Google Ads 2027 · Capítulo 6 de 25 · 13 min
Instalar Google Tag, GTM e conversões que o lance consegue usar
Cada venda e cada lead contados uma vez, com valor, moeda e número de pedido, na ação de conversão que alimenta o lance.
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Com a página pronta, o próximo problema é invisível até doer: o Smart Bidding (o leilão automático que ajusta o lance por sinal de conversão) só aprende com o que a conta mede. Conversão duplicada ensina o lance a pagar mais por pedido que não existe; conversão sem valor ensina que um sofá de R$ 380 vale o mesmo que uma cozinha de R$ 28.000.
O custo de medir errado não aparece como erro, aparece como resultado bom demais ou ruim demais. Um ROAS de 4,9 que na verdade é 4,1 leva a aumentar orçamento numa campanha que não sustenta o aumento. Um lead que dispara em cada recarga da página de obrigado faz o CPA parecer metade do real.
Este capítulo monta a medição da Aurora Casa do zero: uma arquitetura de eventos com nome, um contêiner de tags que qualquer pessoa da equipe consegue auditar e ações de conversão com contagem, valor e janela decididos por linha de negócio.
Arquitetura de eventos vem antes de qualquer ferramenta. Um evento é um acontecimento no site que vale a pena registrar: compra concluída, formulário enviado, clique no WhatsApp, agendamento marcado. Cada evento tem um nome fixo e os parâmetros que o descrevem: valor, moeda, número do pedido, ambiente escolhido. Escrever essa lista em uma planilha antes de abrir o GTM evita metade dos problemas.
Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
Google Tag (a tag única do Google que envia dados ao GA4 e ao Google Ads a partir do mesmo código) é a base. Ela fica em todas as páginas, carrega uma vez e recebe os eventos que o site dispara. Google Tag Manager (GTM, o contêiner que decide quais tags disparam em quais condições) é a camada de gestão por cima dela.
O GTM tem quatro peças. Tags são o que dispara: a Google Tag, uma tag de conversão do Google Ads, um evento do GA4. Acionadores dizem quando: a página de obrigado carregou, alguém clicou no botão de WhatsApp. Variáveis carregam os dados: o valor do pedido, o número do pedido. Versões guardam cada publicação, com quem publicou e quando.
- Etapa 1 de 5: Site dispara o evento
purchase com value 380, currency BRL e transaction_id 48213
- Etapa 2 de 5: GTM recebe
Acionador de compra confirma a página de obrigado e lê as variáveis
- Etapa 3 de 5: Google Tag envia
GA4 registra o evento; Google Ads registra a ação de conversão
- Etapa 4 de 5: Deduplicação
Número de pedido repetido em recarga da página é ignorado
- Etapa 5 de 5: Lance aprende
A ação primária Compra, com valor, entra no Smart Bidding
Os dados que as variáveis leem precisam existir na página, e é a camada de dados (data layer, o objeto em que o site publica valor, moeda e número do pedido para o GTM ler) que os entrega. Sem ela, a tag tenta raspar o valor de um elemento da tela, e qualquer mudança de layout zera a medição sem aviso. Pedir ao desenvolvedor a camada de dados com os parâmetros da planilha de eventos é a única tarefa técnica que o gestor não faz sozinho.
Quem tem uma loja pequena e nenhum desenvolvedor pode instalar a Google Tag direto pela plataforma, sem GTM, e medir compra e lead com o que a plataforma oferece. A troca é de controle: sem contêiner não há visualização, versão nem acionador personalizado. Assim que existe uma segunda pessoa mexendo na medição, o GTM passa a valer o esforço.
Visualização (o modo de teste do GTM que mostra, em tempo real, o que dispara em cada página) é a etapa que separa medição confiável de medição que parece funcionar. Antes de publicar uma versão, a equipe passa pela compra de teste e pelo formulário, e confere que cada evento disparou uma vez, com os parâmetros certos.

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GA4 e Google Ads precisam estar vinculados, e a vinculação tem consequência: eventos do GA4 marcados como eventos-chave (o nome que o GA4 usa, desde o fim de 2024, para o que antes chamava de conversão) podem ser importados como ações de conversão no Google Ads. A importação evita medir a mesma compra por dois caminhos diferentes.
A escolha entre medir pela tag do Google Ads ou importar do GA4 tem uma regra simples: uma origem por evento. Compra medida pela tag e importada do GA4 conta duas vezes. A Aurora mede compra e lead pela tag do Google Ads, com order ID, e usa o GA4 para leitura de funil e de engajamento.
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Conversão primária e secundária é a decisão que mais afeta o lance. Ação primária entra no Smart Bidding e na coluna "Conversões"; secundária só aparece em "Todas as conversões", para leitura. Compra é primária no e-commerce. Lead enviado é primária em planejados. Clique no WhatsApp, visualização de página de produto e adição ao carrinho são secundárias: informam, mas não comandam o lance.
