MCP para quem decide · Capítulo 2 de 21 · 20 min
Descobrir quem executa, quem autoriza e quem paga a conta
Quando o time avisa que integrou a inteligência artificial ao ERP, uma pergunta sobre credencial revela se o log ainda identifica quem agiu.
Este capítulo faz parte do curso gratuito MCP para quem decide.
Uma integração mal desenhada deixa a empresa sem resposta no dia em que um pedido errado aparece no ERP. O gerente comercial gasta parte do dia relançando pedido do e-mail para o sistema. O CTO propõe um agente, o projeto é aprovado e, três semanas depois, chega a mensagem: integramos. A palavra é confortável e descreve pouco, porque cobre arranjos com perfis de risco bem diferentes.
Qual desses arranjos você tem na mão depende de uma pergunta curta: de quem é a credencial usada quando a ferramenta executa. Se for uma credencial de serviço compartilhada pelo time, o log do ERP registra esse usuário técnico como autor de cada pedido. No dia da investigação, o registro aponta para alguém que não tira férias e não pode ser interrogado.
Integrar significa que passou a existir um programa novo, o servidor, capaz de ler dados e executar ações no sistema de destino, e um aplicativo, o host, onde uma pessoa concede ou nega permissão. Quem responde pelo resultado é a sua empresa: fabricante do assistente, operadora da plataforma e autor do servidor declaram por escrito que a verificação cabe a quem consome.
Por que isso chega à diretoria e não fica com o CTO
A consequência é de compliance antes de ser técnica. Um registro que não identifica quem agiu inviabiliza investigação interna e resposta a requisição de autoridade. Derruba também a evidência que sustenta qualquer alegação de controle. Nenhum desses três problemas se resolve com arquitetura depois do fato.
A tomada, o aparelho e a instalação elétrica
A tomada padronizada permite ligar qualquer aparelho em qualquer parede sem chamar eletricista. O aparelho é o assistente, a parede é o seu sistema e o padrão faz os dois se entenderem. A analogia vale até um ponto: a tomada não decide o que o aparelho faz, não limita a potência e não registra quem o ligou. Isso mora na instalação elétrica da casa, ou seja, na sua empresa.
Quando alguém disser que o protocolo é seguro por desenho, traduza: ele é interoperável por desenho. Segurança é a instalação, e a instalação é sua.
As cinco peças, descritas por responsabilidade
O host é o aplicativo que a pessoa abre. Hospeda a conversa, mostra a ação antes de executar e é o único lugar onde o consentimento pode viver. Cabe a ele pedir aprovação e registrar a decisão.
Dentro do host, cada servidor conectado ganha um cliente próprio. Sete servidores significam sete clientes e sete credenciais no mesmo aplicativo. Cabe ao cliente apresentar a credencial certa ao servidor certo, sem reaproveitar a de um no outro.
Servidor é o programa que expõe as capacidades de um sistema, como o balcão de atendimento daquele sistema. Cabe a ele recusar qualquer credencial que não tenha sido emitida para ele próprio. A especificação trata essa recusa como obrigação normativa.
Já o agente escolhe qual capacidade acionar para cumprir um objetivo. Na prática, não responde por nada: ele age, e a conta recai sobre quem autorizou o que ele pode acionar.
Quanto ao modelo, ele lê e escreve texto e não tem acesso a nada. Todo acesso passa pelas peças acima, distinção que costuma faltar em apresentação de fornecedor.
