LLM FinOps: o custo da IA para quem assina o orçamento · Capítulo 4 de 24 · 13 min
Token, entrada e saída: a unidade da conta e a assimetria que decide onde cortar
Token é o kWh desta fatura, o preço vem sempre em par de entrada e saída, e a saída custa múltiplos da entrada em todos os grandes fornecedores.
Este capítulo faz parte do curso gratuito LLM FinOps: o custo da IA para quem assina o orçamento.
Verificação rápida
Antes de ler o módulo. Uma diretora precisa reduzir 20% da linha de IA sem trocar de fornecedor e sem cortar volume de uso. Ela pode instruir o time a encurtar o que é enviado ao modelo ou a encurtar o que o modelo devolve. Qual das duas pontas rende mais economia por caractere cortado?
A cena costuma durar três minutos. Alguém abre a fatura do fornecedor de IA, aponta um total de cinco dígitos e faz a pergunta óbvia: quanto custa uma pergunta? O time técnico responde alguma coisa sobre tokens, o silêncio se instala, e a reunião termina com a decisão que sempre sobra quando ninguém domina a unidade de medida, que é pedir um relatório.
A pergunta não tem resposta porque a unidade não existe na fatura. Nenhum dos três maiores fornecedores cobra por pergunta, por consulta ou por usuário na API. O que a tabela publica é um par de preços por milhão de tokens, um para o que você envia e outro para o que o modelo devolve, e a distância entre esses dois números é o que decide onde vale cortar. Treze minutos aqui compram a capacidade de ler qualquer tabela de preço de IA sem intermediário e de reprovar, com argumento, um comparativo de fornecedor construído sobre unidade inventada.
Ao final deste módulo você será capaz de: (1) ler sozinho uma tabela de preço de LLM, identificando o par de entrada e saída e a proporção entre eles; (2) decidir qual das duas pontas mandar medir e instruir primeiro no seu caso de uso de maior volume; (3) reprovar qualquer proposta que apresente custo por consulta, por pergunta ou por usuário como se fosse preço de tabela de API; (4) exigir do time um relatório mensal com tokens de entrada e de saída separados por caso de uso, em vez de uma linha agregada de gasto.
Glossário rápido
Token
A unidade em que a inteligência artificial é medida e cobrada, mais ou menos como o quilowatt-hora na conta de luz. Em inglês, algo em torno de quatro caracteres.
Token de entrada
Tudo o que você envia numa requisição: a instrução fixa, o histórico da conversa, o documento anexado e a lista de ferramentas disponíveis. É a ponta mais barata das duas.
Prompt
O pedido escrito que se envia ao modelo numa requisição, somando a instrução fixa da aplicação e a pergunta do momento. É a parte de entrada da conta, e o trecho fixo dele tem nome próprio, prompt de sistema, explicado em "A API não tem memória: a conversa inteira é recobrada".
Token de saída
Tudo o que o modelo devolve. Custa múltiplos do token de entrada em praticamente todo fornecedor, e é onde a instrução de concisão vira economia.
Preço por milhão de tokens
A unidade real de tabela do mercado, sempre cotada em par de entrada e saída. Custo por consulta não aparece em fatura nenhuma.
Janela de contexto
O teto de tokens que cabe numa única requisição. Teto grande é limite técnico, e não recomendação de uso.
Tier
A faixa em que sua conta de API está, definida por gasto acumulado. Governa vazão e teto de gasto mensal, e não muda o preço por token.
Limite de vazão
O teto de requisições e de tokens por minuto que a sua faixa permite. É restrição de capacidade, medida em três dimensões simultâneas.
Cache de prefixo
Guardar o começo estável do pedido para reler barato nas requisições seguintes. Tratado com preço e risco em "Cache de prefixo: o desconto de 90% com risco zero".
Lote
Enviar trabalho que pode esperar em troca de desconto de tabela. Tratado em "Metade da conta por esperar: o desconto de lote".
Token de raciocínio
O rascunho que alguns modelos produzem antes de responder, cobrado como saída. Tratado em "Tokens de raciocínio: o dial que ninguém regulou".
