Google Analytics 2027 · Capítulo 33 de 35 · 10 min
Decidir entre Standard e 360 e governar a propriedade como ativo da empresa
A decisão de upgrade feita por limite atingido, uma arquitetura para marcas e países, e as regras que impedem a propriedade de virar terra de ninguém.
Este capítulo faz parte do curso gratuito Google Analytics 2027.
Com a rotina de leitura no ar, a pergunta chegou por e-mail de um grupo que estuda comprar a Verde Vivo: "vocês são 360?". O grupo tem três marcas, opera no Brasil e em Portugal e queria saber se a medição da Verde Vivo caberia na dele. Marina não sabia responder, porque nunca tinha precisado.
Decidir errado custa dos dois lados. Pagar pelo Analytics 360 para resolver um problema de qualidade de dado não resolve o problema e consome um orçamento sem preço público. Ficar na propriedade padrão depois de bater no teto de dimensões, de eventos-chave ou de exportação faz a análise parar justamente quando o negócio cresce.
O capítulo põe os limites lado a lado, explica subpropriedades e propriedades de consolidação, desenha a arquitetura que Marina propôs ao grupo e fecha com a governança que vale para qualquer propriedade, padrão ou 360.
A diferença entre Standard e 360 é uma lista de tetos. Dimensões personalizadas de escopo de evento: 50 contra 125. De usuário: 25 contra 100. De item: 10 contra 25. Métricas personalizadas: 50 contra 125. Parâmetros por evento e propriedades do usuário: 25 contra 100. Retenção de dados de evento: 2 ou 14 meses contra até 50. Eventos-chave: 30 contra 50. Públicos: 100 contra 400. Tokens diários da Data API: 200.000 contra 2 milhões.
Os limites que separam a propriedade padrão do Analytics 360
| Limite | Padrão | Analytics 360 |
|---|---|---|
| Dimensões personalizadas (evento / usuário / item) | 50 / 25 / 10 | 125 / 100 / 25 |
| Métricas personalizadas e calculadas | 50 e 5 | 125 e 50 |
| Parâmetros por evento e propriedades do usuário | 25 e 25 | 100 e 100 |
| Retenção de dados de evento | 2 ou 14 meses | 2, 14, 26, 38 ou 50 meses |
| Eventos-chave e públicos | 30 e 100 | 50 e 400 |
| Explorações | Amostragem acima de 10 milhões de eventos | Acima de 1 bilhão; exploração não amostrada com 20.000 tokens por dia e 5.000 por consulta |
| Exportação diária para o BigQuery | 1 milhão de eventos por dia | Até 20 bilhões por dia, mais Fresh Daily |
| Data API | 200.000 tokens por dia; 10 requisições simultâneas | 2.000.000 tokens por dia; 50 simultâneas |
| Dashboards nativos | 15 cartões por dashboard | 30 cartões por dashboard |
| Subpropriedades e roll-up | Não disponíveis | Até 400 subpropriedades e roll-up com até 200 fontes |
Fonte: Google Analytics Help, Google Analytics 360 (GA4 properties), Custom dimensions and metrics limits, Data retention, BigQuery Export overview, About Google Analytics dashboard (setembro de 2026)
Preço não está em página nenhuma do Google. Estimativas de terceiros falam em algo a partir de cerca de US$ 50 mil por ano, chegando a US$ 150 mil ou mais por volta de 500 milhões de hits mensais, e em subpropriedades e roll-ups cobrando eventos à metade da taxa da propriedade fonte. São valores de mercado citados por consultorias, não tabela oficial, e o número real vem de uma proposta do revendedor para o volume da empresa.
O que se sabe sobre o custo do Analytics 360 em 2026, e de quem
Sem tabela
preço publicado pelo Google
O valor vem de proposta comercial por volume; nenhuma página oficial o lista
US$ 50 mil/ano
piso estimado por terceiros
embertribe e optimizesmart; estimativa de mercado, não oficial
US$ 150 mil+
estimativa por volta de 500 milhões de hits mensais
Mesmas fontes, mesma ressalva
Metade
da taxa por evento em subpropriedades e roll-ups
Segundo optimizesmart; confirmar na proposta
Fonte: embertribe.com, Google Analytics cost (2026); optimizesmart.com, GA4 vs GA4 360 pricing (2026)
Subpropriedade (uma propriedade derivada que recebe um subconjunto filtrado dos dados da propriedade fonte) só existe no 360 com pedido ativo na organização do Marketing Platform. Uma fonte aceita até 400 subpropriedades, que contam para o limite de 2.000 propriedades por conta, cada uma com até 400 vínculos com o Google Ads. Os dados chegam com latência de 5 minutos a 4 horas, e a sincronização de definições personalizadas com a fonte é opcional. A integração com o Perfil da Empresa não funciona em subpropriedades.
