CRO: Otimização de Conversão e Experimentação · Capítulo 12 de 30 · 38 min
CUPED e CUPAC: testes mais curtos sem perder rigor
Como usar o que você já sabia sobre o visitante antes do teste para estreitar o intervalo de confiança e encurtar a duração.
Este capítulo faz parte do curso gratuito CRO: Otimização de Conversão e Experimentação.
Etapa: Eficiência estatística. Pergunta que este módulo responde: É possível reduzir ruído sem mudar a pergunta do experimento? Dono mais comum: Liderança de dados e plataforma de experimentação. Passagem de bastão: método validado em A/A, covariáveis pré-tratamento e ganho de sensibilidade documentado.
CUPED funciona como fone com cancelamento de ruído
O fone não aumenta a voz; ele remove parte do som previsível do ambiente. CUPED usa comportamento anterior ao tratamento para remover variação conhecida e tornar o mesmo efeito mais fácil de ouvir.
Redução de variância melhora precisão; ela não cria efeito, não corrige instrumento ruim e não salva desenho enviesado.
Diretora de dados
Streaming
Dor
Consumo varia muito entre usuários e testes de recomendação levam semanas.
Solução
A equipe usa consumo pré-experimento como covariável, valida em A/A e mede redução de variância antes de prometer velocidade.
Resultado
Testes ganham sensibilidade sem reduzir artificialmente duração ou população.
Custo apurado: Cenário executivo ilustrativo, construído a partir de rotinas empresariais recorrentes.
Cenário construído para fins didáticos. Números não correspondem a cliente específico.
O que significa: CUPED e CUPAC removem parte do ruído previsível usando informações medidas antes do tratamento. É como comparar corredores levando em conta o tempo que cada um já fazia antes da nova técnica: a mudança individual fica mais fácil de enxergar. Por que isso importa na empresa: Quando usuários variam muito entre si, um efeito real pode se esconder. Reduzir variância aumenta precisão com a mesma amostra, mas não cria tráfego, não corrige viés e não autoriza usar informação afetada pelo tratamento.
- Etapa 1 de 5: Covariável
Escolha sinal pré-experimento relacionado à métrica final.
- Etapa 2 de 5: Validação
Teste cobertura, estabilidade e ausência de efeito do tratamento.
- Etapa 3 de 5: A/A
Verifique se o método se comporta quando não há diferença real.
- Etapa 4 de 5: Ajuste
Remova a parcela previsível sem trocar a pergunta causal.
- Etapa 5 de 5: Auditoria
Mantenha resultado bruto e ajustado lado a lado.
Exemplo calculado — números ilustrativos
| Situação | Conta | Como interpretar | Decisão executiva |
|---|---|---|---|
| A métrica tem desvio-padrão 10. Uma covariável prévia permite reduzir a variância em 36%. | Novo desvio-padrão = 10 × √(1 − 0,36) = 8. O erro-padrão cai 20%; para precisão semelhante, a amostra pode cair aproximadamente 36% sob premissas compatíveis. | O ganho vem de retirar ruído previsível, não de aumentar artificialmente o efeito da variante. | Dados valida o ajuste em A/A e informa economia observada antes de alterar prazos do portfólio. |
Os números foram criados para ensinar o raciocínio. Substitua base, janela, valor e premissas pelos dados validados da sua empresa.
Dúvidas comuns de quem está começando
Por que a variável precisa vir antes do teste?
Porque uma variável alterada pelo tratamento pode remover parte do efeito que se deseja medir ou introduzir viés.
CUPED salva teste com pouco tráfego?
Às vezes melhora sensibilidade, mas o ganho depende de correlação e cobertura. Ele não substitui população suficiente nem corrige instrumentação defeituosa.
A conta de amostra do módulo anterior fechou em 63 dias. O diretor de produto olha o número e pergunta se existe forma de rodar isso em três semanas sem afrouxar a estatística. A resposta honesta quase sempre é não.
Existe uma exceção, ela tem treze anos de literatura e virou infraestrutura padrão nas grandes plataformas de experimentação.
