NotebookLM para criar conteúdo · Capítulo 15 de 28 · 18 min
Direitos, dados pessoais e divulgação de conteúdo sintético
Você preenche, para cada peça, os campos de direitos e divulgação: de quem é cada material, quem precisa consentir, como declarar o que a IA gerou e qual acessibilidade acompanha a publicação.
Este capítulo faz parte do curso gratuito NotebookLM para criar conteúdo.
Antes de publicar uma peça feita com o NotebookLM, você precisa responder por escrito a um conjunto de perguntas que vira uma ficha de seis campos: de quem é cada material que entrou nela, se alguma pessoa real precisa consentir, o que foi gerado por IA, como o público vai saber disso, como quem não enxerga ou não ouve vai acessar o conteúdo e qual regra a plataforma de destino impõe. A peça pode estar fiel às fontes e revisada, e ainda assim criar problema se usou um PDF que você não podia republicar, a voz de alguém sem autorização ou dados de alunos que nunca deveriam ter entrado no notebook.
No fim deste capítulo, você terá uma ficha por peça com os campos de direitos e divulgação preenchidos: situação de direitos de cada material, necessidade e prova de consentimento, texto de divulgação de conteúdo sintético com o lugar onde ele aparece, texto alternativo ou transcrição, e a regra da plataforma de destino. Esses campos entram no registro do gate de curadoria no capítulo 16. Este capítulo organiza decisões; ele não substitui orientação jurídica quando o caso tiver risco real.
Antes de começar
0/4Dois termos entram agora. Consentimento é a autorização livre, informada e registrada que uma pessoa dá para que a voz, a imagem, o nome ou os dados dela sejam usados numa finalidade específica. Ele vale para aquela finalidade: a autorização para gravar uma aula interna não cobre publicar um corte dessa aula numa rede social. Divulgação (disclosure, no termo em inglês das plataformas) é a declaração pública de que uma peça, ou parte dela, foi gerada ou alterada por IA, feita no lugar em que o público consome a peça e com precisão sobre o que foi gerado.
A lógica do capítulo é aplicar essas duas ideias a cada tipo de mídia. Um Audio Overview tem vozes sintéticas; um Video Overview tem narração, imagens geradas e marca d'água; um infográfico tem texto renderizado por modelo de imagem, que erra microtexto. Cada formato pede uma combinação diferente de direitos, divulgação e acessibilidade, e a ficha registra essa combinação.
Direitos e cuidados por tipo de mídia
| Tipo de material | O que verificar | Risco típico | Decisão mínima antes de publicar |
|---|---|---|---|
| Fonte de terceiros (PDF, livro, artigo, apostila) | Se a licença permite republicar trechos, além de estudar o material. | Republicar trecho extenso ou transcrição de material protegido. | Classificar a fonte (referência interna, citação curta, licença, autorização ou não usar) e citar a autoria. |
| Ebook do Play Books como fonte | Se o download das peças do notebook ficou bloqueado. | Peça derivada de obra comprada para uso pessoal. | Tratar como referência interna; publicar só o que tiver outra base de direitos. |
| Áudio gerado (Audio Overview) | Vozes sintéticas, trechos lidos literalmente das fontes, menção a pessoas reais. | Público entender as vozes como pessoas reais falando. | Divulgação no episódio e na descrição, transcrição publicada junto. |
| Vídeo gerado (Video Overview) | Narração, imagens geradas, marca d'água do produto, texto na tela. | Remover a marca à mão ou publicar imagem realista sem rótulo. | Divulgação, legenda e transcrição; marca mantida ou removida pela opção do plano. |
| Slides e infográficos | Texto renderizado como imagem, números e rótulos. | Microtexto errado que o leitor de tela não percebe. | Texto alternativo que traz os números corretos e revisão factual registrada. |
| Voz, imagem ou dado de pessoa real | Quem aparece, se consentiu e para qual finalidade. | Uso de voz ou rosto sem autorização; exposição de dados pessoais. | Autorização registrada para voz e imagem, base legal registrada para dados, ou remoção; minimização dos dados. |
- Referência interna: o material ajuda você a entender o tema e não aparece na peça publicada. É o uso mais seguro para fontes sem licença clara.
- Citação curta com atribuição: um trecho breve, com autor e origem, inserido para comentar ou sustentar uma afirmação. A Lei 9.610/1998 regula os direitos autorais no Brasil e é a referência para esse uso.