O medidor de energia, e a taxa de registro na resposta
A conta de luz cobra atividade medida: o medidor conta quilowatt-hora e a distribuidora multiplica pela tarifa. Frete por quilo funciona igual, minuto de call center também. Com inteligência artificial a mecânica é a mesma, com uma diferença que muda a decisão de quem aprova: o medidor roda nas duas direções. O que você manda entra por uma tarifa. O que volta sai por outra, várias vezes mais alta, como se cada resposta chegasse com taxa de registro embutida.
Duas tarifas no mesmo medidor. Quem só olha o volume de texto enviado está lendo metade da conta, e é a metade barata.
O que a tabela realmente vende
A própria Anthropic define token como cerca de quatro caracteres, ou aproximadamente três quartos de uma palavra em inglês, e avisa na mesma página que a contagem exata varia conforme o idioma e o tipo de conteúdo. Guarde essa ressalva, porque ela é o motivo pelo qual a mesma frase sai mais caro em português, assunto do módulo seguinte, "A conta em português custa mais caro".
Para dimensionar sem calculadora, a convenção que a FinOps Foundation registra resolve o problema do leigo. Cerca de 1.500 palavras em inglês equivalem a aproximadamente 2.048 tokens. Um documento de três páginas, portanto, entra como algo em torno de dois mil tokens de entrada. Pela mesma régua, uma resposta de meia página, algo como 250 palavras, sai como uns 340 tokens. Segure essas duas ordens de grandeza e a tabela de preço deixa de ser abstrata: você passa a converter documento em token de cabeça, com erro aceitável para decidir orçamento.
- Etapa 1 de 5: O pedido entra
Instrução fixa, histórico, documento anexado e lista de ferramentas, tudo junto na mesma requisição.
- Etapa 2 de 5: O texto é fatiado
Uma régua chamada tokenizador corta o texto em pedaços de cerca de quatro caracteres em inglês.
- Etapa 3 de 5: Os pedaços são contados
A contagem de entrada fecha antes de o modelo começar a responder.
- Etapa 4 de 5: A resposta é contada à parte
Cada pedaço devolvido entra em outra linha da fatura, com outra tarifa.
- Etapa 5 de 5: Duas tarifas, uma fatura
Entrada vezes o preço de entrada, mais saída vezes o preço de saída. Não há terceira parcela.
Onde mora o multiplicador
Nas páginas oficiais de preço de julho de 2026, a proporção entre as duas tarifas é surpreendentemente estável. Em toda a linha Claude a saída custa exatamente cinco vezes a entrada, do modelo mais barato ao mais caro. Na OpenAI a distância é maior, com a saída em seis vezes a entrada nos modelos principais. No Google, a família Flash repete a proporção de cinco.
Três fornecedores independentes publicam a mesma ordem de proporção. Não há medição pública que explique a coincidência em detalhe, e para a decisão executiva isso é secundário: o que a tabela garante é que a ponta cara é a saída, em todos eles, e que nenhuma negociação de contrato vai inverter essa relação. O que muda de fornecedor para fornecedor é o valor absoluto, e é isso que a tabela abaixo permite comparar.
Preço por milhão de tokens, entrada e saída, cotação de julho de 2026
| Modelo e fornecedor | Entrada (US$ por milhão) | Saída (US$ por milhão) | Saída dividida pela entrada |
|---|---|---|---|
| Claude Opus 5 (Anthropic) | 5,00 | 25,00 | 5x |
| Claude Fable 5 (Anthropic) | 10,00 | 50,00 | 5x |
| Claude Sonnet 5 (Anthropic) | 2,00 | 10,00 | 5x |
| Claude Haiku 4.5 (Anthropic) | 1,00 | 5,00 | 5x |
| gpt-5.6-sol (OpenAI) | 5,00 | 30,00 | 6x |
| gpt-5.6-terra (OpenAI) | 2,50 | 15,00 | 6x |
| gpt-5.4-nano (OpenAI) | 0,20 | 1,25 | 6,3x |
| Gemini 3.6 Flash (Google) | 1,50 | 7,50 | 5x |
Preço de LLM é dado perecível e esta tabela tem prazo curto de validade. O Claude Sonnet 5 aparece na tarifa introdutória, válida até 31 de agosto de 2026, e passa a US$ 3 de entrada e US$ 15 de saída em 1º de setembro de 2026, um aumento programado de 50%. Ao copiar qualquer linha desta tabela para um material interno, leve a data da cotação junto com o número e reconfira na página do fornecedor antes de usá-la em decisão de orçamento.
