Google Ads 2027 · Capítulo 4 de 25 · 10 min
Estruturar conta, nomenclatura e acessos sem perder o controle
Uma conta que qualquer pessoa da equipe lê em cinco minutos, com acessos nomeados, passkey e verificação de anunciante em dia.
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Com a conta de CAC e CPA máximo fechada, o dinheiro vai entrar numa estrutura que alguém montou às pressas há três anos. Campanhas com nomes como "Pesquisa nova 2" e "PMax teste final" convivem com um acesso de agência que ninguém lembra de ter concedido.
O custo dessa bagunça aparece em duas frentes. Na leitura, porque relatório de campanha sem padrão de nome exige abrir cada uma para saber o que mede. Na segurança, porque um acesso esquecido troca orçamento, pausa campanha ou cria anúncio em nome da empresa sem que ninguém perceba na hora.

Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
Estrutura, nomenclatura e acesso são as três decisões que este capítulo fecha. Depois delas, a conta da Aurora Casa passa a caber numa página de documentação, e cada campanha declara no próprio nome o que faz, para quem e com qual meta.
Tipo de conta é a primeira escolha. Uma conta individual basta para um negócio com uma gestora e um domínio. Uma conta de administrador (MCC, a conta que agrupa outras contas e centraliza acesso e faturamento) passa a valer quando há mais de um negócio, uma agência, uma rede de franquias ou operações em vários países.
A vantagem da conta de administrador vai além da organização: ela separa quem gerencia de quem paga. A agência entra na MCC dela e enxerga a conta do cliente, sem que o cliente precise abrir mão da propriedade. Numa franquia, cada unidade fica como subconta com orçamento próprio e relatório consolidado na matriz.
Qual tipo de conta cabe em cada situação
| Situação | Estrutura recomendada | O que ganha | O que exige |
|---|---|---|---|
| Um negócio, uma gestora interna | Conta individual, com uma conta de testes separada | Simplicidade e um único faturamento | Documentação fora da conta, porque não há visão consolidada |
| Um negócio com três linhas (Aurora Casa) | Conta individual dentro de uma MCC própria | Relatório consolidado e acesso da agência sem ceder a propriedade | Padrão de nome que separe as linhas em toda campanha |
| Agência com vários clientes | MCC da agência ligada à conta de cada cliente | Uma senha e um painel para todas as contas | Cliente continua dono; agência sai com um clique quando o contrato acaba |
| Franquia ou rede | MCC da matriz com uma subconta por unidade | Orçamento por unidade e leitura consolidada | Regra de quem edita o quê, escrita antes do primeiro acesso |
| Multinacional | MCC por região, subcontas por país e moeda | Moeda e fuso corretos em cada conta | Nomenclatura em um idioma só para a leitura global |
A conta de testes existe para aprender sem gastar: campanhas pausadas, sem cartão, onde a equipe experimenta configuração.
Arquitetura de campanha é a segunda decisão, e ela responde a uma pergunta: o que precisa de orçamento e meta próprios? Objetivo diferente, margem diferente, região com preço diferente e etapa de funil diferente merecem campanhas separadas. O resto cabe em grupos de anúncios dentro da mesma campanha.
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Idioma deixou de ser um eixo de separação em Pesquisa. O Google anunciou em 13 de agosto de 2026 que a segmentação por idioma sai das campanhas de Pesquisa e AI Max no fim de setembro de 2026; o sistema passa a usar o idioma do anúncio, da página e do usuário. Quem separava campanhas por idioma precisa migrar essa lógica para o criativo e para a página de destino.
Margem é o eixo que mais gente esquece. A Aurora vende decoração com 34 por cento de margem de contribuição e móveis planejados com 26 por cento, tickets de R$ 380 e R$ 28.000. Uma campanha só, com ROAS desejado único, obriga o lance a tratar os dois como se fossem o mesmo negócio, e nenhum dos dois recebe a meta certa.
Nomenclatura é a terceira decisão, e ela vale mais do que parece porque o nome é o único campo que aparece em todo relatório, exportação, script e planilha. Um padrão bom tem blocos fixos, em ordem fixa, separados pelo mesmo caractere. Quem lê o nome sabe linha de negócio, tipo de campanha, objetivo e região sem abrir nada.