- Reutilização por licença: a fonte declara uma licença que permite o uso pretendido; guarde o endereço da licença e cumpra o crédito exigido.
- Pedido de autorização: quando a peça precisa de trecho extenso, imagem ou gráfico de terceiro sem licença compatível, peça autorização por escrito antes de publicar.
- Não usar: material de origem incerta, vazado ou com restrição explícita fica fora do notebook que gera peças públicas.
Pessoa real na peça muda o que precisa existir antes da publicação
A decisão vale para qualquer formato. A saída indica o que a ficha precisa registrar antes de a peça seguir para o gate.
- não há pessoa real, só vozes e imagens sintéticas genéricasDivulgação de conteúdo sintético
Registrar a origem por IA e publicar a divulgação no lugar em que o público consome a peça.
- há nome ou dado de pessoa real nas fontes ou na peçaMinimizar ou anonimizar
Remover o que não tem função; se o dado precisa ficar, registrar a base para usá-lo.
Decisão humana - há voz ou imagem de pessoa real, gravada ou imitadaConsentimento registrado
Autorização para a finalidade específica, com data e forma. Sem ela, a peça não segue.
Decisão humana - a pessoa é menor de idadeAutorização dos responsáveis e da escola
Cuidado redobrado com dados e imagem; prefira exemplos fictícios em exercícios.
Decisão humana
Dados pessoais pedem uma regra simples antes de qualquer upload. A LGPD (Lei 13.709/2018) regula o tratamento de dados pessoais no Brasil, e subir uma planilha de clientes, avaliações de alunos ou conversas de atendimento para gerar uma peça já é tratamento. Antes de adicionar a fonte, aplique a minimização: se o dado identifica alguém e não tem função na peça, retire; se o exemplo funciona com dado fictício, use o fictício; se o dado é sensível, ele fica fora de exercício comum; se é de terceiro, peça autorização ou remova.
A privacidade do próprio produto também entra na ficha. Segundo a Central de Ajuda, em contas pessoais os dados não são usados para treinar o Gemini Notebook, salvo quando a pessoa envia feedback; nesse caso, o contexto da interação pode ser revisado, e o feedback revisado por pessoas é retido por até três anos, desvinculado da conta. Em Workspace e Workspace for Education, uploads, perguntas e respostas não são revisados por pessoas nem usados para treinar modelos, mesmo com feedback. Quem trabalha com material sensível numa conta pessoal deve evitar o botão de feedback nesses notebooks.
Voz e imagem de pessoas reais têm proteção própria: o Código Civil trata dos direitos da personalidade, que incluem a imagem. Usar a foto de um ex-aluno numa capa de episódio, mesmo com o conteúdo correto, exige consentimento para essa finalidade e divulgação de que o restante é sintético.
Para dados pessoais, o consentimento é uma das bases legais que a LGPD admite, e não a única. A ficha registra a finalidade e a base legal escolhida; quando a base for o consentimento, ele precisa ser específico e comprovável.
Preencha a ficha de direitos e divulgação de uma peça
Passo 1: Liste os materiais que compõem a peça
Escreva a peça principal (por exemplo, o Video Overview baixado em MP4) e tudo o que vai junto: capa, miniatura, legenda, transcrição, trilha, trechos citados. Para cada item, anote se ele saiu do NotebookLM, de uma ferramenta local ou foi escrito por uma pessoa.
Deu certo quando: Uma lista com cada material e a origem dele.
Erro comum: Registrar só o vídeo e esquecer a miniatura feita com imagem de banco sem licença.
Passo 2: Marque a situação de direitos de cada material
Use cinco valores que permitem seguir: própria, licenciada, domínio público, autorização específica ou citação curta com atribuição, sempre com autoria, origem e justificativa. Para licenciada, cole o endereço da licença e o crédito exigido. Se nenhuma condição puder ser confirmada, o material não entra na peça publicada. Volte à tabela de fontes e confira se algum trecho publicado vem de fonte classificada como referência interna.
Deu certo quando: Nenhum material está com situação desconhecida.
Erro comum: Considerar “estava na internet” como licença. Acesso público não autoriza republicar.
