Google Analytics 2027 · Capítulo 10 de 35 · 11 min
Manter a mesma pessoa no relatório entre login, domínios e dispositivos
A assinante que abre o app, lê o blog e compra na loja aparece uma vez, e o checkout deixa de roubar o crédito da campanha.
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Com o consentimento registrado, a propriedade sabe quem deixou cookie. Falta decidir como ela reconhece a mesma pessoa quando essa pessoa aparece em três lugares: o site em Next.js, a loja na Shopify em domínio próprio e o aplicativo do clube. Sem uma regra, cada lugar cria um usuário novo, e o relatório conta três pessoas onde existe uma.
O custo é silencioso e se espalha. Usuários novos inflam, retenção encolhe, e a campanha que trouxe a pessoa ao site perde o crédito quando a compra fecha em outro domínio, porque a sessão da loja nasce como referência do próprio site. A gestora de mídia lê que o Google Ads não vende, e o e-mail lê que a loja se vende sozinha.
Este capítulo escolhe os identificadores, decide a identidade dos relatórios e liga os domínios da Verde Vivo com o parâmetro de vinculação. No fim, a assinante que abre o app pela manhã e compra um vaso à noite aparece uma vez, e a compra volta para a campanha que a trouxe.
Três identificadores convivem no GA4. Client ID (o número que o cookie _ga guarda no navegador) identifica um navegador num aparelho. App Instance ID (o identificador que o SDK do Firebase cria na instalação) identifica uma instalação do aplicativo. User-ID (o identificador que o site envia quando a pessoa faz login) identifica a pessoa, e é o único que atravessa navegador, aparelho e app.
A implementação do User-ID tem três regras. Enviar no login, em toda página e em todo evento enquanto a pessoa estiver logada, com um identificador interno e não com e-mail ou documento. Parar de enviar no logout, porque o identificador que fica ligado ao navegador associa a próxima pessoa ao histórico da anterior. Nunca enviar em aparelho compartilhado sem login individual, como o tablet do balcão da loja física.
Associação indevida é o erro que mais custa. Caio encontrou o User-ID guardado numa variável global do site que sobrevivia ao logout; a pessoa saía, outra entrava no mesmo navegador e o GA4 juntava as duas. A correção foi apagar a variável no logout e só ler o identificador da sessão autenticada. Sem isso, o clube de assinatura teria retenção inflada por pessoas que nunca voltaram.
Identidade dos relatórios é a regra que diz em que ordem a propriedade tenta reconhecer a pessoa. Há três opções em setembro de 2026. Blended: User-ID, depois identificador do aparelho, depois modelagem. Observed: User-ID, depois identificador do aparelho. Device-based: só o identificador do aparelho. A página oficial não cita mais o Google signals nessa cadeia.
As três identidades dos relatórios e o que cada uma custa
| Opção | Ordem de reconhecimento | Limiares de dados | Quando escolher |
|---|---|---|---|
| Blended | User-ID, identificador do aparelho, modelagem | Sim, quando há poucos usuários logados | Leitura mensal com login relevante e dado modelado do consentimento |
| Observed | User-ID, identificador do aparelho | Sim, quando há poucos usuários logados | Quando a equipe quer só o observado, sem estimativa |
| Device-based | Só identificador do aparelho | Não | Conferência diária de volumes e relatórios pequenos que somem sob limiar |
Trocar a opção não altera a coleta: é uma lente de leitura, e pode ser mudada de volta a qualquer momento.
Fonte: Google Analytics Help, Reporting identity (answer/10976610)
Limiares de dados (a regra que esconde linhas de relatório quando poucos usuários poderiam ser identificados) aparecem em Blended e Observed quando há poucos usuários logados. Nenhum número de limiar é publicado. Na prática, um relatório de uma página com dez visitas some sob o limiar na Blended e aparece inteiro na Device-based, e é por isso que Marina alterna entre as duas conforme a pergunta.
Google signals mudou duas vezes. Em 12 de fevereiro de 2024, saiu da cadeia de identidade dos relatórios; continuou alimentando demografia, interesses e públicos. Em 15 de junho de 2026, deixou de controlar a coleta de cookies e identificadores do Google Ads, papel que passou ao ad_storage do capítulo anterior. Os dados de signals ficam guardados por no máximo 26 meses, prazo que vale mesmo em propriedades 360 com retenção maior.