Segure a aprovação do investimento em redução de variância até que a correlação da covariável tenha sido medida na sua própria base. Dono da decisão é quem assina a linha de orçamento; o time de dados apenas entrega o número. Prazo: uma semana, porque a medição é uma consulta ao warehouse e não um projeto. A faixa de 20% a 50% de corte relatada pela Microsoft corresponde a correlações entre cerca de 0,45 e 0,7. Aprovar antes de medir é comprar o topo dessa faixa e receber o piso, sem nenhum instrumento para reclamar depois. Com o número em mãos, a conversa com o fornecedor deixa de ser sobre promessa de produto e passa a ser sobre o teto aritmético do ganho na sua operação. Três perguntas vão junto para essa conversa: a plataforma aplica redução de variância nas minhas métricas, qual covariável ela usa por padrão, e qual janela pré-experimento considera. As respostas mudam a duração de todos os seus testes e raramente aparecem na proposta comercial. Peça por escrito e guarde junto da documentação do programa.
O que você vai conseguir fazer depois deste módulo
- Explicar por que remover variação conhecida antes do experimento estreita o intervalo sem enviesar o efeito.
- Identificar, na sua base, se existe covariável pré-experimento com correlação suficiente para valer o esforço.
- Estimar o teto de ganho que a técnica consegue entregar na sua operação, em vez de aceitar a faixa genérica.
- Reconhecer os cenários de aquisição fria em que o desconto simplesmente não existe.
- Cobrar do fornecedor qual covariável ele usa e qual janela pré-experimento considera.
Quando você já sabe alguma coisa sobre o visitante antes do teste começar, dá para usar essa informação e remover ruído da medição. A técnica se chama CUPED, estreita o intervalo de confiança sem deslocar o efeito estimado, e corta de 20% a 50% da duração necessária (Deng, Xu, Kohavi e Walker, Microsoft, 2013). O critério estatístico continua o mesmo; o que diminui é o barulho em volta da medida.
Comece pelo que atrapalha a medição.
Quando você compara a receita média por visitante entre A e B, a diferença entre as duas médias tem duas origens. Uma parte vem do efeito da mudança que você fez. A outra vem do fato de que as pessoas são muito diferentes entre si: um cliente que gasta 4.000 reais por ano caiu num dos grupos por sorteio, e sozinho ele move a média daquele braço.
Essa segunda parte é ruído, e costuma dominar a conta. É por isso que métricas de receita exigem amostras muito maiores que métricas de clique: a variância entre pessoas é enorme comparada ao efeito que você quer detectar. CUPED ataca essa fonte específica de ruído, usando o comportamento de cada visitante antes do experimento como referência e medindo o desvio em relação a ela no lugar do nível absoluto.
Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
Compare cada corredor com o tempo que ele já fazia
Dois grupos de corredores vão testar um tênis novo. Comparar o tempo médio de cada grupo na prova exige grupos enormes, porque um maratonista experiente sorteado para o grupo A já garante vantagem que nada tem a ver com o tênis. Agora compare a variação de cada corredor em relação ao tempo que ele já fazia antes. A diferença de talento sai da conta e o efeito do tênis aparece com muito menos gente na pista.
A analogia também mostra o limite: um corredor estreante, sem marca anterior, não tem de que ser descontado. É exatamente o visitante de primeira visita, e é onde o método deixa de ajudar.
Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
- Etapa 1 de 4: Escolher a covariável
Medida antes do início do teste e correlacionada com a métrica de interesse
- Etapa 2 de 4: Estimar a parcela explicada
Quanto da variação da métrica a covariável explica, calculado sobre os dois braços
- Etapa 3 de 4: Subtrair igualmente
O mesmo ajuste aplicado a A e a B, sem tratamento preferencial de nenhum lado
- Etapa 4 de 4: Rodar o teste sobre a métrica ajustada
Mesmo alfa, mesmo poder, mesma regra de parada. Só a variância mudou
O ponto que sustenta a técnica é a ordem no tempo. Como o ajuste usa apenas informação anterior à randomização, ele não pode ter sido afetado pelo tratamento. O estimador do efeito continua não enviesado, e o que muda é só a variância.