Fonte: Páginas oficiais de preço da Anthropic, da OpenAI e do Google, consultadas em julho de 2026
Custo por consulta não existe em fatura nenhuma. Nenhum dos três fornecedores da tabela precifica por consulta, por pergunta ou por usuário na API. Quando uma proposta comercial, um relatório interno ou um comparativo de fornecedor exibe uma coluna de custo por consulta com três ou quatro casas decimais, uma de duas coisas aconteceu: alguém dividiu um gasto total por um número de chamadas e esqueceu de dizer isso, ou alguém preencheu a célula com plausibilidade. As duas merecem a mesma pergunta em voz alta, feita na hora: qual foi o total de tokens de entrada, qual foi o de saída, e de que período. Custo médio por chamada é métrica derivada legítima quando as três bases aparecem ao lado. Sem elas, é um número que ninguém consegue reproduzir, inclusive quem o apresentou.
Duas formas de encurtar texto, e o retorno de cada uma por unidade de esforço
Enxugar o prompt como primeira frente
Retorno menor por esforço
- Exige revisar todas as instruções fixas já escritas pelo time, uma a uma
- Cada caractere cortado vale a tarifa mais baixa das duas pontas
- Mexe no que já funciona, com risco de derrubar a qualidade da resposta
- Trabalho recorrente, porque cada novo caso de uso reabre a revisão
- Costuma ser apresentado como otimização de custo sem retorno declarado
Instruir saída concisa e limitar o formato
Comece por aqui
- Uma linha de instrução, aplicável a todos os casos de uso de uma vez
- Cada caractere cortado vale de cinco a seis vezes mais, pela tarifa de saída
- Reversível no mesmo dia se a resposta ficar curta demais para o usuário
- Mensurável em uma semana, comparando tokens de saída por resultado entregue
- Aprovação simples, porque não depende de projeto de infraestrutura nem de troca de fornecedor
A conta de duas pontas, feita com números seus
A tarifa aponta a saída. O volume pode apontar o outro lado, e quem decide é o produto dos dois. Um exemplo ilustrativo, com números redondos escolhidos para facilitar a leitura.
- Volume mensal medido: 400 milhões de tokens de entrada e 40 milhões de tokens de saída. É uma proporção comum em atendimento, onde o pedido carrega histórico de conta e a resposta é curta.
- Tarifa do Claude Opus 5 em julho de 2026: US$ 5 por milhão na entrada e US$ 25 por milhão na saída.
- Conta: 400 vezes 5 dá dois mil dólares de entrada; 40 vezes 25 dá mil dólares de saída. Três mil dólares no mês.
Repare no que a coluna de volume esconde. A entrada tem dez vezes mais tokens que a saída e responde por dois terços da fatura, não pela quase totalidade dela, porque a tarifa mais alta do outro lado compensa parte da diferença. Cortar 20% da entrada economiza quatrocentos dólares; cortar 20% da saída economiza duzentos. Nesse caso específico a entrada ganha, e ganha por volume. Em um caso de uso de geração de texto, com pedido curto e resposta longa, a conta inverte e a saída passa a dominar sozinha.
A lição operacional é essa: quem aponta a ponta certa é o produto entre tarifa e volume, calculado por caso de uso. A tabela isolada não decide, o volume isolado também não. É por isso que a pergunta ao time é sempre a mesma, e ela cabe em uma frase: me mostre entrada e saída separadas, por caso de uso, com o mês fechado.