- Etapa 1 de 7: 1. Pessoa pede
gerente comercial escreve no host: lance este pedido
- Etapa 2 de 7: 2. Host decide
mostra a ação pretendida e pede aprovação
- Etapa 3 de 7: 3. Cliente chama
envia versão, capacidades e a credencial daquele servidor no próprio pedido
- Etapa 4 de 7: 4. Servidor valida
confere que a credencial foi emitida para ele e checa o escopo
- Etapa 5 de 7: 5. Servidor executa
chama a API do ERP em nome de quem autorizou
- Etapa 6 de 7: 6. ERP registra
grava no log o autor da ação e os parâmetros
- Etapa 7 de 7: 7. Host devolve
resultado volta à conversa, com o efeito declarado
Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
Três desenhos de credencial, e o que cada um deixa no registro
| Desenho | Quem o log do sistema de destino identifica | Quem paga a fatura do modelo | O que acontece quando a pessoa é desligada |
|---|---|---|---|
| Credencial de serviço compartilhada, criada pelo time | Um usuário técnico, igual em todas as ações de todas as pessoas | A empresa, no contrato do assistente | Nada. O acesso continua ativo até alguém lembrar de revogar |
| Credencial pessoal obtida por autorização do usuário, com audiência restrita ao servidor | A pessoa que autorizou, ação por ação | A empresa, no contrato do assistente | O acesso caduca quando a credencial expira, e a revogação é feita servidor por servidor |
| Credencial derivada do crachá corporativo, emitida pelo provedor de identidade | A pessoa, com o grupo e o papel dela declarados | A empresa, no contrato do assistente | Cai junto com o crachá, de forma central e imediata |
A terceira coluna é igual nas três linhas de propósito: a fatura do modelo não muda com o desenho de credencial, então custo nunca justifica credencial compartilhada. O desenho do crachá ficou estável em 18/06/2026, virou extensão oficial na revisão 2026-07-28 e é tratado em "Amarrar o acesso do agente ao crachá da pessoa".
Sobre quem paga a fatura do modelo, existe uma exceção que vale reconhecer quando o argumento aparecer. O protocolo tinha um recurso, chamado Sampling, em que o servidor pedia ao aplicativo do usuário que gerasse o texto. Assim o servidor dispensava chave própria de modelo e empurrava a fatura para o outro lado.
Desde 28 de julho de 2026, Sampling está depreciado, com janela mínima de 12 meses antes da remoção. A orientação oficial é integrar direto com a API do fornecedor do modelo. Quem construiu integração apoiada nele vai assumir a chave e a fatura; as datas estão em "Ler a data de validade de cada recurso".
A pergunta de responsabilidade tem resposta escrita, pública e datada, e ela surpreende muitos comitês. As empresas que aparecem numa integração típica declaram, cada uma no próprio material, que a verificação do servidor é obrigação de quem consome.
Na Anthropic, a documentação corporativa é a mais explícita. A empresa revisa conectores contra os próprios critérios de listagem antes de incluí-los no diretório. No mesmo trecho, diz literalmente que "doesn't security-audit or manage any MCP server": não audita a segurança nem gerencia servidor MCP algum. Estar listado atesta conformidade com a política de listagem.
Do lado da OpenAI, a página do modo desenvolvedor do ChatGPT descreve o recurso como destinado a quem sabe configurar e testar aplicativos com segurança. Alerta para injeção de instrução, para servidores maliciosos que tentam roubar informação e para erros do modelo em ações de escrita que podem destruir dados.
Para levar a compras, a tabela de responsabilidade compartilhada dos túneis MCP da Anthropic, publicada em 19 de maio de 2026, é a mais útil. Do lado da fornecedora ficam o controle de acesso ao túnel e a validação de certificado. Do lado da sua organização ficam conteúdo, tráfego, proteção das credenciais, chaves privadas, renovação de certificado e autorização em cada servidor.
Há ainda a questão de onde o dado passa. Em setembro de 2026, o conector MCP da API do Claude segue em beta. Não está disponível no Bedrock nem no Google Cloud e não é elegível a retenção zero de dados. Empresa com contrato de retenção zero precisa saber disso antes de ligar o conector.
