Redes sociais com agentes de IA · Capítulo 2 de 9 · 8 min
Use skills como método editorial, e não como gerador de texto
Uma skill transforma o método de quem escreve em arquivo que o agente segue, e a voz da marca entra por cima da voz que vem no pacote.
Este capítulo faz parte do curso gratuito Redes sociais com agentes de IA.
Na segunda semana do nível 0, Rafael percebeu que o gargalo da camada de escrita do Estúdio Ventana estava no pedido. Ele abria o chat, digitava algo como escreva um post sobre diagnóstico de presença digital para indústria, e recebia um texto correto, genérico e intercambiável com o de qualquer agência. Marina reescrevia metade, e a conta de duas horas por post, número do exemplo fictício, quase não mudava.
Faltava ao agente um método: como abrir, que tamanho usar, onde pôr o número, que palavras Marina nunca usaria, quais histórias reais da consultoria podiam virar post. Esse método existia na cabeça dela e em lugar nenhum por escrito, então cada conversa nova começava do zero e repetia os erros da anterior.
Skill é o formato que transforma esse método em arquivo. Este capítulo mostra como ela funciona, como instalar uma família pronta para Instagram e LinkedIn e como pôr a voz da marca por cima da voz que vem de fábrica, que foi a parte que mais mudou o resultado do Ventana.
Skill é método editorial guardado em arquivo
Uma skill é uma pasta com um arquivo SKILL.md. No topo dele, um cabeçalho em YAML traz o nome e a descrição; abaixo vêm as instruções, os modelos e as referências que o agente segue quando a tarefa aparece. A descrição decide quando o agente aciona a skill, por isso ela precisa dizer, em linguagem de tarefa, para que serve.
Skills viajam dentro de plugins, que são pacotes com uma ou mais delas, e plugins se distribuem por marketplaces, que na prática são repositórios do GitHub listando o que pode ser instalado. A vantagem sobre um prompt salvo está na carga: o agente lê a skill só quando a descrição combina com o pedido e, ao ler, traz junto as referências que ela aponta, como regras de voz e fórmulas de gancho.
Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
Como instalar as skills no Claude Code e no claude.ai
Guia de referência com os três caminhos de instalação da família sergebulaev, conferidos em 22/10/2026.
Passo 1: Claude Code: adicione o marketplace
No Claude Code, digite /plugin marketplace add sergebulaev/instagram-skills.
Deu certo quando: O marketplace aparece na lista de origens de plugins.
Passo 2: Claude Code: instale o plugin
Digite /plugin install instagram-skills@instagram-skills.
Deu certo quando: As nove skills de Instagram ficam disponíveis no agente.
Passo 3: Repita para o LinkedIn
Use /plugin marketplace add sergebulaev/linkedin-skills e /plugin install linkedin-skills@linkedin-skills.
Deu certo quando: As doze skills de LinkedIn ficam disponíveis ao lado das de Instagram.
Passo 4: claude.ai ou aplicativo Claude: use os menus
Abra Configurações, Plugins, Adicionar, Adicionar marketplace, Adicionar de um repositório e informe sergebulaev/instagram-skills. Plugins e skills no claude.ai exigem plano pago.
Deu certo quando: O plugin aparece instalado na tela de Plugins.
Passo 5: Outro agente: instale pelo terminal
Rode npx skills add sergebulaev/instagram-skills, ou o mesmo comando com linkedin-skills.
Deu certo quando: As pastas das skills, cada uma com seu SKILL.md, aparecem no diretório de skills do agente.
Passo 6: Leia as descrições antes do primeiro pedido
Abra o SKILL.md de cada skill e leia o campo de descrição no cabeçalho YAML.
Deu certo quando: Você sabe que pedido aciona cada skill e se alguma se sobrepõe a outra já instalada.
No fim você tem: As famílias de Instagram e LinkedIn instaladas no agente da equipe, com as descrições lidas.
O que a família sergebulaev entrega em cada rede
Os dois pacotes de Serge Bulaev são o exemplo do curso porque cobrem o ciclo editorial inteiro sob licença MIT, o que permite ler, adaptar e versionar cada instrução. Em outubro de 2026, o instagram-skills estava na versão 1.0.32, com nove skills, e o linkedin-skills na 1.1.25, com doze. A tabela agrupa as skills pela função que cumprem na equipe editorial do Ventana.
As skills dos dois pacotes, agrupadas pela função editorial
| Função na equipe | Instagram (9 skills) | LinkedIn (12 skills) |
|---|---|---|
| Pauta e calendário | content planner | content planner (sete dias), thread monitor |
| Redação | caption writer, carousel planner, hook extractor | post writer (20 fórmulas de gancho e camada para founders), comment drafter, reply handler (lê a thread inteira), hook extractor |
| Revisão de voz | humanizer com modo de auditoria | humanizer com auditoria e testador de detectores |
| Perfil e distribuição | profile optimizer, hashtag strategist (3 a 5 hashtags dimensionadas), repurposer | profile optimizer, repurposer, employee advocacy (lançamento de 14 dias) |
| Leitura de público | audience insights (via Apify) | engager analytics |
| Memória de quem assina | Voice Profile, arquivo de referência lido pelas skills de escrita | interviewer, que alimenta o Story Bank |
Versões e contagens conferidas nos repositórios em 22/10/2026. Os nomes das skills ficam em inglês, como no original.