O uso típico é separar por marca, país ou unidade sem coletar duas vezes: a tag continua uma, a fonte guarda tudo, e cada equipe vê só a sua subpropriedade, com acesso e eventos-chave próprios. Propriedade de consolidação, o roll-up, faz o caminho inverso: junta até 200 propriedades fonte numa visão única. Um roll-up não pode ser fonte de outro roll-up e não gera subpropriedades.
Meridian, o modelo de mix de mídia do Google, foi anunciado dentro do Analytics 360 em 20 de maio de 2026. O blog oficial diz "em breve"; a imprensa especializada relata disponibilidade global. O modelo Meridian do cross-channel budgeting está em alpha, só no 360. Quem compra o 360 em 2026 por causa do Meridian compra um recurso em rollout, e a proposta precisa dizer o que está ativo na data.
Sem 360, um grupo com marcas e países tem duas saídas. Uma propriedade por marca e país, cada uma padrão, com a visão consolidada montada no BigQuery por união das exportações: funciona, mas o usuário é contado em cada propriedade e a interface nunca mostra o grupo inteiro. Ou uma propriedade única com o país e a marca como dimensões, que consolida na interface mas mistura acessos e estoura mais rápido os tetos de definições e de exportação.
Governança começa por acesso. Os papéis são Administrator, Editor, Marketer, Analyst e Viewer, e o Task Assistant, por exemplo, só aparece para os três primeiros. Cada pessoa com o próprio login, no menor papel que o trabalho pede; conta de serviço em Viewer; fornecedor com prazo de saída anotado. Uma vez por trimestre, a lista de usuários é comparada com a lista de quem ainda trabalha com a propriedade.
Padrões corporativos são o dicionário de dados do capítulo 8 elevado a regra do grupo: nome de evento, nome de parâmetro, escopo, dono e finalidade, iguais em toda marca. Gestão de mudanças é registrar antes de mexer: a anotação de dados na propriedade, o histórico de alterações e uma página com data, mudança, motivo e resultado esperado. Ciclo de vida é decidir retenção, atender pedido de exclusão e guardar o registro de consentimento pelo tempo que a finalidade pede.
- Etapa 1 de 5: Catálogo
Todo evento e parâmetro com dono, escopo e finalidade no dicionário
- Etapa 2 de 5: Acesso
Papel mínimo por pessoa; conta de serviço em Viewer; revisão trimestral
- Etapa 3 de 5: Mudança
Anotação de dados e página de registro antes de qualquer alteração
- Etapa 4 de 5: Auditoria
Rotina da Admin API compara a propriedade com o catálogo toda semana
- Etapa 5 de 5: Ciclo de vida
Retenção decidida, exclusão atendida, consentimento guardado
Armadilha comum: comprar o 360 porque o BigQuery não bate com a interface ou porque o relatório tem (other) demais. O primeiro é diferença de método, explicada no capítulo 29; o segundo é cardinalidade, resolvida no capítulo 8. O upgrade aumenta tetos, não conserta coleta. A pergunta que decide é qual limite a propriedade atingiu, com número, e a resposta vem da auditoria, não da sensação.
Na Verde Vivo, Marina respondeu ao grupo em duas partes. Sozinha, a Verde Vivo fica na propriedade padrão: 38 das 50 dimensões de evento em uso, 210 mil eventos por dia contra o teto de 1 milhão na exportação, 14 meses de retenção suficientes porque o histórico longo vive no BigQuery, e a rotina de API em 9.000 dos 200.000 tokens diários. Nenhum limite atingido, nenhum motivo para upgrade.
Para o grupo, a conta muda. Três marcas em dois países somam seis sites e dois aplicativos, e o volume combinado passa de 1 milhão de eventos por dia, o que já inviabiliza a exportação diária padrão numa propriedade única. A arquitetura proposta: uma propriedade fonte 360 por país, com uma subpropriedade por marca para acesso e eventos-chave próprios, e um roll-up global para a diretoria. A Verde Vivo entraria como subpropriedade da fonte do Brasil, mantendo a tag e o dicionário.
As três arquiteturas que Marina comparou para o grupo
| Arquitetura | Visão consolidada | Acesso por marca | Limite crítico | Custo |
|---|---|---|---|---|
| Uma propriedade padrão por marca e país (6) | Só no BigQuery, por união das exportações | Natural, uma propriedade por equipe | Usuário contado seis vezes; nada consolidado na interface | Sem licença; seis projetos de exportação |
| Uma propriedade padrão única com marca e país como dimensões | Na interface, com filtros | Impossível separar; todos veem tudo | Exportação diária acima de 1 milhão de eventos por dia pausa e não reprocessa | Sem licença; risco de teto |
| 360: uma fonte por país, subpropriedade por marca, roll-up global | Roll-up com até 200 fontes | Subpropriedade com acesso e eventos-chave próprios | Latência de 5 minutos a 4 horas nas subpropriedades | Licença sem preço público; proposta por volume |
Cenário composto. A decisão final ficou com o grupo, à espera da proposta comercial do revendedor.