Passo 3: Decida sobre consentimento
Aplique a figura de decisão sobre pessoa real. Se há voz ou imagem de alguém, registre quem autorizou, para qual finalidade, em que data e de que forma (e-mail, termo assinado). Se há nome ou dado pessoal, registre a finalidade e a base legal; quando a base for o consentimento, registre-o do mesmo jeito. Se não há pessoa real, registre “não necessário” com o motivo.
Deu certo quando: O campo de consentimento diz “obtido”, com prova, outra base legal registrada para dado pessoal, ou “não necessário”, com motivo.
Erro comum: Deixar o campo em branco. Ausência de registro equivale a consentimento faltando.
Passo 4: Escreva a divulgação e escolha onde ela aparece
Redija uma frase específica: o que foi gerado por IA, a partir de quais fontes, e o que uma pessoa revisou. Decida os lugares: descrição do vídeo, shownotes do episódio, primeira fala ou cartela do vídeo, legenda do post.
Deu certo quando: A frase de divulgação está escrita e associada a cada lugar de publicação.
Erro comum: Usar só “feito com IA” no rodapé do site, longe de onde o público ouve ou assiste.
Passo 5: Prepare a acessibilidade
Para imagem, corrija ou regenere antes os rótulos e números errados; o texto alternativo traz os números e rótulos conferidos, mas não conserta o que continua visível. Para áudio, publique a transcrição. Para vídeo, publique legenda e transcrição e escolha um quadro de capa.
Deu certo quando: Cada material visual ou sonoro tem a sua alternativa em texto, conferida.
Erro comum: Gerar o texto alternativo a partir da imagem com erro e copiar o erro para o leitor de tela.
Passo 6: Confira a regra da plataforma de destino
No YouTube, verifique se a peça tem conteúdo alterado ou sintético realista e use o rótulo de divulgação no envio. Em outras plataformas, procure a política de conteúdo gerado por IA. Anote a regra e a data em que você a leu.
Deu certo quando: A ficha diz qual regra vale no destino e como a peça a cumpre.
Erro comum: Supor que a regra de uma plataforma vale para todas.
No fim você tem: Uma ficha por peça com materiais e origens, situação de direitos, consentimento, divulgação com lugar, acessibilidade e regra da plataforma, pronta para entrar no registro do gate.
Confira o seu artefato: uma ficha de direitos e divulgação por peça, com seis campos preenchidos (situação de direitos de cada material, consentimento com prova ou motivo, origem por IA, divulgação com o texto e os lugares, acessibilidade conferida e regra da plataforma com a data da leitura). Se algum campo está em branco ou “desconhecido”, a peça ainda não pode seguir para o gate.
Divulgação e texto alternativo, do genérico ao útil
Genérico
Evitar
- Rodapé do site: “Conteúdo feito com IA.”
- Divulgação só na página, nada no episódio nem na descrição.
- Texto alternativo: “Infográfico sobre limites de uso.”
- Texto alternativo copiado do rótulo errado da imagem.
- Marca d'água do vídeo borrada para parecer produção própria.
Útil
Adotar
- Na descrição: “Vozes e roteiro gerados pelo NotebookLM a partir de três fontes listadas abaixo; conteúdo conferido por uma pessoa antes da publicação.”
- Uma linha no episódio e a nota na descrição de cada plataforma.
- Texto alternativo com a tese e os números: o que a imagem afirma, em uma ou duas frases.
- Números do texto alternativo conferidos na fonte original.
- Marca mantida, ou removida pela opção que o plano oferece.
A coluna da direita troca uma declaração vaga por informação que o público pode usar. Sobre a obrigação legal, os materiais de pesquisa deste curso não confirmam, em outubro de 2026, uma regra brasileira geral que obrigue a rotular todo conteúdo gerado por IA. Existem, porém, regras de plataforma: o YouTube pede divulgação de conteúdo alterado ou sintético realista, e o Google mantém uma política de usos proibidos para IA generativa. A pesquisa da esteira do caso real registra que, até maio de 2026, não havia exigência legal formal para podcasts e que a boa prática é uma linha no primeiro episódio e uma nota na descrição.
A marca d'água tem regra própria. O Video Overview sai com a marca do produto em todos os quadros. A página de planos indica que a remoção da marca visível existe nos planos AI Pro e AI Ultra e não existe para quem usa a conta sem plano (Standard, na página de ajuda) ou com AI Plus, com uma ressalva: quem mora na Índia, na Coreia do Sul ou no Vietnã recebe a marca automaticamente. Remover, borrar ou cobrir a marca na edição é outra coisa e fica vetado na esteira.