A força do corte depende diretamente da correlação entre a covariável e a métrica: correlação alta corta muito, correlação fraca corta pouco, e nesse caso o método simplesmente não faz diferença. O trabalho original reporta corte de 20% a 50% na duração necessária. Numa operação que roda experimentos o ano inteiro, isso chega perto de dobrar o número de hipóteses testadas com o mesmo tráfego.
A relação que decide tudo: o corte é o quadrado da correlação
| Correlação da covariável com a métrica | Corte de variância | Corte aproximado na duração | O que decidir com esse número |
|---|---|---|---|
| 0,1 | 1% | cerca de 1% | Irrelevante. Não gaste esforço de implementação para isso. |
| 0,3 | 9% | cerca de 9% | Marginal. Um teste de 63 dias vira 57, o que raramente muda uma decisão de roadmap. |
| 0,5 | 25% | cerca de 25% | Começa a valer. É por volta daqui que a técnica entra na faixa de 20% a 50% relatada pela Microsoft, e onde a linha de orçamento passa a se justificar sozinha. |
| 0,7 | 49% | cerca de 49% | Transformador. O mesmo teste cabe em metade do prazo, e é o topo da faixa relatada. Aprove o investimento e exija o recurso do fornecedor, com a janela pré-experimento nomeada no contrato. |
| 0,9 | 81% | cerca de 81% | Raro fora de bases com uso muito frequente e identificação estável. Desconfie e verifique se não há vazamento de dado pós-tratamento antes de levar esse número a comitê. |
É esta a tabela que transforma a conversa com o fornecedor. A faixa de 20% a 50% que aparece na literatura não é uma promessa de produto: ela corresponde a correlações entre cerca de 0,45 e 0,7. Meça a sua e você sabe, antes de contratar qualquer coisa, em que linha desta tabela a sua operação cai.
Fonte: Relação algébrica: o ajuste ótimo por uma covariável deixa variância residual proporcional a 1 menos o quadrado da correlação. A duração acompanha porque a amostra necessária é proporcional à variância.
Existe uma alternativa mais simples que quase nunca é oferecida, e que resolve parte do problema sem modelo nenhum: estratificação. Em vez de ajustar a métrica depois, você garante antes que os braços fiquem equilibrados nas variáveis que mais importam, sorteando dentro de cada estrato separadamente. Divida a base em faixas de valor histórico, ou por dispositivo, ou por canal de aquisição, e faça o sorteio dentro de cada faixa. O ganho é menor que o de CUPED bem aplicado, e vem com duas vantagens que pesam em operação pequena: não exige nada da camada de análise, porque o trabalho acontece na hora do sorteio, e elimina de saída o desequilíbrio acidental entre braços, aquele em que o grupo A leva os clientes grandes por azar. Quando a correlação da sua covariável cai na faixa de 0,3, estratificar costuma ser a escolha mais sensata: entrega parte do benefício por uma fração do esforço.
O mesmo experimento, com e sem ajuste por covariável
Sem ajuste: a métrica bruta
Coluna a evitar
- A variação entre pessoas entra inteira na medição e domina a conta
- Métricas de receita exigem amostras muito maiores que métricas de clique
- O intervalo de confiança é largo e frequentemente cruza o zero
- Resultados inconclusivos se acumulam mesmo com hipóteses razoáveis
- A única saída para encurtar é aumentar o MDE e aceitar cegueira
Com ajuste por covariável pré-experimento
Coluna recomendada
- Cada visitante é comparado com o próprio histórico, e a diferença entre pessoas sai da conta
- A mesma métrica de receita passa a caber num prazo que a operação aceita
- O intervalo encolhe e o centro do efeito estimado permanece onde estava
- Testes antes inconclusivos passam a decidir com a mesma amostra
- O ganho pode ser gasto em prazo menor ou em MDE mais ambicioso
O que a redução de variância compra, num cenário ilustrativo
| Item do desenho | Sem ajuste | Com ajuste, correlação moderada |
|---|---|---|
| Métrica primária | Receita por visitante | Receita por visitante |
| Covariável usada | Nenhuma | Receita do mesmo visitante nas 4 semanas anteriores |
| Variância da métrica (índice) | 100 | 60 |
| Duração para o mesmo MDE | 63 dias | cerca de 38 dias |
| Centro do efeito estimado | Referência | Igual: o ajuste não desloca o ponto |
| Largura do intervalo de 95% | Referência | Menor, e é só isso que muda |
Os 25 dias economizados podem ser gastos de duas formas: manter os 63 dias e baixar o MDE, passando a enxergar efeitos mais sutis, ou manter o MDE e encerrar em 38, devolvendo prazo ao roadmap. A segunda opção é a mais escolhida e a menos interessante das duas.
