MCP para quem decide · Capítulo 3 de 21 · 22 min
Medir o grau de poder de cada servidor
Separe leitura, escrita e roteiro numa escala de poder e concentre a aprovação humana nas poucas capacidades que alteram o sistema.
Este capítulo faz parte do curso gratuito MCP para quem decide.
Aprovar em bloco uma lista de trinta e quatro capacidades é assinar um cheque sem ler o valor. O pedido que chega hoje traz nomes técnicos e uma coluna chamada descrição. Ninguém na sala consegue dizer quais itens alteram algo no ERP, e a pergunta instintiva do comitê, se é seguro, não tem resposta nessa forma.
A pergunta que tem resposta cabe em três partes: o que é leitura, o que é escrita e quando uma pessoa da casa precisa autorizar. Reordenada por grau de poder, a lista costuma virar vinte e poucas leituras e meia dúzia de escritas. As leituras pedem conversa sobre confidencialidade; as escritas pedem aprovação item a item.
Um servidor expõe três tipos de coisa. Recurso é leitura, e o risco dele é vazamento. Ferramenta é ação com efeito no mundo, e o risco dela é dano. Roteiro é um modelo de pedido acionado de propósito, e o risco dele é confusão. A pessoa entra em dois pontos: na aprovação da ação e no pedido de dado que falta no meio da operação.
Por que essa separação não vem pronta
Quem publica o servidor escolhe como agrupar as capacidades, e juntar leitura e escrita na mesma capacidade sai mais barato de construir. Existe critério publicado que proíbe isso em processo de listagem, apresentado mais adiante neste capítulo. Enquanto o fornecedor não o cumprir, a separação é trabalho da sua equipe.
Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
Recurso, o grau da leitura
O servidor publica conteúdo com endereço próprio, como a tabela de preço vigente, a política de crédito ou um contrato, e o agente lê quando precisa. É o grau com melhor relação entre valor e risco, porque não altera nada. Sem ele, alguém cola o documento na conversa à mão, sem controle nem registro.
Leitura, porém, vaza. Um recurso que devolve a tabela de preço por cliente entrega a política comercial inteira a quem tiver acesso à conversa. Aprove leitura por classificação de dado, como a empresa já faz com relatório. Se o dado exigiria pedido formal para um analista, exige pedido formal para o agente.
Ferramenta, o grau da ação
O servidor publica capacidades que fazem algo: criar pedido, alterar limite de crédito, cancelar entrega, disparar mensagem a cliente. É a razão econômica do projeto, porque elimina a transcrição, onde nascem erro e atraso. Cada ferramenta declara os campos que aceita, e as bem construídas declaram também a forma do que devolvem.
Nada no protocolo distingue escrita reversível de irreversível; quem declara isso é o próprio servidor. O erro mais caro é aceitar capacidade genérica, com o método passado por parâmetro. Ela equivale a todas as ferramentas ao mesmo tempo. Toda escrita passa por aprovação nominal, com teto quando envolve valor e versão fixada no catálogo.
Roteiro, o grau do padrão
O servidor publica um modelo de pedido pronto, que a pessoa aciona de propósito, como um modelo de e-mail salvo. Padroniza a forma de pedir e reduz a variação de resultado entre pessoas que fazem a mesma tarefa. É o grau mais barato de governar, porque exige acionamento humano e não executa nada sozinho.
Justamente por não ter poder sobre sistemas, roteiro não substitui controle algum; apresentado como controle de segurança, é confusão de categoria. Cuidado também ao contar itens: confundir roteiro com ferramenta infla ou esvazia a lista do que precisa de aprovação. Aprove roteiros por padrão e revise junto com o conteúdo interno.