A mesma integração, contada por quem responde
Desenho que apaga o autor da ação
evitar
- Uma credencial de serviço criada pelo time e usada por todas as pessoas
- O servidor aceita qualquer credencial que chegue e a repassa ao sistema de destino
- A tela de consentimento pertence ao fornecedor, e a empresa não tem registro da aprovação
- Revogar acesso exige lembrar de cada servidor, um por um
- No log do ERP, cinquenta pessoas produzem um único autor
Desenho que sustenta investigação
recomendado
- Cada acesso deriva da identidade da pessoa, com grupo e papel declarados
- O servidor recusa credencial que não tenha sido emitida para ele próprio
- O consentimento acontece no host, e a decisão fica registrada com quem aprovou e quando
- Revogar acesso é desligar o crachá, de forma central
- No log do ERP, cada ação tem um autor humano identificável
O antipadrão tem nome na especificação e é o item mais barato de conferir numa homologação: o servidor aceita credenciais que não foram emitidas para ele e as repassa à API seguinte. O texto normativo proíbe isso. Entre os riscos listados estão contornar controles de audiência e perder a rastreabilidade, porque o sistema seguinte registra uma origem diferente da real. A revisão 2026-07-28 reforçou a regra: o cliente valida o emissor informado e não reaproveita credencial com outro servidor de autorização.
Sobre por onde as mensagens trafegam, duas linhas bastam agora. O protocolo define dois caminhos: comunicação local, quando o servidor roda na máquina da pessoa, e Streamable HTTP, quando o servidor é remoto. O antigo transporte HTTP+SSE está depreciado. O detalhe de custo fica em "Calcular o que a infraestrutura obriga a manter ligado"; servidor local roda com os privilégios de quem o chamou, sem barreira automática.
Três fornecedores responderam ao mesmo pedido: lançar pedido de venda no ERP a partir de mensagem de cliente, com o agente operando dentro do aplicativo que o time comercial já usa. Fornecedor A: o servidor roda na nuvem dele e usa um usuário técnico do ERP criado pela TI da rede, com perfil de lançamento de pedidos; a rede fornece a senha uma vez. Fornecedor B: cada vendedor autoriza o acesso na primeira utilização, gerando credencial individual restrita ao servidor, com escopo de leitura de cadastro e criação de pedido. Fornecedor C: o servidor aceita a mesma credencial que o aplicativo do assistente já possui e a encaminha ao ERP e ao CRM, o que ele vende como integração unificada.
Qual das três descrições deixa a credencial corporativa exposta, e qual é a justificativa que se sustenta no log?
Conectar CRM ou ERP a um assistente com segurança
Seis passos para a primeira conexão de um sistema crítico. Cada passo tem dono e critério de conferência; sem o critério cumprido, o passo seguinte não começa.
Passo 1: Nomeie o dono do sistema e o dono da integração
O dono do CRM ou do ERP responde pelo dado; o dono da integração responde pelo servidor. Prazo: antes de qualquer teste.
Deu certo quando: Dois nomes com cargo registrados na ficha do projeto.
Erro comum: Deixar o fornecedor ocupar o papel de dono da integração.
Passo 2: Exija credencial derivada da pessoa, nunca usuário técnico compartilhado
Peça por escrito o desenho de credencial e quem aparece no log do sistema de destino. O dono da integração responde em até cinco dias úteis.
Deu certo quando: O log de teste mostra o nome do vendedor que pediu, ação por ação.
Erro comum: Aceitar credencial de serviço provisória que vira permanente.
Passo 3: Confirme que o servidor recusa credencial alheia
Na homologação, o time apresenta ao servidor uma credencial emitida para outro destino e registra a resposta.
Deu certo quando: O servidor recusa a chamada e o evento aparece no registro.
Erro comum: Dar o teste por feito com base em declaração do fornecedor.
Passo 4: Comece com escopo de leitura e uma única escrita
Libere consulta de cadastro e, no máximo, criação de pedido, com aprovação humana no host. O dono do sistema assina o escopo.
Deu certo quando: Lista de capacidades liberadas com, no máximo, uma que altera estado.
Erro comum: Liberar o catálogo inteiro na primeira conexão para ganhar tempo.
Passo 5: Confira onde o dado passa e o que o contrato cobre
Verifique a revisão do protocolo implementada, a região do servidor e se o contrato de retenção de dados alcança o conector. Jurídico confere em até dez dias.
Deu certo quando: String de revisão e política de retenção citadas na minuta.