Fonte: Cenário construído para ilustrar a ordem de grandeza, com corte de variância dentro da faixa de 20% a 50% relatada por Deng, Xu, Kohavi e Walker (Microsoft, 2013).
Os números que definem a expectativa correta sobre a técnica
20% a 50%
Corte na duração necessária com CUPED
Faixa relatada no trabalho original da Microsoft, dependente da correlação
mais de 25%
Encurtamento de switchback tests com CUPAC
DoorDash, ao trocar a covariável simples por predição de machine learning
2013
Ano da publicação original de CUPED
Mais de uma década de uso documentado em plataformas de escala
zero
Deslocamento do efeito estimado causado pelo ajuste
O estimador continua não enviesado; só a variância diminui
Fonte: Deng, Xu, Kohavi e Walker (Microsoft, 2013) para CUPED; publicações de engenharia do DoorDash para CUPAC.
Como descobrir se vale a pena na SUA base, antes de pedir nada ao fornecedor
1. Escolha a métrica primária mais cara do programa
(aquela cuja conta de amostra sempre estoura o prazo).
2. Para uma coorte de visitantes que já passou pelo funil, monte
duas colunas no warehouse:
coluna A = métrica no período do teste
coluna B = mesma métrica nas 4 semanas ANTERIORES
3. Calcule a correlação entre A e B.
4. Leia o resultado:
correlação alta -> teto de ganho alto, exija o recurso
correlação fraca -> o método não vai ajudar; troque a
métrica primária por uma mais frequente
5. Repita variando a janela (2, 4, 8 semanas). A janela que
maximiza a correlação é a que você deve pedir ao fornecedor.
Essa consulta usa dados que a maior parte das operações já mantêm, e
responde em uma tarde uma pergunta que costuma virar projeto.
A leitura executiva do passo 3: só existe decisão de investimento em
redução de variância depois que a correlação foi medida na sua base.
Peça o número antes de aprovar a linha, porque ele é o teto do ganho e
nenhuma proposta comercial o substitui.O DoorDash levou a ideia adiante com o CUPAC, que troca a covariável simples por uma predição de machine learning. No lugar de usar a receita passada do visitante, um modelo prevê o valor esperado do resultado a partir de todo o conjunto de informações pré-experimento disponíveis, e essa predição vira a covariável do ajuste. A predição carrega mais sinal do que qualquer variável isolada, e o corte de variância cresce junto. A empresa reportou encurtamento de mais de 25% em switchback tests, o formato que usa para lidar com interferência entre regiões e janelas de tempo.
Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
O limite da técnica é estrutural, e ele aparece justamente onde muitos times mais queriam ajuda. CUPED depende de existir histórico do visitante anterior ao experimento. Visitante novo, que chega pela primeira vez e entra no teste na mesma sessão, não tem covariável nenhuma para ajustar. O ganho some quase por completo em testes de aquisição de topo, em landing pages de campanha e em qualquer superfície cuja audiência seja majoritariamente de primeira visita. Daí saem duas consequências de planejamento. Em base recorrente, com login e histórico, a técnica costuma entregar a faixa alta do corte. Em aquisição fria, dimensione a duração pelo cálculo tradicional e não conte com o desconto. Um cuidado adicional que invalida o método quando ignorado: a covariável precisa ser anterior à randomização, sem exceção. Variável coletada depois do início do teste contamina o ajuste com o próprio efeito do tratamento, e o estimador deixa de ser confiável.
Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
O piso de conversões abaixo do qual o A/B deixa de ser o instrumento certo
| MDE relativo | Conversões necessárias por variante | Conversões por semana para fechar em 4 semanas |
|---|---|---|
| mais 5% | cerca de 6.400 | cerca de 3.200 |
| mais 10% | cerca de 1.600 | cerca de 800 |
| mais 20% | cerca de 400 | cerca de 200 |
| mais 30% | cerca de 180 | cerca de 90 |
| mais 50% | cerca de 64 | cerca de 32 |
O critério objetivo está na última coluna, e ele refina a escada de volume de "Montar ou não montar: a decisão de abrir um programa" em vez de substituí-la. Abaixo de cerca de 200 conversões por semana na superfície, o programa só enxerga efeitos de mais 20% ou maiores, que a distribuição real torna raros; é a faixa em que aquele módulo manda rodar poucos testes por ano, apenas em mudança estrutural, com o MDE folgado declarado por escrito. Abaixo de cerca de 90 por semana nem mudança estrutural fecha dentro de um mês, e aí o A/B deixa de ser o instrumento, exatamente como o piso de 50 daquele módulo antecipa. O que muda entre os dois números não é a régua, é a ambição do efeito: 50 é onde o teste para de existir, 200 é onde ele para de valer a pena para o ganho típico.
Fonte: Derivado da mesma aproximação normal de "Testes A/B: o que a estatística realmente exige", com alfa bilateral de 0,05 e poder de 80%. A conta em conversões tem uma propriedade útil: ela quase não depende da taxa-base, só do efeito relativo que você quer detectar.
O que ocupa o lugar do A/B quando o volume não fecha
- Troque a métrica primária por uma microconversão mais frequente e a montante, desde que você tenha evidência de que ela se move junto com a conversão final. É a saída de maior retorno e a que menos gente tenta.
- Agrupe superfícies parecidas num único teste em vez de rodar experimentos separados que nenhum deles fecha. Três páginas de categoria com o mesmo problema somam tráfego suficiente para uma conclusão.
- Teste apenas mudanças estruturais, com MDE folgado declarado por escrito, e pare de submeter ajustes finos a um instrumento que não os enxerga.
- Corrija sem testar aquilo que é barreira óbvia: erro de formulário, custo escondido, campo obrigatório desnecessário, contraste ilegível. Não existe hipótese a validar quando a página está quebrada.
- Use pesquisa qualitativa e gravação de sessão para decidir, aceitando explicitamente que a evidência é de outra natureza. Cinco sessões mostram o que 500 visitantes não conseguem contar.
- Registre a decisão como decisão de produto, com data e responsável, e nunca como resultado de experimento. Um relatório honesto sobre o que não foi medido vale mais que um uplift inventado.
Verificação rápida
Em qual destes testes a redução de variância por CUPED tende a não entregar ganho relevante?
Onde a redução de variância entrega, e onde ela não muda nada
Eixo horizontal: Proporção de visitantes com histórico anterior ao testeEixo vertical: Correlação entre a covariável e a métrica primária
Base recorrente e correlação alta
- Assinatura, marketplace com recompra, serviço com login diário
- Faixa alta do corte de duração; exija o recurso do fornecedor
- É aqui que a técnica chega perto de dobrar hipóteses testadas por ano
Base recorrente e correlação fraca
- Histórico existe, mas prevê mal a métrica escolhida
- Teste outras janelas antes de desistir: 2, 4 e 8 semanas
- Se a correlação continuar baixa, o CUPAC é a próxima pergunta, não a primeira
Mistura de visitantes novos e recorrentes
- O ganho existe, proporcional à fatia com histórico
- Meça a proporção antes de prometer prazo menor à diretoria
- Considere reportar o resultado também segmentado por posse de histórico
Aquisição fria, quase toda de primeira visita
- Landing page de campanha, topo de funil pago
- Dimensione pelo cálculo tradicional e não conte com desconto
- O caminho aqui é métrica primária mais frequente, não redução de variância
Glossário rápido
Covariável
Variável medida antes da randomização e correlacionada com a métrica de interesse. O caso clássico é a mesma métrica no período anterior ao teste.