Mensuração entre domínios resolve o segundo problema: o cookie _ga vive num domínio e não atravessa para outro. Subdomínios do mesmo domínio raiz compartilham o cookie sem configuração; um domínio diferente, como a loja da Verde Vivo em lojaverdevivo.com.br, não. A solução é listar os domínios na configuração da tag; a tag passa a acrescentar o parâmetro _gl (o parâmetro de vinculação que carrega o Client ID na URL) em todo link entre eles.
- Etapa 1 de 5: Anúncio
Clique cai em verdevivo.com.br com gclid; o cookie _ga nasce ali
- Etapa 2 de 5: Guia de cuidados
blog.verdevivo.com.br é subdomínio: mesmo cookie, nada a configurar
- Etapa 3 de 5: Botão comprar
Link para lojaverdevivo.com.br recebe _gl com o Client ID
- Etapa 4 de 5: Loja Shopify
A tag lê o _gl, grava o mesmo Client ID e a sessão continua a mesma
- Etapa 5 de 5: Pagamento
Domínio do meio de pagamento na lista de referências indesejadas: a volta não abre sessão nova
Checkout externo é o caso mais comum de vinculação quebrada, e o mais comum de referência indesejada. Quando o pagamento por Pix ou boleto passa por um domínio de terceiro e devolve a pessoa à loja, a volta chega com o meio de pagamento como referência. Sem tratamento, a compra é atribuída ao banco. A lista de referências indesejadas, na configuração da tag, diz ao GA4 para ignorar esses domínios como origem.
Autorreferência é o sinal de que a vinculação falhou. Se verdevivo.com.br aparece como origem de sessões da própria loja, o _gl não está sendo acrescentado em algum link, ou a lista de domínios está incompleta. O relatório de aquisição de tráfego, filtrado pela origem que contém o próprio domínio, é onde esse defeito se mostra primeiro.
Redirecionamentos derrubam identificadores agregados de anúncio. Desde 30 de julho de 2026 o GA4 traz um diagnóstico para GBRAID e parâmetros gad_ (os identificadores agregados que o Google Ads acrescenta à URL) removidos no caminho, com as URLs problemáticas e formas de correção. Quando um redirecionamento os apaga, o tráfego aparece como (not set) ou como orgânico, e o Google Ads perde a atribuição paga.
Os limites de identidade precisam ser ditos. Quem nunca faz login fica no identificador do aparelho, e dois aparelhos são duas pessoas. Quem usa bloqueador não envia nada. Quem nega analytics_storage não deixa Client ID persistente, e só a modelagem do capítulo anterior estima a parte dele. Nenhuma configuração devolve essas pessoas ao relatório como indivíduos; o que a configuração faz é não perder quem podia ser reconhecido.
Armadilha comum: usar o e-mail como User-ID porque é o que o sistema de login já tem. O GA4 proíbe dado que identifique a pessoa diretamente, e o e-mail passa a existir em toda linha de evento, inclusive na exportação para o BigQuery. Um identificador interno numérico, ou um hash estável dele, cumpre o mesmo papel sem levar o dado pessoal junto.
Na Verde Vivo, o inventário inicial mostrou o tamanho do problema. A loja em lojaverdevivo.com.br recebia 9,8 por cento das sessões com origem verdevivo.com.br, isto é, autorreferência. O meio de pagamento aparecia como origem de 6 por cento das compras. O app e o site não compartilhavam identificador, e o clube de assinatura, com 2.900 assinantes, mostrava 4.100 usuários ativos no mês só nas telas de assinante.
Caio implementou o User-ID com o identificador interno do HubSpot no site, na loja e no app, com envio no login e limpeza no logout. Marina listou os dois domínios na configuração da tag e colocou os domínios de pagamento na lista de referências indesejadas. A identidade dos relatórios ficou em Blended para a leitura mensal e em Device-based para a conferência diária de volume.