Os graus de poder, na escala de quem aprova
| Grau | Poder que concede | O que dá para auditar | Quem precisa autorizar |
|---|---|---|---|
| Recurso (leitura) | Ver conteúdo que o servidor publica, sem alterar nada | Qual endereço foi lido, quando e por qual conversa | Quem já responde pela classificação daquele dado |
| Roteiro (padrão de pedido) | Nenhum sobre sistemas. Formata o pedido de quem aciona | Qual roteiro foi acionado e por quem | Ninguém além do dono do conteúdo interno |
| Ferramenta de leitura consultiva | Consultar sob demanda, com parâmetros que a pessoa não escreveu | Parâmetros usados na consulta e volume de chamadas | Dono do sistema consultado, uma vez, por escopo |
| Ferramenta que altera estado | Criar, alterar ou remover registro no sistema de destino | Autor, parâmetros, resultado e a aprovação que precedeu | Aprovação nominal por execução, com dono declarado |
| Ferramenta irreversível ou com efeito financeiro | Efeito que não se desfaz: pagamento, cancelamento, envio a cliente | Tudo do grau anterior, mais o teto de valor e o registro do teto | Aprovação nominal com teto declarado e alçada compatível |
As duas últimas linhas consomem reunião. As três primeiras se resolvem com política escrita uma vez e revisada por trimestre.
A correção mais importante deste capítulo aparece errada com frequência em arquitetura de fornecedor. As anotações que a ferramenta carrega sobre si mesma, como somente leitura ou destrutiva, seguem na revisão 2026-07-28 e não estão na lista de depreciados. A especificação manda o cliente tratá-las como não confiáveis, salvo quando vierem de servidor confiável. Quem escreve a anotação é o próprio servidor, sem verificação de ninguém. Usá-la como portão de segurança é erro: o controle mora no aplicativo, com aprovação humana.
Controle que parece controle e controle que é controle
O que não segura nada
aparência de controle
- A ferramenta se declara somente leitura, e o sistema confia na declaração
- A ferramenta se declara não destrutiva, e a execução passa sem aprovação
- A política interna cita a marca de risco como critério de liberação automática
- A lista de capacidades é aprovada em bloco, pelo nome do servidor
- A aprovação acontece só na chamada da ferramenta, e não na conexão ao servidor
O que segura
controle efetivo
- O aplicativo mostra a ação pretendida com os parâmetros e espera uma pessoa aprovar
- Leitura e escrita são capacidades separadas, exigência de processo de listagem
- A liberação depende de classificação de dado e de alçada, não de marca declarada pelo servidor
- Cada capacidade é aprovada individualmente, com versão fixada no catálogo
- A conexão ao servidor exige autorização, porque a lista de capacidades entra no contexto antes de qualquer chamada
Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
O segundo ponto de parada tem nome no protocolo e uma história curta que ensina bastante. Entrou na revisão de 18 de junho de 2025 como a capacidade de o servidor pedir entrada humana no meio da operação, em vez de falhar ou adivinhar. Em 25 de novembro de 2025 ganhou modo por endereço, listas de opção com rótulo legível e valores padrão.
Na prática, a aprovação humana vira parte da operação. O agente começa a lançar o pedido, descobre que o cliente tem duas condições de pagamento cadastradas e para para perguntar qual, com as duas opções na tela. É a diferença entre um agente que erra sozinho e um que devolve a decisão a quem tem alçada.
O que mudou em 28 de julho de 2026
O mecanismo continua e o canal mudou. O servidor não chama mais o aplicativo de volta. Devolve um resultado do tipo input_required, que declara o que falta, e o aplicativo repete o pedido com a resposta. Fornecedor que prometeu interação no meio da chamada precisa comprovar que já migrou. Prazos em "Ler a data de validade de cada recurso".
A parada humana, revisão por revisão
- 18/06/2025Concluído
O pedido de entrada humana entra na especificação
Formalizado na revisão 2025-06-18. O servidor passa a poder interromper a operação para pedir dado ou confirmação.
- 25/11/2025Concluído
Ampliação em três frentes
Modo por endereço (SEP-1036), listas de opção com rótulo legível e seleção múltipla (SEP-1330) e valores padrão em campos simples (SEP-1034).
- 28/07/2026Concluído
Muda o canal, não a função
Pedidos de várias idas e voltas (SEP-2322) substituem as requisições iniciadas pelo servidor. O identificador de correlação criado em novembro de 2025 sai, depois de oito meses de vida.
- 26/09/2026Agora
Estado de hoje
A revisão vigente é a 2026-07-28. Servidores que ainda falam 2025-11-25 usam o canal antigo e têm migração pendente.