A fatura de IA fechou o mês em três mil dólares, com dois terços vindos de tokens de entrada num assistente que responde dúvidas de clientes consultando o histórico da conta. O conselho pediu 20% de corte na linha, sem reduzir o número de atendimentos e sem trocar de fornecedor. O time trouxe três propostas na mesma reunião, nenhuma delas com retorno declarado em dólares.
Sabendo que a saída custa cinco vezes a entrada e que a entrada responde por dois terços desta fatura, qual proposta você aprova primeiro?
Tier não é plano comercial
Uma confusão específica atravessa quase todo material de IA em circulação, e ela chega às reuniões de compras. Não existem tiers Free, Professional e Enterprise na API do Claude. O que existe são faixas de conta que sobem conforme o gasto acumulado e que governam duas coisas bem distintas de preço: a vazão que você pode consumir por minuto e o teto de gasto mensal da conta. Na Anthropic esses tetos são de US$ 500 na faixa Start, US$ 1.000 na Build e US$ 200.000 na Scale. Ao atingir o teto da faixa, o uso da API é pausado até o mês seguinte, salvo pedido de aumento.
Duas consequências para quem aprova orçamento. A primeira é que existe teto nativo, sem custo, e a maioria das equipes nunca configurou o limite complementar que a própria empresa pode definir; ele é o artefato assinável do módulo "Teto de gasto: o que mandar ligar esta semana". A segunda é que subir de faixa não barateia o token, porque a tabela de preço é a mesma em todas elas. Quem levar à mesa de compras a promessa de desconto por mudança de tier vai negociar algo que não está sendo vendido.
O que a fatura de token não cobre
Fecho com a limitação do próprio medidor, porque ela é a pergunta que o conselho faz na reunião seguinte. A FinOps Foundation descreve o custo de inteligência artificial em nove camadas: inferência de modelo, computação e armazenamento em nuvem, infraestrutura de data center, rede e egresso, IA embutida em software de assinatura, engenharia e governança, aquisição e licenciamento de dados, uso não aprovado de ferramentas de IA e treino de modelo. O token que você acabou de aprender a ler cobre a primeira camada, e dentro dela apenas a parcela variável.
Isso não diminui o medidor. A inferência é a camada que cresce sem pedir licença, é a que responde mais rápido a decisão executiva e é a única que você consegue instrumentar nesta semana. Serve de advertência contra uma frase que aparece em todo comitê: a conta de IA da empresa é maior que a fatura da API, e quem apresenta a segunda como se fosse a primeira está subestimando o próprio orçamento na frente do conselho.
Três pedidos ao time, nesta ordem. (1) O relatório mensal passa a trazer tokens de entrada e tokens de saída separados, por caso de uso, em vez de uma linha agregada de gasto. (2) Cada caso de uso ganha a proporção entre as duas pontas, porque é ela que diz se a alavanca está no pedido ou na resposta. (3) A instrução de concisão e o limite de formato entram primeiro no caso de uso com maior volume de saída, com medição antes e depois na mesma semana. Como saber se a resposta é boa: você recebe quatro números por caso de uso, que são tokens de entrada, tokens de saída, a tarifa aplicada em cada ponta e a data da cotação. Se vier um número só, o relatório voltou incompleto e a decisão continua impossível.
A decisão deste módulo, antes de seguir adiante: escolha o seu caso de uso de IA de maior volume e escreva qual das duas pontas você vai mandar medir e instruir primeiro, justificando em uma frase que cite tarifa e volume. Em seguida, anote a proporção que você espera encontrar entre entrada e saída nesse caso. Guarde a estimativa. Quando o relatório com as duas pontas separadas chegar, a distância entre o que você esperou e o que veio é a medida exata do que a sua empresa ainda não sabe sobre a própria conta.
Perguntas frequentes deste capítulo
Por que ninguém me mostra o custo por pergunta do cliente?
Por que não existe um preço único por modelo, como existe por assento de software?
A fatura de token é o custo total da IA na empresa?
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