou de desistência.
Foi o que aconteceu na Verde Vivo. Marina montou o funil fechado no escopo da sessão, com view_item, add_to_cart, begin_checkout, add_payment_info e purchase, nos 30 dias de agosto. Das 82.000 sessões do mês, 3.600 chegaram à tela de pagamento e 1.287 terminaram com purchase na mesma sessão: 64 por cento de abandono na etapa final, o pior número do funil.
O número era falso na parte que importava. Caio já enviava purchase pelo servidor, só na confirmação do pagamento, e a loja fechou agosto com 1.650 pedidos pagos. Os 363 pedidos que faltavam no funil, 22 por cento do total, foram confirmados depois da sessão: 283 por Pix, pago pelo aplicativo do banco com a aba fechada, e 80 por boleto, compensados um ou dois dias depois.
- Etapa 1 de 6: 82.000 sessões
Total do mês; 41.000 com view_item de ao menos um produto
- Etapa 2 de 6: 9.800 add_to_cart
24 por cento de quem viu produto colocou algo no carrinho
- Etapa 3 de 6: 5.200 begin_checkout
53 por cento dos carrinhos seguiram para o checkout
- Etapa 4 de 6: 3.600 add_payment_info
Cartão 1.980, Pix 1.260, boleto 360, pelo parâmetro payment_type
- Etapa 5 de 6: 2.050 pedido_criado
Evento personalizado disparado ao gerar o pedido; a perda real é aqui, 43 por cento
- Etapa 6 de 6: 1.650 purchase
Pagos em qualquer sessão, em até 7 dias; 363 confirmados depois da sessão
A correção teve duas partes. Caio criou o evento pedido_criado, disparado no navegador no instante em que o pedido é gerado, e Marina o colocou como última etapa do funil dentro da sessão; purchase virou etapa de um segundo funil, aberto, com escopo entre sessões e prazo de 7 dias. A perda real na tela de pagamento passou a 43 por cento, e os 400 pedidos criados e nunca pagos ganharam medição própria.
O segmento por meio de pagamento explicou o resto. Nas sessões com cartão, 610 das 880 desistências na tela de pagamento vinham de recusa da operadora, visível num evento de erro que Caio adicionou na mesma semana. Nas sessões com Pix, a desistência era baixa, e o segmento de usuário mostrou que quem pagava depois voltava por um link de e-mail, o que muda a atribuição da venda e reaparece no capítulo 23.
A amostragem não atrapalhou em agosto: a Verde Vivo gera perto de 2,1 milhões de eventos por mês, e a consulta de 30 dias ficou abaixo dos 10 milhões. Quando Marina esticou o mesmo funil para 12 meses, o ícone mudou de cor e o total de purchase divergiu em 4 por cento do relatório. A leitura anual foi para o BigQuery, e a exploração ficou com a pergunta de onde se perde.
Abra a exploração de funil da sua loja com pedido criado, e não pagamento confirmado, como última etapa dentro da sessão, e coloque um segmento por meio de pagamento em cada coluna. O critério de acerto é o ícone de amostragem verde e uma etapa com abandono acima das outras. Anote qual é: o próximo capítulo troca a pergunta "onde perde" por "quem volta", e a resposta exige olhar por coorte.
Seu caderno neste capítulo
Abrir o caderno completoSelecione um trecho do capítulo para destacar ou anotar. No teclado, selecione com Shift e as setas e use Alt+Shift+D para destacar ou Alt+Shift+N para anotar.
Salvo neste navegador. Entre na sua conta para levar o caderno a outros aparelhos.
Entre na sua conta para compartilhar o que aprendeu e convidar alguém para estudar com você.
Voltar ao capítulo anterior: Descobrir por que a página cheia de tráfego não produz resultado
Todos os capítulos de Google Analytics 2027
- 01Entender o que o GA4 de 2026 mede antes de instalar a tag
- 02Transformar a pergunta do negócio num plano de mensuração
- 03Ler usuários, sessões e engajamento sem somar o que não soma
- 04Desenhar conta, propriedade e fluxo para o negócio que existe
- 05Instalar a Google tag uma vez só e validar a coleta
- 06Organizar o Tag Manager para que a tag certa dispare uma vez
- 07Escrever o contrato de dados que o desenvolvedor consegue implementar
- 08Registrar dimensões personalizadas sem estourar a cardinalidade
- 09Pedir consentimento, ligar o Consent Mode e saber o que a modelagem devolve
- 10Manter a mesma pessoa no relatório entre login, domínios e dispositivos
- 11Provar que o evento chegou certo antes de confiar no relatório
- 12Ler os relatórios nativos com denominador certo e comparação justa
- 13Marcar campanhas com UTM e ler canais sem cair em Direct e Unassigned
- 14Medir busca orgânica e tráfego de assistentes de IA sem superestimar nenhum
- 15Descobrir por que a página cheia de tráfego não produz resultado
- 16Achar onde a jornada perde gente com exploração, segmento e funil
- 17Medir retenção, ativação e valor por coorte em vez de por mês
- 18Construir públicos que a mídia usa e saber quando o preditivo não existe
- 19Instrumentar a loja do view_item ao refund e conciliar com o financeiro
- 20Ligar o clique ao contrato assinado com eventos de lead e CRM
- 21Medir o aplicativo e a assinatura com Firebase sem perder a pessoa entre plataformas
- 22Escolher quais eventos-chave viram conversão no Google Ads e quais só analisam
- 23Explicar por que duas plataformas reivindicam a mesma venda
- 24Importar custo de mídia e comparar plataformas com o mesmo indicador
- 25Planejar orçamento entre canais e separar crédito de causa
- 26Montar o painel executivo dentro do próprio Analytics
- 27Contar o resultado do mês no Data Studio sem multiplicar linhas
- 28Usar Ask Advisor e insights automáticos sem aceitar resposta sem conferir
- 29Ligar a exportação para o BigQuery e entender o que ela não reproduz
- 30Responder às perguntas do negócio em SQL sobre os dados brutos
- 31Enviar do servidor o evento que o navegador não vê, sem duplicar
- 32Automatizar relatório, auditoria e alerta com as APIs do Analytics
- 33Decidir entre Standard e 360 e governar a propriedade como ativo da empresa
- 34Diagnosticar os onze problemas clássicos do GA4 com método
- 35Entregar o projeto de mensuração e manter a rotina que o conserva