A identidade da Verde Vivo antes e depois da vinculação
Como estava
Antes
- 9,8% das sessões da loja com o próprio site como origem
- 6% das compras atribuídas ao meio de pagamento
- 4.100 usuários ativos nas telas de assinante para 2.900 assinantes
- User-ID guardado numa variável que sobrevivia ao logout
- App e site sem identificador comum
Como ficou
Depois
- 0,4% de autorreferência, o resto era link antigo em e-mail sem _gl
- Meio de pagamento fora da lista de origens; compra volta ao canal de entrada
- 3.050 usuários ativos nas telas de assinante, próximos dos 2.900 reais
- User-ID lido só da sessão autenticada e apagado no logout
- Mesmo identificador interno no site, na loja e no app
O ganho de leitura veio em duas semanas. O Google Ads passou a receber crédito por 31 por cento das compras da loja, contra 19 por cento antes, sem nenhuma mudança de campanha: a diferença era a compra que o pagamento roubava. A retenção do clube, medida por User-ID, caiu de um número inflado para um que bate com o cancelamento de 4,1 por cento ao mês que o financeiro conhece.
Abra o relatório de aquisição de tráfego, filtre a origem pelo seu próprio domínio e anote a porcentagem de sessões que aparece. Acima de 1 por cento, falta domínio na lista ou falta _gl em algum link, e vale corrigir antes de seguir. O próximo capítulo prova que cada evento chegou certo, e a prova só vale numa propriedade em que a mesma pessoa é uma pessoa.
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Todos os capítulos de Google Analytics 2027
- 01Entender o que o GA4 de 2026 mede antes de instalar a tag
- 02Transformar a pergunta do negócio num plano de mensuração
- 03Ler usuários, sessões e engajamento sem somar o que não soma
- 04Desenhar conta, propriedade e fluxo para o negócio que existe
- 05Instalar a Google tag uma vez só e validar a coleta
- 06Organizar o Tag Manager para que a tag certa dispare uma vez
- 07Escrever o contrato de dados que o desenvolvedor consegue implementar
- 08Registrar dimensões personalizadas sem estourar a cardinalidade
- 09Pedir consentimento, ligar o Consent Mode e saber o que a modelagem devolve
- 10Manter a mesma pessoa no relatório entre login, domínios e dispositivos
- 11Provar que o evento chegou certo antes de confiar no relatório
- 12Ler os relatórios nativos com denominador certo e comparação justa
- 13Marcar campanhas com UTM e ler canais sem cair em Direct e Unassigned
- 14Medir busca orgânica e tráfego de assistentes de IA sem superestimar nenhum
- 15Descobrir por que a página cheia de tráfego não produz resultado
- 16Achar onde a jornada perde gente com exploração, segmento e funil
- 17Medir retenção, ativação e valor por coorte em vez de por mês
- 18Construir públicos que a mídia usa e saber quando o preditivo não existe
- 19Instrumentar a loja do view_item ao refund e conciliar com o financeiro
- 20Ligar o clique ao contrato assinado com eventos de lead e CRM
- 21Medir o aplicativo e a assinatura com Firebase sem perder a pessoa entre plataformas
- 22Escolher quais eventos-chave viram conversão no Google Ads e quais só analisam
- 23Explicar por que duas plataformas reivindicam a mesma venda
- 24Importar custo de mídia e comparar plataformas com o mesmo indicador
- 25Planejar orçamento entre canais e separar crédito de causa
- 26Montar o painel executivo dentro do próprio Analytics
- 27Contar o resultado do mês no Data Studio sem multiplicar linhas
- 28Usar Ask Advisor e insights automáticos sem aceitar resposta sem conferir
- 29Ligar a exportação para o BigQuery e entender o que ela não reproduz
- 30Responder às perguntas do negócio em SQL sobre os dados brutos
- 31Enviar do servidor o evento que o navegador não vê, sem duplicar
- 32Automatizar relatório, auditoria e alerta com as APIs do Analytics
- 33Decidir entre Standard e 360 e governar a propriedade como ativo da empresa
- 34Diagnosticar os onze problemas clássicos do GA4 com método
- 35Entregar o projeto de mensuração e manter a rotina que o conserva