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Contagem, valor, moeda e order ID completam a ação. Contagem "uma" para lead (a mesma pessoa enviando duas vezes é um lead); "todas" para compra (dois pedidos são duas vendas). Valor dinâmico com moeda BRL na compra; valor fixo no lead, igual ao valor esperado do lead que o capítulo 3 calculou. Order ID (o número do pedido enviado junto com a conversão) é o que permite ignorar a recarga da página de obrigado.
As ações de conversão da Aurora Casa depois da reconstrução
| Ação | Origem | Primária ou secundária | Contagem | Valor | Janela de clique |
|---|---|---|---|---|---|
| Compra (decoração) | Tag do Google Ads | Primária | Todas | Dinâmico, BRL, com número do pedido | 30 dias |
| Lead de planejados (formulário) | Tag do Google Ads | Primária | Uma | Fixo: R$ 809 (valor esperado do lead) | 90 dias |
| Clique no WhatsApp | Tag do Google Ads | Secundária | Uma | Sem valor | 30 dias |
| Agendamento no showroom | Tag do Google Ads | Secundária | Uma | Sem valor | 30 dias |
| Adição ao carrinho | Importada do GA4 | Secundária | Todas | Sem valor | 30 dias |
| Contrato assinado (offline) | Data Manager, capítulo 8 | Primária | Uma | Valor do contrato | 90 dias |
O valor esperado do lead sai do capítulo 3: R$ 28.000 de ticket, 26 por cento de margem e 1 contrato a cada 9 leads dão R$ 809 de margem por lead.
Janela de conversão é o prazo, depois do clique, dentro do qual a conversão ainda é atribuída ao anúncio. Desde agosto de 2026 a janela de clique é configurável de 1 a 90 dias, e a de visualização engajada de 1 a 30 dias. Para decoração, com decisão em poucos dias, 30 dias bastam. Para planejados, com 45 dias de ciclo, 90 dias evitam que o contrato caia fora da janela.
Google tag gateway merece uma linha. É a opção de servir a Google Tag pelo próprio domínio do anunciante, em vez de pelo domínio do Google, e o Google publicou que anunciantes que o adotaram viram em média 14 por cento mais conversões medidas, comparando o segundo semestre de 2024 com o primeiro de 2025, em dado interno da empresa.
Números que o Google publicou sobre medição, e a ressalva de cada um
+14%
conversões medidas com Google tag gateway
Dado interno do Google, julho a dezembro de 2024 contra janeiro a junho de 2025; sem estudo independente
1 a 90 dias
janela de clique configurável
Disponível desde agosto de 2026; a de visualização engajada vai de 1 a 30 dias
2 modelos
de atribuição restantes em 2026
Orientado por dados e último clique; os demais deixaram de ser selecionáveis em julho de 2026
Fonte: Google, New updates to measurement suite in Google Ads (setembro de 2026); Google Analytics Help, What's new (2026)
Armadilha comum: disparar a conversão de compra na página de obrigado sem número de pedido. Cada recarga, cada volta pelo botão do navegador e cada e-mail de confirmação com link para a página cria uma venda nova no relatório. A conta que mede assim conclui que o ROAS é 4,9 quando é 4,1, e escala uma campanha com base num número que não existe.
Na Aurora Casa, a visualização do GTM mostrou na primeira hora que a tag de compra disparava em toda visita à página de obrigado, com ou sem pedido novo. Em agosto o relatório registrava 2.590 compras, e o e-commerce tinha faturado 2.100 pedidos. O ROAS de 4,9 que a conta exibia virou 4,1 depois de o order ID entrar na tag.
A descoberta doeu e ajudou. Com 4,1 de ROAS e 34 por cento de margem, a campanha de decoração ainda estava acima do ROAS mínimo de 3,2 calculado no capítulo 3, e o orçamento foi mantido. No lado dos leads, o valor fixo de R$ 809 por lead entrou na ação primária, e o Smart Bidding passou a ver que um lead de planejados vale mais do que duas compras de decoração.
A medição da Aurora Casa antes e depois do GTM auditado
Como estava
Antes
- Tag de compra sem número de pedido: 2.590 compras registradas para 2.100 pedidos reais
- Compra medida pela tag e importada do GA4, contando duas vezes
- Lead sem valor; compra e lead pesando o mesmo no lance
- Janela padrão de 30 dias para planejados, perdendo contratos de 45 dias
- Ninguém sabia qual versão do contêiner estava publicada
Como ficou
Depois
- Order ID na tag: 2.100 compras registradas, ROAS real de 4,1
- Uma origem por evento: tag para compra e lead, GA4 para funil
- Lead com valor fixo de R$ 809 na ação primária
- Janela de 90 dias para planejados, 30 para decoração
- Versão publicada com nome, data, autor e teste na visualização
Guia prático: criar a ação de conversão que o lance vai perseguir. A teoria das seções anteriores vira aqui uma sequência de telas. Os nomes dos botões mudam de tempos em tempos, e em setembro de 2026 a interface em português alternava entre "Criar ação de conversão" e "Nova ação de conversão" no mesmo menu. Se o rótulo da sua conta for outro, o caminho continua o mesmo: Metas, depois Conversões, depois Resumo.
