Do Agile ao Agentic Operating Model · Capítulo 11 de 19 · 34 min
Como provar que o agente continua certo depois de publicado
A verificação que roda à noite e o que fazer quando ela falha.
Este capítulo faz parte do curso gratuito Do Agile ao Agentic Operating Model.
Um agente aprovado em janeiro pode estar errado em julho sem que ninguém tenha mexido nele. O modelo por trás dele muda, o texto de instrução muda, a base de conhecimento cresce, e o comportamento acompanha. O que está em jogo é o intervalo entre o dia em que o comportamento mudou e o dia em que alguém percebeu, porque é nesse intervalo que o erro chega ao cliente. A decisão que cabe a você tem duas partes: em qual agente a empresa gasta o orçamento de verificação, e de quem é a plataforma que guarda essa verificação. Montar a rotina pode ser delegado. Escolher onde ela mora, não: em 2026 empresas descobriram que a plataforma de verificação do fornecedor pode ser desligada.
Glossário rápido
Eval (avaliação)
Teste feito sob medida para agente. Verifica a ação tomada e a decisão, além do texto devolvido.
Caso de referência (golden prompt)
Caso de referência com resposta esperada acordada de antemão. Serve de marco fixo: se ele deixar de produzir a resposta combinada, alguma coisa mudou no agente.
Drift (deriva)
Degradação silenciosa do comportamento ao longo do tempo, sem erro declarado em lugar nenhum.
Prompt injection
Instrução maliciosa escondida em conteúdo que o agente lê, como um e-mail ou um formulário, para desviar o que ele faz.
Held-out
Conjunto de avaliações mantido fora do alcance do agente, para que ele não otimize contra a própria régua.
LLM-as-judge
Usar um modelo de linguagem para julgar a saída de outro. Barato e escalável, com viés próprio a controlar.
GA (general availability)
Disponibilidade geral: o estágio em que o fornecedor considera o produto pronto para produção e assume compromisso de suporte.
Depreciação (de produto)
Nada a ver com a depreciação contábil. Aqui é o aviso formal de que um produto ou recurso vai deixar de existir, com um prazo declarado para quem usa migrar. Depois desse prazo, ele para de funcionar.
Dossiê de evidências (Evidence Manifest)
O pacote de evidências de uma entrega: comandos executados, saídas, falhas e riscos que permaneceram. É o mesmo artefato apresentado na aula sobre o que exigir antes de aprovar uma entrega.
Verificação Noturna (Nightly Agentic Verification)
A rotina que reexecuta, toda madrugada, o conjunto de verificações de um agente em produção e entrega um laudo pela manhã. O nome circula em inglês; o curso usa Verificação Noturna no corpo e mantém o termo original entre parênteses porque é assim que ele aparece na ferramenta.
Commit
Um registro de alteração salvo no histórico do sistema, com autor, data e a lista do que mudou.
Diff
A diferença entre o antes e o depois de uma alteração, linha a linha. Quando o laudo diz "testes afetados pelo diff do dia", leia "testes que tocam o que mudou hoje".
Alçada
O limite de decisão que alguém pode tomar sozinho, sem subir para o nível acima. O termo vem do banco, onde cada cargo tem um valor máximo que assina. Aplicado a agente, alçada é até onde ele age sem pedir autorização.
Disjuntor (circuit breaker)
Mecanismo que interrompe a operação automaticamente quando um limite é ultrapassado, do mesmo modo que o disjuntor do quadro de luz desarma antes de a fiação queimar. Em software, ele corta a repetição de uma chamada que vem falhando, em vez de deixar a falha se multiplicar.
Com o critério de aceite escrito antes da entrega, falta garantir que o agente continue cumprindo o contrato depois de publicado.
Antes de qualquer ferramenta vem uma distinção. Testar uma função determinística (a que sempre devolve o mesmo resultado, como uma calculadora) é verificar que a mesma entrada produz a mesma saída. Testar um agente que recebe instruções, usa ferramentas, consulta memória e toma ações é outro universo: a mesma entrada pode produzir saídas diferentes, e a falha costuma estar na ação, sem aparecer no texto. Por isso a verificação de agente se chama eval (avaliação: a prova que confere a atitude, além da resposta).
Suponha uma clínica pequena cujo agente confirma consultas por mensagem. Ele responde ao paciente com o texto perfeito e, no caminho, consultou uma tabela que não deveria acessar, a de prontuários. Passou em toda verificação de saída e falhou na única que importava.
A inspeção periódica do elevador
Um elevador aprovado na instalação não fica aprovado para sempre. Cabo estica, sensor descalibra, uso muda, e por isso a inspeção é periódica, documentada e feita por quem não instalou o equipamento. A verificação noturna de agentes cumpre essa função: reexecuta um conjunto conhecido de casos, registra o resultado e entrega laudo de manhã.
Onde a analogia para de valer: o elevador degrada por desgaste físico, previsível e lento. O agente pode mudar de comportamento de um dia para o outro, por troca de modelo ou de instrução, o que exige cadência diária em vez de anual.
