MCP com Chrome: Automação com IA · Capítulo 13 de 16 · 33 min
Saber se um agente consegue operar o seu site
Relatório com critério publicado e reproduzível se defende numa reunião, coisa que nota inventada de checklist artesanal de GEO nunca consegue.
Este capítulo faz parte do curso gratuito MCP com Chrome: Automação com IA.
O que é: a categoria de navegação agêntica do Lighthouse é a régua que o próprio Google publicou para responder se o seu site é operável por um agente de IA, e não apenas por uma pessoa. Por que importa: quando quem decide a compra é um assistente que navega no lugar do cliente, uma página que o agente não consegue ler perde a venda sem deixar rastro no relatório de tráfego. A sua decisão: cobrar da equipe a razão de aprovação que a ferramenta realmente devolve e recusar qualquer nota de 0 a 100 apresentada para essa categoria, porque ela não existe. O que delegar: rodar a auditoria, listar as reprovações e escrever a correção de cada uma. O passo a passo para operar vem logo abaixo.
Glossário rápido
Navegação agêntica (categoria do Lighthouse)
Pense numa vistoria feita por um robô visitante no lugar de um inspetor humano. É a verificação, embutida no Lighthouse a partir da versão 13.3, de quatro condições que decidem se um agente consegue operar a página: árvore de acessibilidade bem formada, ferramentas declaradas válidas, arquivo de curadoria presente e ausência de deslocamento de layout.
llms.txt
Um arquivo de texto na raiz do site que lista, em linguagem simples, o que importa para um modelo de IA, à maneira de um índice deixado para o bibliotecário. Ele existe, tem formato definido e a auditoria confere se está bem escrito; o que não existe é prova pública de que publicá-lo aumente citação.
Num relatório de GEO (o trabalho de aparecer nas respostas das IAs, como vitrine para robôs), a primeira pergunta do cliente é sempre a mesma: de onde saiu esse número? Boa parte do mercado responde com um índice inventado na planilha, somando itens de um checklist artesanal e chamando o resultado de nota.
O problema disso aparece na segunda pergunta. Quando alguém pede o critério, a metodologia e a fonte, o índice se desmancha, e junto com ele a confiança no resto do documento.
Desde maio de 2026 existe uma régua publicada pelo próprio Google para a pergunta este site é operável por um agente: a categoria de navegação agêntica do Lighthouse. Ela é acionável pelo agente, é reproduzível por qualquer pessoa com o mesmo navegador, e vem com um limite explícito que muda o formato do seu entregável.
A categoria de navegação agêntica passou a fazer parte da configuração padrão do Lighthouse em 7 de maio de 2026 e audita quatro coisas: se a árvore de acessibilidade está bem formada, se as anotações e ferramentas declaradas pela página (WebMCP) são válidas, se o arquivo de curadoria para modelos existe e segue as recomendações de formato, e se há deslocamento de layout durante o carregamento.
Os requisitos de ambiente também são explícitos: Chrome 150 ou posterior, e a parte de WebMCP depende de inscrição no teste de origem.
Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
A categoria de navegação agêntica não produz nota ponderada de 0 a 100. Ela devolve uma razão fracionada de verificações aprovadas, status de aprovado ou reprovado por auditoria e algumas contagens informativas. Converter isso em nota é dado inventado: reprova a entrega e destrói sua credibilidade na primeira auditoria de terceiro.
Cada reprovação descreve um comportamento concreto do agente diante da sua página, e por isso o mecanismo vem antes da regra.
Árvore de acessibilidade mal formada significa que o agente perde o endereço estável do elemento. Sem papel e rótulo, ele cai em clique por coordenada, que quebra no primeiro ajuste de layout. Deslocamento de layout tem consequência gêmea: o agente mira o botão, o banner empurra o conteúdo, e o clique aterrissa em outro lugar.
1. navegar para a URL alvo -> a página precisa estar carregada antes 2. escolher o dispositivo -> desktop ou mobile, e declarar qual no relatório 3. escolher o modo -> navigation (carrega do zero) ou snapshot (estado atual) 4. rodar a auditoria -> salvar o JSON num diretório de destino 5. ler as auditorias uma a uma -> aprovada, reprovada, informativa 6. escrever o entregável -> aprovadas | reprovadas + correção | ressalvas
# Registra o servidor oficial do time do Chrome no Claude Code, no escopo do usuário.
claude mcp add chrome-devtools --scope user npx chrome-devtools-mcp@latest
# Confirma que o servidor respondeu e mostra quais ferramentas ele expõe.
claude mcp listO modo escolhido muda o que você está medindo. O modo de navegação recarrega a página do zero e mede o carregamento completo, que é o cenário do rastreador chegando frio. O modo de instantâneo audita o estado atual da página, e é o único jeito de avaliar o que só existe depois de login, de um passo de formulário ou de uma interação que revelou conteúdo.