Guarde o caso do campo que viveu oito meses. Ele entrou na especificação em novembro de 2025 e saiu em julho de 2026. É argumento pronto para duas situações: quando alguém propõe apoiar processo crítico num recurso recém-chegado, porque constar da especificação não garante estabilidade; e quando o contrato precisa exigir a revisão atendida em vez de menção genérica ao protocolo.
Saída estruturada é assunto de auditoria, embora costume ser vendida como refinamento técnico. Uma ferramenta bem construída declara a forma do que devolve, e o resultado volta em campos verificáveis contra essa declaração. Com isso, o registro guarda número de pedido, valor e status, cada um no campo próprio, e a conferência é automática.
Sem saída estruturada, o registro guarda um parágrafo de texto livre, e conferir cinquenta lançamentos vira leitura humana de cinquenta parágrafos. A revisão 2026-07-28 ampliou o que essas declarações podem expressar, com limites contra declaração que consome recurso demais. Ligações para documento dentro do resultado seguem ativas, o que evita carregar o documento inteiro na conversa.
Um critério publicado custa quinze minutos de leitura e derruba proposta ruim antes da reunião técnica. São as regras de pré-submissão que a Anthropic aplica a conectores antes de aceitá-los no diretório. Quatro delas servem a qualquer avaliação, seja qual for o assistente que a empresa usa. Desde 25 de setembro de 2026, o portal de submissão também passa conector e plugin por varredura de segurança e revisão.
Primeiro, separar ferramenta de leitura de ferramenta de escrita. Segundo, rejeitar capacidade genérica com o método passado por parâmetro, o cheque em branco. Terceiro, limitar o nome de cada capacidade a 64 caracteres, porque nome comprido esconde a operação real numa lista de trinta itens. Quarto, proibir instrução oculta ou codificada na descrição.
O mesmo processo pede que o servidor declare as marcas de risco, e isso convive com o alerta anterior. Declarar ajuda a ergonomia de quem usa e é exigência de listagem. Confiar na declaração como portão de segurança continua sendo erro.
Aplicar permissões mínimas a um servidor antes de liberá-lo
Cinco passos para transformar uma lista de capacidades em permissão mínima assinada. O dono da integração executa; o dono do sistema de destino assina; você confere o resultado.
Passo 1: Obtenha a lista completa de capacidades em documento
Peça nome, descrição e esquema de entrada e saída de cada capacidade, com a revisão do protocolo que o servidor fala. Prazo: cinco dias úteis.
Deu certo quando: Planilha com uma linha por capacidade e a string de revisão no cabeçalho.
Erro comum: Receber a lista em slide, sem descrição nem esquema.
Passo 2: Classifique cada item em um dos cinco graus
Recurso, roteiro, leitura consultiva, escrita ou escrita irreversível. O dono da integração classifica; o dono do sistema revisa.
Deu certo quando: Toda linha tem grau, e as escritas somam menos de dez ou vêm justificadas.
Erro comum: Usar a marca de risco declarada pelo servidor como classificação.
Passo 3: Desligue tudo o que não serve ao caso de uso
Mantenha ligadas só as capacidades que o processo aprovado exige, usando a lista de permitidas do assistente. Capacidade genérica com método em parâmetro sai sempre.
Deu certo quando: Lista de permitidas configurada e exportada para o catálogo aprovado.
Erro comum: Deixar tudo ligado para não travar o piloto.
Passo 4: Amarre aprovação humana e teto às escritas
Cada escrita exige aprovação no aplicativo; as de efeito financeiro ganham teto em reais e alçada compatível. Financeiro define o teto.
Deu certo quando: Teste em homologação mostra a tela de aprovação antes de cada escrita.
Erro comum: Aprovação configurada só por marca de risco destrutiva.
Passo 5: Revise a lista a cada mudança de versão do servidor
Versão nova pode trazer capacidade nova. O dono da integração avisa antes de atualizar, e o catálogo só aceita a versão revisada.
Deu certo quando: Catálogo com versão fixada e data da última revisão da lista.
Erro comum: Atualização automática que liga capacidade nova sem ninguém ver.
No fim você tem: Um servidor liberado com a menor lista de capacidades que atende ao processo, escritas sob aprovação e teto, e revisão atrelada a cada versão.