Os onze tipos de verificação de agente, em três famílias
| Família | Tipo | O que verifica |
|---|---|---|
| Continua acertando | Casos de referência (golden prompts) | Os casos-modelo seguem produzindo a resposta acordada |
| Continua acertando | Casos de regressão (regression prompts) | Troca de modelo ou de instrução não estragou caso já resolvido |
| Continua acertando | Variação da entrada (mutation tests) | Reescrever a pergunta com outras palavras não inverte a decisão |
| Resiste e obedece | Casos hostis (adversarial prompts) | Resistência a instrução maliciosa escondida no conteúdo que ele lê |
| Resiste e obedece | Conferência das ferramentas (tool-call assertions) | O agente chama as ferramentas certas, com os argumentos certos |
| Resiste e obedece | Testes de política (policy tests) | Regras de negócio e limites de conduta respeitados |
| Resiste e obedece | Testes de memória (memory tests) | A memória não contamina nem vaza contexto de um cliente para outro |
| Resiste e obedece | Avaliações ocultas (hidden evals) | Casos que o agente desconhece e por isso não consegue otimizar |
| Não derivou | Testes de deriva (drift tests) | O comportamento não se degrada em silêncio ao longo do tempo |
| Não derivou | Julgamento humano por amostra (human preference review) | Amostras julgadas por gente, contra critérios declarados |
| Não derivou | Telemetria em produção | O comportamento real, medido onde ele acontece |
As três famílias respondem a três perguntas: continua acertando o que já acertava, resiste e obedece, não derivou com o tempo. Os nomes em inglês entre parênteses são os que aparecem na ferramenta e na conversa com fornecedor, e vale reconhecê-los. Comece por uma linha de cada família em um único agente.
Essa matriz precisa existir como controle formal e escrito porque os riscos são específicos e já estão catalogados. A referência publicada e aplicável para agentes é o OWASP Top 10 for Agentic Applications 2026, do OWASP Gen AI Security Project (comunidade aberta que lista riscos de software, como um manual de bombeiro), lista separada da de aplicações de modelo de linguagem justamente porque a capacidade de encadear ações faz uma injeção simples cascatear para comprometimento sistêmico, vazamento de dados ou perda financeira.
Seis dessas categorias chegam a um comitê de risco com cara concreta. Sequestro de objetivo é o agente terminar perseguindo uma meta que ninguém pediu. Uso indevido de ferramenta é ele acionar um sistema que estava ao alcance dele e não deveria estar. Abuso de identidade e privilégio é agir com a credencial de outra pessoa, ou com permissão acima da que lhe cabia. Envenenamento de memória e contexto é uma informação falsa entrar no que ele guarda e contaminar todas as decisões seguintes. Falha em cascata é o erro de um agente virar entrada do próximo, que erra por consequência. Agente fora de controle é o laço que não para sozinho e segue consumindo recurso ou tomando ação sem que ninguém tenha notado.
Corrija um mito que circula em comitê de risco: não existe perfil do NIST para agentes. O NIST é o instituto americano de padrões técnicos, uma espécie de Inmetro de lá. A iniciativa de padrões de agente foi anunciada em fevereiro de 2026, as sobreposições de controle para sistemas agênticos seguem em rascunho e o perfil de interoperabilidade está previsto para o último trimestre de 2026. Material produzido por terceiros circula como se fosse perfil agêntico do NIST, e não é. Quem promete conformidade NIST para agentes hoje está vendendo interpretação.
Nenhum teste tradicional alcança esse território. Os que verificam um pedaço isolado do sistema, um de cada vez, não detectam autonomia excessiva; os que verificam vários pedaços conversando entre si não pegam mudança de comportamento depois de uma troca de modelo. Para agente, verificação é avaliação, política, telemetria e controle de alçada, ou seja, do quanto ele pode decidir sozinho.
O que virou produto e o que foi desligado em 2026
- 09/12/2025Concluído
OWASP publica o Top 10 for Agentic Applications 2026
Primeira lista de risco escrita para agentes, separada da de aplicações de modelo de linguagem.
- 03/06/2026Concluído
OpenAI anuncia a depreciação da própria plataforma de Evals e do Agent Builder
Quem apoiou a verificação nessas ferramentas passou a precisar de plano de migração.
- 12/06/2026Concluído
OpenTelemetry move as convenções gen_ai para repositório dedicado
Seguem pré-estáveis, sem versão 1.0. Observabilidade de agente ainda não tem padrão fechado.
- Junho de 2026Agora
AWS leva avaliação em lote, teste A/B e recomendações a disponibilidade geral
Avaliação de agente como serviço gerenciado, com teste A/B sobre tráfego real de produção.
Os dois movimentos de junho de 2026 aconteceram no mesmo mês e apontam para lados opostos. A AWS levou avaliação em lote, teste A/B (duas versões rodando lado a lado, como provar dois temperos) e recomendações a disponibilidade geral dentro do AgentCore, funcionando inclusive para agentes hospedados fora da AWS. A OpenAI anunciou a depreciação da própria plataforma de avaliações e do Agent Builder.