O texto alternativo é onde a acessibilidade e a fidelidade se encontram. Como o infográfico e o slide saem como imagem e o modelo de imagem erra microtexto, o texto alternativo precisa transmitir a informação conferida, e não copiar o erro. Ele não substitui a correção da imagem: antes de publicar, corrija ou regenere rótulos e números errados; se a imagem ficar imperfeita por decisão editorial, deixe a correção visível também para quem vê a peça, numa legenda, e registre a limitação na ficha. A esteira separa três camadas como meta de acessibilidade: texto alternativo curto, descrição longa e um resumo de 80 a 120 palavras para peças densas.
Educadores com alunos menores: no Workspace for Education, o Gemini Notebook está disponível para todas as idades, mas Cinematic, estilos visuais de vídeo, slides, infográfico, Deep Research, parte dos relatórios interativos e a conversa por voz ao vivo exigem 18 anos ou mais. Planeje a aula com o professor gerando essas peças e os alunos consumindo o resultado, e mantenha dados e imagem de alunos fora das fontes.
Exemplo resolvido, do caso real. Em 13/07/2026, a esteira publicou quatro infográficos gerados no NotebookLM no guia público da Brasil GEO, com derivados web e um podcast. A primeira decisão foi sobre direitos: as fontes eram documentos da própria equipe e o guia público, material que, na ficha deste capítulo, corresponde à situação própria. Não havia pessoa real nas peças, então o consentimento foi registrado como não necessário.
A segunda decisão foi sobre divulgação: o registro do ciclo diz “disclosure de IA declarado” para os quatro infográficos e o podcast. O registro não anota o lugar exato do aviso, só os canais de publicação (a página do guia e o feed do podcast); na ficha deste capítulo, isso contaria como campo incompleto. A terceira foi sobre acessibilidade, e é a mais instrutiva. O registro anota que o microtexto renderizado pela IA tinha imperfeições e que o texto alternativo, revisado por uma pessoa, corrige esses pontos. A imagem foi publicada com as imperfeições leves, e a versão correta do conteúdo chegou ao leitor de tela. Quem enxerga a imagem continuou vendo as imperfeições, um limite que a ficha de hoje registraria como decisão editorial explícita.
Duas semanas depois, em 28/07/2026, a esteira tomou outra decisão do mesmo campo: publicar os Video Overviews com a marca d'água do produto, sem gastar ciclo recortando ou borrando. O registro da decisão faz uma ressalva que vale guardar: a autorização era de acabamento, e a verificação factual continuou obrigatória.
Variação: no mesmo 13/07, a esteira publicou carrosséis montados localmente, sem modelo de imagem (o capítulo 21 mostra como), com o texto escrito pelo próprio arquivo e não desenhado pela IA. O texto saiu exato, e o texto alternativo deixou de corrigir erros para apenas descrever. Se uma peça usasse a voz clonada de uma pessoa real, nenhuma dessas decisões bastaria: a ficha exigiria consentimento registrado antes de qualquer outro campo.
Avalie o rascunho em três pontos. Primeiro, a divulgação diz o que foi gerado com a mesma precisão do campo de origem por IA da ficha; frases que exageram a revisão humana (“totalmente verificado”) ou que escondem a geração (“produção da equipe”) precisam ser reescritas. Segundo, cada número do texto alternativo bate com a fonte, e não com a imagem. Terceiro, todo [CONFIRMAR] foi resolvido por você antes da publicação. O rascunho economiza digitação; a responsabilidade pelo texto final continua com quem aprova.
Verificação rápida
Uma professora quer gerar um vídeo com a voz sintetizada de um colega aposentado, imitada a partir de gravações antigas de aula, para narrar um conteúdo correto e revisado. O que precisa existir antes da publicação?
Verificação rápida
O infográfico aprovado traz “Fontes por notebok: 5O” num rótulo pequeno, e a fonte diz 50 fontes no plano gratuito. Você vai publicar a imagem sem regenerar. Como fica o texto alternativo?
Perguntas frequentes deste capítulo
Preciso avisar que um podcast feito com o NotebookLM usa vozes de IA?
Posso colocar no NotebookLM dados de clientes ou de alunos para gerar exemplos?
Professores podem usar o NotebookLM com turmas de menores de idade?
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