Variância
A dispersão da métrica entre as unidades medidas. Em receita por visitante, ela é dominada pela diferença entre pessoas, e não pelo efeito da mudança testada.
CUPED
Controlled Experiment Using Pre-Experiment Data. Ajusta a métrica pela covariável pré-experimento, estreitando o intervalo de confiança sem deslocar o efeito estimado.
CUPAC
Variante do DoorDash que substitui a covariável simples por uma predição de machine learning construída sobre todas as informações pré-experimento disponíveis.
Estimador não enviesado
Estimador cujo valor esperado coincide com a quantidade que se quer medir. CUPED preserva essa propriedade porque o ajuste usa apenas dados anteriores ao tratamento e é aplicado igualmente aos dois braços.
Randomização
O sorteio que define em qual braço cada unidade cai. É a fronteira temporal que separa o que pode virar covariável do que já está contaminado pelo tratamento.
Estratificação
Sortear separadamente dentro de cada faixa de uma variável conhecida antes do teste, garantindo braços equilibrados por construção. Entrega parte do benefício de CUPED sem exigir nada da camada de análise, e é a alternativa mais sensata quando a correlação da covariável é apenas moderada.
Janela pré-experimento
O período anterior ao teste de onde a covariável é extraída. Janelas curtas capturam pouco sinal; janelas longas trazem comportamento que já não representa o visitante de hoje.
Intervalo de confiança
A faixa de valores compatíveis com os dados observados, no nível de confiança escolhido. Redução de variância age sobre a largura dessa faixa, e sobre nada mais.
Líder de produto de um serviço de assinatura de alimentos
Assinatura recorrente, base de 180 mil clientes ativos
Dor
A métrica que a diretoria acompanha é receita por assinante no trimestre, e todo teste sobre ela fecha com conta de amostra acima de dois meses. O time acabou migrando os experimentos para métricas de clique, mais rápidas, e passou a ser cobrado por otimizar números que ninguém no comitê reconhece como resultado.
Solução
Antes de contratar qualquer recurso novo, o time mediu no warehouse a correlação entre a receita do trimestre e a receita do mesmo assinante nas quatro e nas oito semanas anteriores. A janela de oito semanas apresentou correlação bem maior, e o ajuste passou a ser aplicado na camada de análise, sem depender da plataforma.
Resultado
Os testes sobre receita voltaram a caber no prazo de um ciclo de planejamento, e o time parou de precisar escolher entre medir rápido e medir o que importa. O ganho foi gasto em MDE menor, não em prazo menor, o que ampliou a faixa de efeitos que o programa consegue enxergar.
Custo apurado: Uma tarde de consulta no warehouse e o ajuste implementado na análise.
Cenário construído para fins didáticos. Números não correspondem a cliente específico.
As objeções que aparecem quando você propõe ajustar a métrica
Isso não é rigor demais para o nosso tamanho?
A pergunta se inverte aqui, porque redução de variância é a única das técnicas deste curso que devolve tempo em vez de cobrar. Operação pequena é exatamente quem mais sofre com conta de amostra estourada, e o diagnóstico inicial custa uma tarde de consulta no warehouse. Só depois de a correlação se mostrar alta é que existe decisão de investimento a tomar.
Nossa plataforma já liga isso por padrão. Precisamos fazer alguma coisa?
Precisa descobrir duas coisas que raramente aparecem na interface: qual covariável ela usa e qual janela pré-experimento considera. Essas duas escolhas definem o tamanho do ganho, e uma janela padrão de sete dias sobre um ciclo de compra mensal entrega quase nada. Peça as respostas por escrito e compare com a janela que maximiza a correlação na sua base.
Pré-requisitos antes de contar com redução de variância
Dados que precisam existir
0/4Diagnóstico antes de investir
0/4Operação e prestação de contas
0/4Ficha CRO de redução de variância por superfície
Preencha antes de prometer prazo menor a qualquer pessoa. O documento serve para a conversa com o time de dados e para a negociação com o fornecedor de experimentação, e transforma uma expectativa genérica em número medido na sua base.