Na prática você vai rodar os dois. A página pública audita bem no modo de navegação, e o painel autenticado só faz sentido no modo de instantâneo, depois que o agente já entrou.
Quando entregar, diga qual modo e qual dispositivo produziram cada bloco. Auditoria sem essa etiqueta não é reproduzível, e um relatório que ninguém consegue repetir vale tanto quanto uma opinião.
// ler-relatorio.mjs
// Uso: node ler-relatorio.mjs relatorio.json agentic
// Lê o JSON do Lighthouse e imprime aprovadas, reprovadas e informativas.
// De propósito, este script NUNCA imprime nota de 0 a 100 para a categoria.
import { readFileSync } from "node:fs";
const relatorio = JSON.parse(readFileSync(process.argv[2], "utf8"));
const alvo = (process.argv[3] || "agentic").toLowerCase();
// O identificador da categoria pode mudar entre versões do Lighthouse,
// então procuramos por um trecho do id ou do título em vez de cravar a chave.
const categoria = Object.values(relatorio.categories).find((c) =>
(c.id + " " + c.title).toLowerCase().includes(alvo),
);
if (!categoria) {
console.error("Categoria não encontrada. Disponíveis:", Object.keys(relatorio.categories).join(", "));
process.exit(1);
}
const aprovadas = [];
const reprovadas = [];
const informativas = [];
for (const ref of categoria.auditRefs) {
const auditoria = relatorio.audits[ref.id];
if (!auditoria) continue;
const modo = auditoria.scoreDisplayMode;
if (modo === "informative" || modo === "notApplicable") informativas.push(auditoria.title);
else if (auditoria.score === 1) aprovadas.push(auditoria.title);
else reprovadas.push(auditoria.title);
}
console.log("Categoria: " + categoria.title);
console.log("Aprovadas: " + aprovadas.length + " de " + (aprovadas.length + reprovadas.length));
for (const nome of reprovadas) console.log("REPROVADA " + nome);
for (const nome of informativas) console.log("INFORMATIVA " + nome);Repare no que o script devolve: uma razão do tipo aprovadas de total, a lista nominal das reprovações e as informativas separadas. É exatamente o formato que a categoria aceita. Qualquer transformação disso em percentual ponderado é invenção sua, não medição do Lighthouse.
Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
AUDITORIA DE LEGIBILIDADE POR AGENTE Rota: /plano-anual Dispositivo: mobile Modo: navigation Data: 2026-07-19 [1] VERIFICAÇÕES APROVADAS + árvore de acessibilidade bem formada nos elementos interativos + arquivo de curadoria presente e com cabeçalho válido [2] VERIFICAÇÕES REPROVADAS -> correção pontual - botão principal sem rótulo acessível -> incluir texto visível no <button> de envio - deslocamento de layout no carregamento -> reservar altura do banner de consentimento - nenhuma ferramenta declarada pela rota -> avaliar registro de ferramenta no formulário [3] RESSALVAS * categoria declarada experimental pelo próprio fornecedor * esta categoria NÃO produz nota de 0 a 100; o resultado é razão de aprovação * resultado de laboratório, colhido em uma rodada, neste ambiente
Falta situar o item mais superestimado da lista. O arquivo de curadoria para modelos, o llms.txt, teve adoção multiplicada por 8,8 entre junho de 2025 e maio de 2026, saindo de 4.088 para 36.120 sites em um monitoramento sobre mais de 3 milhões de domínios.
Do outro lado, uma análise de logs de servidor de 137 mil domínios indica que 97% dos arquivos nunca receberam sequer uma requisição. Entre as requisições que existiram, ferramentas de SEO (otimização para buscador, como arrumar a vitrine para o Google) responderam por 21,7% e bots de IA por 1,1%.
Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
O Google formalizou a posição sobre o llms.txt em documentação oficial de 15 de junho de 2026, "Clarifying guidance on llms.txt files": a Busca não usa o arquivo, nem para classificação nem para respostas geradas, e mantê-lo para outros serviços é aceitável. Existe também divergência de leitura entre as fontes: uma análise de abril de 2026 aponta correlação moderadamente positiva com citação, sem expor a metodologia, enquanto a análise de logs mede requisição e não uso. Declare esse conflito no entregável em vez de escolher o lado que convém. Publicar o arquivo custa pouco e a auditoria confere o formato, mas prometer ganho de citação por causa dele não tem lastro público.