Ação de conversão com valor, contagem certa e meta principal
Sete telas, na ordem em que aparecem. Faça uma ação por evento de negócio, e não uma por página.
Passo 1: Abra Metas, Conversões, Resumo e clique em criar ação de conversão, origem Site
O assistente pede o domínio e procura a Google Tag já instalada.
Deu certo quando: A tela mostra a tag encontrada no domínio, ou oferece instalá-la.
Erro comum: Criar a ação numa subconta quando a medição da empresa vive na conta de administrador (MCC).
Passo 2: Escolha a categoria pelo evento de negócio: Compra, Enviar formulário de lead, Agendar
A categoria decide em qual meta de conversão a ação entra.
Deu certo quando: A ação aparece dentro da meta com o mesmo nome da categoria.
Erro comum: Usar "Outro", que joga a ação numa meta genérica e confunde o lance.
Passo 3: Defina o valor: diferente para cada conversão quando o tíquete varia
Valor fixo só quando não há como medir; na Aurora Casa, o lead de planejados leva o valor esperado do contrato.
Deu certo quando: A coluna Valor conv. deixa de repetir o mesmo número em toda linha.
Erro comum: O valor dinâmico não chega à tag e toda compra entra com o valor padrão.
Passo 4: Contagem: Todas para venda, Uma para lead
O padrão é Todas, e a mudança só vale para os dados daqui para frente.
Deu certo quando: Um mesmo contato que envia o formulário duas vezes conta uma.
Erro comum: Formulário de lead em Todas, inflando volume e baixando o CPA de mentira.
Passo 5: Ajuste a janela de conversão ao ciclo de venda
A de clique vem com 30 dias, e o intervalo aceito vai de 1 a 90 dias; a mudança não é retroativa.
Deu certo quando: Janela de 90 dias para planejados e de 30 para decoração, como na Aurora.
Erro comum: Janela curta num ciclo longo: a venda acontece e a conta nunca fica sabendo.
Passo 6: Marque como principal só o que o lance deve buscar
Principal entra na coluna Conversões e no Smart Bidding; secundária fica em Todas as conv. para leitura.
Deu certo quando: Na meta, a ação aparece como usada nos lances e a meta como padrão da conta.
Erro comum: A mesma compra principal duas vezes, pela tag do Google Ads e pela importação do GA4.
Passo 7: Instale a tag ou o evento no GTM e acompanhe o status
O status passa de Não verificada para Gravando conversões em até algumas horas depois do primeiro disparo real.
Deu certo quando: Status Gravando conversões e primeira conversão de teste visível no dia seguinte.
Erro comum: Ignorar o status Inativa por dias, com o lance aprendendo sem sinal.
No fim você tem: Uma ação por evento de negócio, com valor, contagem e janela decididos por motivo, e uma única origem principal por evento.
Tag nativa ou importação do GA4 é a dúvida que mais aparece em fórum. O Google recomenda o GA4 como origem quando a conta já mede tudo por ele, e as ações importadas entram como secundárias até alguém promovê-las. Nils Rooijmans, autor de scripts muito usados, lembra que a ação importada herda a janela de conversão configurada no GA4, e não a do Google Ads; quem quer controle total da janela e das conversões otimizadas costuma preferir a tag nativa. O detalhe de configuração do lado do Analytics está no capítulo de gestão de conversões do curso de Google Analytics 2027.
O que especialistas e a comunidade observam sobre conversões
Uma origem principal por evento, sempre
Matt Southern, no Search Engine Journal, registrou em abril de 2023 que as conversões do GA4 importadas chegam como secundárias. Promover uma delas a principal enquanto a tag do Google Ads mede o mesmo evento duplica a coluna que o lance usa.
A importação do GA4 obedece às janelas do GA4
Nils Rooijmans mostrou em março de 2023 que a ação importada usa a janela de 30, 60 ou 90 dias definida no Analytics. Se o ciclo de venda pede outra janela, a configuração precisa mudar lá, e não no Google Ads.
Medir valor, e não só volume
Oliver Ewbank, no PPC Hero, listou em junho de 2026 cinco frentes para 2026: infraestrutura de tag, conversões otimizadas, Consent Mode, valor em vez de volume e auditoria recorrente de duplicatas. A última é a mais esquecida.
Servir a tag pelo próprio domínio
O Google tag gateway, disponível a todos desde maio de 2025, carrega a tag a partir do domínio do anunciante por meio de CDN ou servidor. O Google fala em 11 por cento mais sinais medidos; é número do fornecedor, útil como hipótese para testar.
Abra a visualização do seu GTM e faça uma compra de teste ou um envio de formulário. Conte quantas vezes a tag de conversão disparou: o critério de acerto é uma, com valor, moeda e número de pedido preenchidos. Recarregue a página de obrigado e confira que nada disparou de novo. O próximo capítulo trata do que acontece quando a pessoa recusa o cookie antes de tudo isso rodar.
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