O que mudou foi a resposta pronta: a Verde Vivo sabe hoje em quais números encosta em cada teto e o que a levaria ao 360, e o grupo recebeu uma arquitetura em vez de um sim ou não. A governança, essa vale desde já, e a trilha de dados termina com a propriedade tratada como ativo com dono, catálogo e registro.
Anote hoje, para a sua propriedade, quantas dimensões personalizadas de evento estão em uso das 50, quantos eventos-chave dos 30 e quantos eventos por dia chegam ao BigQuery do 1 milhão; se algum passar de 80 por cento do teto, essa é a primeira linha da conversa sobre o 360. A próxima trilha abre a clínica de problemas, e os onze sintomas dela começam por essa mesma ficha.
Quando o grupo pediu acesso à propriedade da Verde Vivo para a auditoria da compra, Marina percebeu que a lista de usuários tinha onze nomes, três deles de agências que já não atendiam a loja, e que o analista financeiro do grupo veria receita e custo de mídia com qualquer papel que recebesse. A governança saiu do documento e foi para a tela de acesso.
Guia prático: dar acesso com papel e restrição de dados
Faça na propriedade, não na conta, sempre que a pessoa só precisa de uma propriedade.
Passo 1: Abra o gerenciamento de acesso
Vá em Administrador > Propriedade > Gerenciamento de acesso à propriedade (Property access management). Para acesso a todas as propriedades, o caminho é Administrador > Conta > Gerenciamento de acesso à conta.
Deu certo quando: A lista mostra cada pessoa, o papel e se o acesso vem da conta ou da propriedade.
Passo 2: Adicione a pessoa com o menor papel útil
Clique em + e Adicionar usuários. Escolha entre Administrador, Editor, Profissional de marketing, Analista e Leitor. Quem só lê relatórios fica como Leitor; quem monta explorações compartilhadas, Analista.
Erro comum: Dar Administrador a agência para ela poder criar públicos. Profissional de marketing já cria públicos, eventos e eventos-chave.
Passo 3: Aplique as restrições de dados
Na mesma tela, marque Sem dados para métricas de custo e Sem dados para métricas de receita quando a pessoa não deve ver investimento de mídia ou faturamento.
Deu certo quando: Entrando com a conta dessa pessoa, receita e custo não aparecem em relatórios nem em explorações.
Passo 4: Lembre da herança
O papel dado na conta vale em todas as propriedades dela. Um papel na propriedade só amplia, nunca reduz, o que veio da conta.
Erro comum: Tentar restringir na propriedade alguém que é Editor na conta: é preciso rebaixar na conta.
Passo 5: Confira o histórico de alterações
Em Administrador > Conta > Histórico de alterações da conta (Account change history), filtre por data e por quem mudou. Faça isso depois de cada rodada de acessos e de qualquer mudança de configuração.
Deu certo quando: Cada inclusão e cada mudança de papel aparecem com data, hora e autor.
No fim você tem: Cada pessoa com um papel justificado, receita e custo escondidos de quem não decide sobre eles, e um registro que prova quem mudou o quê.
Papel mínimo por perfil, como a Verde Vivo aplicou
| Perfil | Papel | Restrição de dados | Motivo |
|---|---|---|---|
| Marina, dona da medição | Administrador | Nenhuma | Gerencia usuários e responde pela propriedade |
| Caio, desenvolvimento | Editor | Sem métricas de receita | Mexe em fluxos e definições; não decide sobre faturamento |
| Agência de mídia | Profissional de marketing | Nenhuma | Cria públicos e eventos-chave; precisa ver custo e retorno |
| Analista financeiro do grupo | Leitor | Sem métricas de custo | Audita vendas sem ver o investimento por canal |
| Conta de serviço da rotina de API | Leitor | Nenhuma | Só lê relatórios para a rotina semanal |
Cenário composto. Cada linha tem data de revisão no documento da propriedade.
Com mais de uma equipe, grupos de usuários evitam repetir o mesmo acesso pessoa a pessoa. Eles exigem que a conta pertença a uma organização do Google Marketing Platform, são criados em Administração > Organizações > Grupos de usuários, e quem entra no grupo herda o papel dele, somando ao que já tinha. Na proposta ao grupo, Marina desenhou um grupo por marca e um grupo da diretoria, com o acesso ao roll-up só para o segundo.
Auditoria trimestral de acesso e mudanças
Pessoas
0/4Configuração
0/4Governança que funciona sem 360
Acesso se dá a papel e a grupo, com prazo, e se revisa no calendário.
- Profissional de marketing cobre o trabalho de agência sem Administrador.
- Restrições de custo e receita escondem esses números até das explorações.
- Grupos de usuários aceitam aninhamento: grupo da empresa com grupos por área dentro.
- Papel de administrador do GTM não vai para grupo; é dado pessoa a pessoa.
- Chave secreta do MP com apelido de uso facilita apagar a que ninguém usa.
O teste: Conte quantos Administradores a propriedade tem hoje; mais de dois pede justificativa escrita.
alexandrecaramaschi.com/educacao/frontends-com-vibecoding
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