Duas peças pedem atenção antes das outras. O humanizador de LinkedIn audita o rascunho contra marcas de texto de máquina e traz um testador de detectores que mostra o quanto esses detectores discordam entre si; ele não promete vencer detector nenhum, e o Ventana não o usa com esse objetivo. O entrevistador faz perguntas sobre a carreira de quem assina e guarda as respostas num Story Bank que todas as outras skills consultam.
Voz da marca por cima da voz do pacote
Os pacotes chegam com regras de voz próprias, escritas em inglês: travessão limitado a cerca de um a cada cem palavras, números específicos no lugar de adjetivos, posts de LinkedIn entre 900 e 1.300 caracteres, comentários entre 200 e 350. São boas regras de partida, e algumas colidem com a casa. O Ventana escreve em português, proíbe travessão em qualquer peça e não usa emoji.
A ordem de precedência vista no capítulo 1 resolve a colisão, porque o limite do dono fica acima das regras da skill. Rafael registrou as regras da casa no Voice Profile, o arquivo de voz e marca que as skills de escrita do pacote de Instagram leem antes de rascunhar, e repetiu as mesmas regras nas instruções do projeto do agente. Onde a skill disser outra coisa, vale a casa.
Story Bank: o número nasce com fonte
O Story Bank ataca o número inventado na origem. Marina passou uma tarde respondendo ao entrevistador: clientes atendidos, diagnósticos que mudaram a decisão de um diretor, erros que a consultoria cometeu e corrigiu, posições que ela defenderia em público. Cada resposta com número real virou um registro com fonte, e o post writer passou a buscar ali o dado que antes preenchia com algo plausível.
Como preparar Voice Profile e Story Bank antes do primeiro rascunho
Guia de referência para a sessão de preparação, feita uma vez e revista quando a marca mudar.
Passo 1: Abra o arquivo de Voice Profile do pacote
Ele fica entre as referências do instagram-skills e vem como modelo em branco, que as skills ignoram enquanto não estiver marcado como preenchido.
Deu certo quando: Você sabe onde o arquivo está e quem pode editá-lo.
Passo 2: Rode o prompt de preenchimento
Use o prompt acima com posts reais da marca e as regras da casa coladas no topo.
Deu certo quando: O agente devolve um perfil com as lacunas marcadas como PREENCHER-HUMANO.
Passo 3: Feche as lacunas e marque o perfil como preenchido
Quem assina responde às lacunas, aprova o texto e altera o status do arquivo para preenchido.
Deu certo quando: As skills de escrita passam a ler o perfil antes de rascunhar.
Passo 4: Rode o entrevistador do linkedin-skills
Peça ao agente uma entrevista com quem assina sobre clientes, decisões, erros corrigidos e posições defendidas.
Deu certo quando: As respostas ficam guardadas no Story Bank.
Passo 5: Anexe a fonte a cada número do Story Bank
Para cada número dito na entrevista, registre de onde ele vem: relatório, planilha, contrato.
Deu certo quando: Nenhum número do Story Bank existe sem documento que o comprove.
Passo 6: Peça um rascunho de teste e confira a origem dos dados
Solicite um post ao post writer e verifique se cada número veio do Story Bank.
Deu certo quando: O rascunho usa só números registrados, ou marca a falta deles.
No fim você tem: Voice Profile marcado como preenchido e Story Bank com fontes, prontos para todas as skills.
Erros comuns com skills
O rascunho continua genérico, com sotaque de tradução, mesmo com a skill instalada. A causa quase sempre é o Voice Profile vazio: o modelo do arquivo vem em branco, e as skills ignoram o arquivo enquanto ele não for marcado como preenchido. A saída é preencher o perfil antes do primeiro pedido real, com o prompt acima, e só então medir a qualidade.
Quando o agente aciona a skill errada, como um planejador de conteúdo no lugar do redator de legenda, o problema costuma estar em famílias diferentes instaladas lado a lado com descrições sobrepostas. Mantenha uma família por rede e leia as descrições de cada SKILL.md antes de instalar a segunda.
O erro mais caro é tratar o humanizador como lavanderia de dado inventado. Ele melhora a forma do texto e não confere fato algum, então um número falso sai do humanizador mais convincente do que entrou. O portão de Marina continua obrigatório depois dele.
Na segunda-feira, instale a família da sua rede principal, preencha o Voice Profile com as regras da casa e rode uma sessão do entrevistador com quem assina. No Ventana, o rascunho seguinte chegou a Marina com o número tirado do Story Bank e a fonte ao lado, e a revisão dela deixou de ser reescrita para virar conferência. Rafael passou a anotar o tempo de cada post para saber quanto isso valeu.
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