Erro comum: Supor que a retenção zero do contrato principal vale para o conector.
Passo 6: Teste o desligamento antes de ir a produção
Desative a conta de um vendedor de teste e meça quanto tempo o acesso do agente leva para cair.
Deu certo quando: Acesso bloqueado no mesmo dia, com o evento registrado.
Erro comum: Descobrir o procedimento de revogação só no primeiro desligamento real.
No fim você tem: Uma conexão em produção em que cada ação no CRM ou no ERP tem autor humano identificável, escopo assinado e revogação testada.
Material para o time técnico: formato de mensagem, ciclo de requisição e bibliotecas
Qual é o formato das mensagens?
JSON-RPC, padrão antigo e simples, com requisição, resposta e notificação. Cada requisição carrega identificador, método e parâmetros; a resposta traz o mesmo identificador e um resultado ou um erro. Gateway, proxy e ferramenta de observabilidade que a empresa já opera conseguem trabalhar com esse tráfego.
Como fica o ciclo de uma requisição na revisão 2026-07-28?
Sem abertura de sessão. Saíram o aperto de mão initialize e o cabeçalho Mcp-Session-Id. Versão do protocolo e capacidades do cliente viajam em _meta a cada requisição, nas chaves io.modelcontextprotocol/protocolVersion e io.modelcontextprotocol/clientCapabilities. O servidor é obrigado a implementar server/discover para anunciar versões, capacidades e identidade. Divergência de versão devolve UnsupportedProtocolVersionError.
Por que os cabeçalhos Mcp-Method e Mcp-Name importam para a infraestrutura?
Porque permitem rotear, filtrar e limitar taxa sem abrir o corpo da mensagem. A revisão 2026-07-28 os exige nas requisições POST do Streamable HTTP. Junto com a convenção de contexto de rastreamento do OpenTelemetry em _meta, o protocolo passou a ser desenhado para o data center. Cuidado: valor promovido a cabeçalho fica visível a intermediários, então senha, chave de API e dado pessoal não devem ir para lá.
Quais bibliotecas o time deve usar?
As de primeiro nível (TypeScript, Python, Go e C#) já foram atualizadas para a revisão 2026-07-28; a de Rust está em beta. Fixe a versão exata no projeto e registre no catálogo aprovado qual revisão cada servidor fala. As linhas antigas continuam funcionando com a 2025-11-25, mas projeto novo deve nascer na revisão vigente.
O que mudou na autorização?
O cliente valida o emissor (iss, RFC 9207) antes de trocar o código de autorização, guarda credenciais indexadas pelo emissor e não as reaproveita com outro servidor de autorização. O registro dinâmico de cliente (RFC 7591) foi depreciado em favor de Client ID Metadata Documents.
# Campos que viajam em cada requisição desde a revisão 2026-07-28
_meta:
io.modelcontextprotocol/protocolVersion # a string da revisão
io.modelcontextprotocol/clientCapabilities # o que o cliente sabe fazer
io.modelcontextprotocol/clientInfo # quem é o cliente (recomendado)
# Chamada obrigatória do servidor
server/discover # versões, capacidades e identidade
# Cabeçalhos exigidos nas requisições POST do Streamable HTTP
Mcp-Method # permite rotear sem inspecionar o corpo
Mcp-Name # permite filtrar e limitar taxa por operação
# O que saiu
initialize / notifications/initialized
Mcp-Session-Id
Last-Event-ID (retomada de stream)As perguntas de uma página para o dono da integração
O que passou a existir
0/3De quem é a credencial
0/5O que sobra no registro
0/3Quem responde
0/4Peça hoje ao dono da integração mais avançada da empresa um extrato de dez linhas do log do sistema de destino, gerado por ações do agente. Confira em cinco dias úteis se cada linha traz o nome de uma pessoa, e não de um usuário técnico. Se alguma linha trouxer usuário compartilhado, suspenda novas escritas daquele servidor até a credencial passar a derivar da pessoa.
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- 02Descobrir quem executa, quem autoriza e quem paga a conta
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