- Etapa 1 de 5: Linha
DECOR, PLAN ou SHOW: a linha de negócio, que define margem e meta
- Etapa 2 de 5: Tipo
PESQ, PMAX, DGEN ou SHOP: o tipo de campanha do Google
- Etapa 3 de 5: Objetivo
VENDA, LEAD ou VISITA: qual conversão primária alimenta o lance
- Etapa 4 de 5: Região
CWB, PR ou BR: onde o anúncio pode aparecer
- Etapa 5 de 5: Sufixo
MARCA, GENERICO ou o nome do teste, quando houver
Etiquetas (labels, marcadores de texto que filtram campanhas e anúncios nos relatórios) completam o nome sem inflá-lo. Etiquetas guardam o que muda com o tempo: "promo-outubro", "teste-ai-max", "pausar-em-dezembro". O nome guarda o que é estrutural. Misturar os dois faz o nome crescer a cada campanha sazonal e perder a legibilidade.
UTM (os parâmetros que a URL carrega para o GA4 saber de qual anúncio veio a visita) segue a mesma disciplina. Um modelo de acompanhamento na conta, com os mesmos nomes de campanha e de grupo, evita que a mesma campanha apareça no GA4 sob três grafias diferentes. Renata escreveu o modelo uma vez, no nível da conta, e proibiu UTM manual em anúncio.
Documentação e histórico fecham a parte de organização. A conta guarda o histórico de alterações, mas ele mostra o que mudou, nunca por quê. Uma página compartilhada com data, mudança, motivo e resultado esperado é o que permite, três meses depois, saber se o CPA subiu por causa do leilão ou de uma decisão da equipe.
Segurança começa por listar quem entra. Cada pessoa com o próprio login, no nível mínimo que o trabalho pede: somente leitura para quem lê relatório, padrão para quem edita campanha, administrador só para quem gerencia usuários e faturamento. Acesso compartilhado por e-mail genérico some da lista no primeiro dia.
Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
Autenticação mudou em 2026. Desde 5 de agosto de 2026, gerar um novo token de atualização OAuth para a API do Google Ads exige passkey (a chave de acesso ligada ao aparelho, no lugar de senha com código por SMS). Tokens existentes continuam válidos e contas de serviço ficam isentas, mas a regra alcança Google Ads Editor, scripts, transferência para o BigQuery e Looker Studio.
Verificação de anunciante é a outra frente. Não há prazo universal em 2026: o Google notifica a conta ou o e-mail com um prazo, e a conta que não cumpre é pausada. Quem verifica por conta própria ganha acesso a formatos e ao Centro de Transparência antes de ser cobrado. Serviços financeiros têm regra própria, com verificação via G2 desde 23 de junho de 2026.
Segurança e verificação: as datas que a conta precisa acompanhar
- 23 de junho de 2026Concluído
Verificação via G2 para serviços financeiros
Ampliada a 13 países do EEE em 11 de agosto, com cobrança a partir de 15 de setembro de 2026
- 27 de julho de 2026Concluído
Google anuncia a exigência de passkey na API
Vale para Editor, scripts, BigQuery Data Transfer e Looker Studio
- 5 de agosto de 2026Concluído
Novos refresh tokens só com passkey
Tokens existentes seguem; contas de serviço isentas; piloto de acesso seguro a MCC via API em 3 de agosto
- 31 de agosto de 2026Concluído
Políticas de desenvolvedor atualizadas
Revisão das regras de quem usa a API em nome de terceiros
- Próximos meses (anúncio de 20 de maio de 2026)Previsto
Monitoramento de segurança 24/7 do Ads Advisor
Painel com passkeys; beta em contas em inglês, sem data para o Brasil
Proteção contra alteração completa o desenho. Regras automatizadas com alerta, e não com ação, avisam quando um orçamento muda mais de um valor combinado. Um script semanal exporta a lista de usuários e compara com a lista aprovada. Nenhum dos dois impede o erro; os dois encurtam o tempo até alguém ver.
Armadilha comum: dar acesso de administrador à agência "para agilizar" e nunca revogar. Quando o contrato termina, a agência ainda pode convidar usuários, mudar faturamento e apagar histórico. O nível padrão resolve todo o trabalho de campanha, e a conta de administrador da agência já dá o consolidado de que ela precisa.