Verificação rápida
A lista de um servidor traz seis capacidades: (1) tabela de preço vigente por endereço, (2) consultar saldo de estoque por código de produto, (3) modelo de resposta padrão para cotação, (4) criar pedido de venda, (5) política de crédito em documento, (6) cancelar entrega já faturada. Quais delas são ação com efeito no mundo?
Verificação rápida
O fornecedor responde que a arquitetura é segura porque o cliente lê a marca de risco de cada ferramenta e só pede confirmação nas destrutivas. Qual é a réplica correta?
Material para o time técnico: endereços, esquemas e ferramentas com estado
Como recursos são endereçados?
Por identificador uniforme de recurso, com esquema próprio. O aplicativo lista os recursos, pede um endereço e recebe o conteúdo com o tipo declarado. Há modelos de endereço com parâmetro para famílias de recurso. Desde a revisão 2026-07-28, listagem e leitura exigem os campos ttlMs, tempo de vida em milissegundos, e cacheScope, público ou privado, que controla se intermediário compartilhado pode guardar o conteúdo.
O que exigir na declaração de entrada e de saída de uma ferramenta?
inputSchema e outputSchema no dialeto JSON Schema 2020-12, com o resultado em structuredContent. A revisão 2026-07-28 (SEP-2106) liberou qualquer palavra-chave do dialeto, com requisitos de resolução de $ref e limites de recurso para palavras-chave de composição. Ferramenta sem outputSchema devolve texto livre, e a conferência automática deixa de ser possível. A mesma revisão pede tools/list em ordem determinística, o que ajuda o cache do modelo.
Como devolver documento grande sem estourar o contexto?
Com ligação para recurso dentro do resultado, mecanismo introduzido em 18 de junho de 2025 e ativo na revisão vigente. A ferramenta devolve o apontamento e o aplicativo busca o conteúdo se e quando precisar.
Como manter estado entre chamadas sem sessão no protocolo?
Com identificadores explícitos criados pelo servidor, os handles, passados como argumento comum das chamadas seguintes. O identificador precisa ser opaco. A autorização de quem chama é validada a cada chamada, porque o handle é um nome e não uma permissão; isso impede usar o identificador de outra pessoa. O tempo de vida do handle fica declarado na descrição da ferramenta de criação, com erro informativo quando expira.
O desenho sem sessão impede caso com estado?
Não. Carrinho, cotação e transação em várias etapas continuam possíveis. Muda onde o estado vive e quem autoriza cada chamada. Como a validação passa a ser explícita em cada chamada, a auditabilidade melhora.
// Forma de uma capacidade que se deixa auditar.
// Repare no que a declaração permite conferir sem ler texto livre.
{
"name": "criar_pedido_venda",
"description": "Cria pedido de venda no ERP para cliente já cadastrado.",
"inputSchema": {
"type": "object",
"properties": {
"codigo_cliente": { "type": "string" },
"itens": { "type": "array" },
"condicao_pagamento": { "type": "string" }
},
"required": ["codigo_cliente", "itens", "condicao_pagamento"]
},
"outputSchema": {
"type": "object",
"properties": {
"numero_pedido": { "type": "string" },
"valor_total": { "type": "number" },
"status": { "type": "string" }
},
"required": ["numero_pedido", "valor_total", "status"]
}
}
// O que reprovar em homologação, com o motivo:
// - nome acima de 64 caracteres: esconde a operação real na lista
// - capacidade genérica com o método em parâmetro: aprovação em branco
// - ausência de outputSchema: conferência passa a ser leitura humana
// - instrução oculta na descrição: entra no contexto do modelo sem revisão
// - leitura e escrita na mesma capacidade: impede aprovação por grau de poderGraus de poder aplicados a um servidor que a empresa já usa
Inventário da lista de capacidades
0/4Onde a pessoa entra
0/4O que dá para auditar
0/3O que devolve o pedido para requalificação
0/4Escolha o servidor com mais capacidades ligado hoje na empresa e peça a lista classificada nos cinco graus. Em dez dias úteis, confira dois números: quantas capacidades alteram estado e quantas delas exigem aprovação humana no aplicativo. Se os dois números não forem iguais, suspenda as escritas sem aprovação até a lista de permitidas ser corrigida.
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