# Existe mesmo? Baixa o arquivo e imprime o código de status HTTP.
curl -s -o llms.txt -w "%{http_code}\n" https://exemplo.com.br/llms.txt
# O formato bate com o que a auditoria espera?
head -n 1 llms.txt # a primeira linha precisa ser um H1, começando por "# "
grep -c "](" llms.txt # quantos links em formato Markdown o arquivo traz
wc -c llms.txt # tamanho em bytes, para flagrar arquivo vazio ou raquíticoSobra desfazer uma confusão de nome que atrapalha a conversa com cliente e com time técnico. MCP e WebMCP não são a mesma camada.
MCP conecta o modelo a servidores do lado do agente, na máquina de quem opera. WebMCP é o site declarando as próprias ferramentas dentro da sessão do visitante, para o agente não precisar adivinhar o formulário pelo DOM.
Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
// Cole como argumento de evaluate_script no chrome-devtools-mcp,
// com a página já aberta. Responde se a API de WebMCP existe neste
// navegador, sem afirmar nada sobre suporte em outros navegadores.
() => {
const api = typeof navigator !== "undefined" ? navigator.modelContext : undefined;
return {
apiPresente: Boolean(api),
registroDeFerramentaDisponivel: typeof api?.registerTool === "function",
agenteDoNavegador: navigator.userAgent,
};
};O WebMCP é rascunho de relatório de um grupo comunitário do W3C, publicado em 23 de abril de 2026. O teste de origem público chegou com o Chrome 149, e a documentação e o suporte no DevTools saíram em 18 de maio de 2026. Não há sinal público de suporte em outros navegadores. Trate como aposta com data para reavaliar, e não como requisito de projeto. Se um cliente pedir adoção agora, entregue o custo e o horizonte junto com a recomendação.
Quatro erros derrubam esse entregável: inventar nota para uma categoria que não tem escala; auditar só o DOM renderizado, esquecendo que os principais rastreadores de IA não executam JavaScript; vender o llms.txt como alavanca de citação; e omitir dispositivo e modo, o que torna o resultado impossível de repetir.
Como a auditoria aparece quando o agente roda o Lighthouse
Pelo servidor do Chrome, a chamada lighthouse_audit devolve quatro categorias de uma vez: navegação agêntica, acessibilidade, boas práticas e SEO. O artigo do time do Chrome de 22 de junho de 2026 agrupa a navegação agêntica em três frentes, acessibilidade, estabilidade visual e integração WebMCP, e mostra o agente lendo uma reprovação e explicando o impacto, como na figura.

Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
Repare que a pontuação de 67 vem de uma única reprovação. No seu entregável, mantenha a razão de verificações aprovadas e a lista nominal das reprovações, como o capítulo pede, em vez de repetir o número de 0 a 100 que o agente devolve.
Tarefa deste módulo: escolha uma página de conversão real (a que transforma visitante em cliente, como o caixa da loja), rode a auditoria pelo agente e monte o entregável de uma página com os três blocos do modelo acima.
No bloco de reprovações, cada linha precisa trazer a correção específica, não um conselho genérico. No bloco de ressalvas, declare que a categoria é experimental, que ela não produz nota de 0 a 100 e qual foi o dispositivo, o modo e a data da execução. Revise o documento antes de entregar: ele está pronto quando nenhuma linha traz nota de 0 a 100 e cada reprovação tem a sua correção.
Sua entrega passa quando: (1) o documento não contém nenhuma nota numérica fabricada para a categoria de navegação agêntica; (2) o bloco de ressalvas está presente e cita o caráter experimental, a ausência de escala de 0 a 100 e o ambiente da execução; (3) você consegue explicar, para cada reprovação listada, o que o agente deixa de fazer diante da página por causa dela; (4) o llms.txt aparece no relatório com a divergência de evidência declarada, sem promessa de ganho de citação.
O que chega à sua mesa é uma escolha de padrão de prova, não um detalhe de ferramenta. Aceite relatórios de legibilidade por agente que tragam a razão de aprovação, o dispositivo, o modo e a data da medição, e devolva sem ler qualquer documento que exiba uma nota inventada ou prometa ganho de citação por causa do llms.txt. Essa disciplina é o que segura a sua credibilidade na primeira auditoria de terceiro.
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