Documento montado
FICHA DE REDUÇÃO DE VARIÂNCIA - [SUPERFÍCIE E TESTE EM QUESTÃO] Métrica primária: [MÉTRICA PRIMÁRIA] Visitantes sem histórico anterior: [PROPORÇÃO DE VISITANTES SEM HISTÓRICO ANTERIOR] Destino combinado do ganho: [DESTINO DO GANHO, DECIDIDO ANTES DE MEDIR] COVARIÁVEL E JANELAS TESTADAS [COVARIÁVEL CANDIDATA E JANELA TESTADA] CORRELAÇÃO MEDIDA [CORRELAÇÃO MEDIDA POR JANELA] Leitura: a correlação é o TETO do ganho que a técnica consegue entregar nesta base. Correlação fraca significa que o método não vai ajudar, e o caminho passa a ser trocar a métrica primária por uma mais frequente e correlacionada com a conversão final. RESPOSTAS DO FORNECEDOR (por escrito) [RESPOSTAS DO FORNECEDOR, POR ESCRITO] REGRAS QUE NÃO SE NEGOCIAM 1. A covariável é anterior à randomização, sem exceção. Variável coletada depois do início do teste contamina o ajuste com o próprio efeito do tratamento. 2. O ajuste é aplicado igualmente aos dois braços. 3. O relatório final declara que a métrica foi ajustada e por qual covariável. Número ajustado apresentado como bruto é um passivo. 4. Em superfície de aquisição fria, o dimensionamento é feito pelo cálculo tradicional e não conta com desconto nenhum.
O que você digitar fica salvo neste navegador. Nada é enviado para servidor algum.
Escolha a métrica primária mais cara do seu programa, aquela cuja conta de amostra sempre estoura o prazo, e meça a correlação entre ela e o comportamento do mesmo visitante nas quatro semanas anteriores. Essa correlação é o teto do ganho que CUPED consegue entregar na sua base. Correlação alta justifica exigir o recurso do fornecedor ou implementar o ajuste na sua camada de análise; correlação baixa aponta para outro caminho, em geral trocar por uma métrica primária mais frequente.
Este módulo está concluído quando, nos próximos dez dias, você tiver (1) medido no warehouse a correlação entre a métrica primária mais cara do programa e o comportamento do mesmo visitante em pelo menos duas janelas pré-experimento, registrando todas as janelas testadas e não apenas a melhor; (2) apurado a proporção de visitantes sem histórico na superfície testada, número que costuma estar com a equipe de aquisição e quase nunca chega à conversa de desenho; (3) preenchido a ficha de redução de variância deste módulo e decidido, antes de rodar qualquer teste, se o ganho vira prazo menor ou MDE mais ambicioso. A correlação do item 1 é o teto do ganho, e nenhuma decisão de investimento na técnica deveria ser aprovada sem ela na mesa. Em superfície de aquisição fria, o item 2 costuma encerrar a discussão: sem histórico não existe covariável, e o dimensionamento volta ao cálculo tradicional.
Transfira para a sua rotina nesta semana
- Exija covariável medida antes do tratamento.
- Peça resultado de A/A e ganho real de variância.
- Mantenha a leitura original disponível para auditoria.
Perguntas frequentes deste capítulo
CUPED não está ajustando o resultado a favor da hipótese?
Preciso de cientista de dados para implementar?
Qual janela pré-experimento devo usar?
Dá para combinar CUPED com sequential testing?
O relatório precisa dizer que a métrica foi ajustada?
O fornecedor cobra a mais pelo recurso de redução de variância. Vale pagar?
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- 10Testes A/B: o que a estatística realmente exige
- 11Monitoramento contínuo e o fim da regra de não espiar
- 12CUPED e CUPAC: testes mais curtos sem perder rigor
- 13Armadilhas: SRM, Simpson e a maldição do vencedor
- 14Quando o A/B não serve: bandits, switchback e rede