Na Aurora Casa, o inventário inicial achou 14 campanhas ativas, 7 usuários com acesso de administrador (3 de uma agência antiga) e nenhum modelo de UTM. Renata reduziu para 9 campanhas, uma por combinação de linha, tipo e objetivo, e deixou 4 usuários nomeados: ela como administradora, o dono e dois vendedores em somente leitura.
A MCC própria recebeu a conta principal e uma conta de testes sem cartão. Os R$ 60.000 mensais foram redistribuídos entre as 9 campanhas seguindo o plano de mídia do capítulo anterior, com 55 por cento em Pesquisa, 30 por cento em Performance Max e 15 por cento em Demand Gen, e a página de documentação nasceu com 14 linhas, uma por campanha antiga, explicando o que virou o quê.
A conta da Aurora Casa antes e depois do inventário
Como estava
Antes
- 14 campanhas, cinco delas sem meta de conversão definida
- Nomes como "Pesquisa nova 2" e "PMax teste final"
- 7 administradores, 3 de uma agência que já saiu
- UTM escrita à mão em cada anúncio, com três grafias da mesma campanha no GA4
- Histórico de alterações sem o motivo de nenhuma mudança
Como ficou
Depois
- 9 campanhas, uma por combinação de linha, tipo e objetivo
- Nome em cinco blocos: PLAN-PESQ-LEAD-CWB-GENERICO
- 4 usuários nomeados, um administrador, dois em somente leitura
- Modelo de acompanhamento no nível da conta, UTM manual proibida
- Página de documentação com data, mudança, motivo e resultado esperado
O ganho imediato foi de leitura: o relatório de campanhas passou a ser lido por qualquer pessoa da equipe sem abrir uma campanha sequer. O ganho de segurança apareceu na segunda semana, quando a regra automatizada avisou de um orçamento dobrado por engano e Renata reverteu em dez minutos.
Abra a lista de usuários da sua conta hoje e escreva ao lado de cada nome o nível que a pessoa precisa. Se sobrar algum administrador que não gerencia usuários nem faturamento, rebaixe antes de seguir. O próximo capítulo cuida de para onde o clique leva, e uma página de destino boa não compensa uma conta em que qualquer um mexe.
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Todos os capítulos de Google Ads 2027
- 01Entender o que a IA mudou no Google Ads antes de gastar
- 02Ler a intenção de busca e o leilão antes de escolher a campanha
- 03Fechar a conta de CAC, LTV e CPA máximo antes da campanha
- 04Estruturar conta, nomenclatura e acessos sem perder o controle
- 05Preparar a página de destino para o clique e para a expansão de URL
- 06Instalar Google Tag, GTM e conversões que o lance consegue usar
- 07Pedir consentimento, configurar o Consent Mode e manter a medição de pé
- 08Levar a venda do CRM de volta ao Google Ads pelo Data Manager
- 09Descobrir a linguagem do cliente e agrupar palavras por intenção
- 10Montar a campanha de Pesquisa com anúncios responsivos e recursos
- 11Ligar o AI Max para Pesquisa com controle de marca, URL e texto
- 12Escolher a estratégia de lance e dar a ela os dados de que precisa
- 13Operar Performance Max com sinais, exclusões e relatórios que explicam
- 14Deixar o feed do Merchant Center pronto para Shopping e AI Max
- 15Gerar demanda no YouTube, Shorts, Discover e Display com Demand Gen
- 16Produzir criativos com Asset Studio e revisar antes de publicar
- 17Usar dados próprios como sinal, sem estrangular a campanha
- 18Adaptar a conta a leads, B2B, loja local, app e setor regulado
- 19Passar pela política do Google, inclusive a etiqueta de conteúdo de IA
- 20Ler relatório, atribuição e incrementalidade sem confundir os três
- 21Montar a rotina diária, semanal e mensal que diagnostica antes de mexer
- 22Desenhar experimentos e decidir escalar, manter, ajustar ou pausar
- 23Delegar ao Ask Advisor, scripts e API com aprovação humana
- 24Fazer onboarding, auditoria e prestação de contas como agência
- 25Lançar a conta inteira e otimizar os primeiros 30 dias