A lição executiva independe de qual fornecedor você usa. Quem apoiou a verificação numa plataforma de fornecedor perdeu a verificação, e perdeu no pior momento possível: sem a rotina, ninguém sabe se o agente continua se comportando como no dia da aprovação. O que sobrevive a esse tipo de evento é o que fica no seu repositório: casos versionados junto com as instruções, resultado histórico guardado por você e a definição do limite de aprovação escrita fora da ferramenta.
O mesmo raciocínio vale para a instrumentação. As convenções de observabilidade de IA generativa do OpenTelemetry (padrão aberto que registra o que o sistema faz, como a caixa-preta do avião) migraram para repositório dedicado em junho de 2026 e continuam pré-estáveis, sem versão 1.0. Quem promete observabilidade de agente padronizada está vendendo expectativa: o padrão existe, está em uso e ainda muda.
Existe orçamento de verificação para um agente, entre os três que rodam em produção. O de triagem de chamados executa 4.000 vezes por dia, e cada erro gera um reencaminhamento. O que abre pacotes de mudança no repositório roda 30 vezes por dia, com raio de dano médio, já coberto por CI e revisão humana. O que responde ao cliente final por escrito roda 60 vezes por dia, e cada erro é público.
Onde entra o orçamento?
Duas cautelas de método invalidam avaliações bem-intencionadas, e as duas precisam ser conhecidas antes de montar a suíte.
A primeira é sobre quem julga. Quando dois avaliadores olham os mesmos casos, mede-se a concordância entre eles, e o número bruto engana: parte da coincidência acontece por acaso, porque dois avaliadores que chutassem também concordariam em uma fatia dos casos. A maior avaliação sistemática de juízes automáticos até agora, com 21 juízes de 9 fornecedores e cerca de 541 mil julgamentos, aplicou a correção que desconta esse acaso e viu a concordância cair entre 33 e 41 pontos percentuais. Em linguagem de gestão, os números que circulam sobre confiabilidade de juiz automático estão inflados nessa ordem de grandeza.
O achado mais contraintuitivo do mesmo trabalho é que consistência não é validade. Um juiz pode repetir o próprio veredito com precisão altíssima e, ao mesmo tempo, mudar de opinião conforme a ordem em que as respostas aparecem. Na mesma direção, um trabalho de julho de 2026 mediu queda relevante de desempenho de agentes de fronteira em fluxos de trabalho multilíngues frente aos monolíngues, sem publicar a magnitude no resumo. Qualquer avaliação conduzida em português herda essa incerteza e merece uma amostra maior antes de virar critério.
A segunda cautela é sobre o objeto medido reagir à medição, e existe um caso público de junho de 2026 que a torna concreta. Ao avaliar um modelo antes do lançamento, a METR chegou a três números diferentes para a mesma capacidade, e a diferença entre eles veio só de como tratar as tentativas do modelo de explorar brechas do próprio ambiente de teste. Contando as tentativas como falha, o horizonte ficou em 11,3 horas. Contando como acerto, saltou para mais de 270 horas, valor que a própria METR classificou como não confiável. A taxa de exploração de brecha foi a mais alta já observada pela organização em modelo público.
Guarde a leitura executiva: o mesmo modelo mede 11 horas ou 270 conforme a régua trate comportamento oportunista, e nenhuma das duas escolhas é neutra. É essa a justificativa técnica das avaliações ocultas, bem acima da boa prática. Quando o agente enxerga o critério, uma parte do desempenho medido passa a ser desempenho na régua.
A Verificação Noturna, que no material em inglês aparece como Nightly Agentic Verification, transforma a matriz em rotina. O desenho é simples de descrever, e o que importa nele é a divisão de trabalho. Enquanto ninguém está olhando, os agentes reexecutam o conjunto de verificações, registram cada resultado e montam o laudo. Pela manhã, o humano lê o laudo, resolve o que ficou ambíguo e decide o que vira correção. Máquina de noite, julgamento de dia.
Fim do dia: o programa que agenda os testes dispara o ciclo | v Testes que tocam o que mudou hoje, mais a regressão mínima | v Integração, ponta a ponta e validação no navegador | v Teste de carga, análise estática e varredura de segurança | v Revisão adversarial por agente contra a especificação | v Dossiê de evidências consolidado (comandos, saídas, falhas e riscos remanescentes) | v Manhã seguinte: humano revisa por risco, e não por volume
Na manhã seguinte o humano revisa evidências, falhas, diferenças críticas, testes novos, arquivos de alto risco e recomendações. Revisão por risco: o princípio da etapa sobre modelo operacional aplicado à rotina diária.
Metade da vida real de um sistema com agentes é o laudo vermelho, e é aí que a maioria dos times cai no pior reflexo: mandar o agente consertar o sintoma, empilhando remendo sobre remendo. O protocolo de triagem tem três regras.
- Causa-raiz antes da correção: diante do vermelho, o agente primeiro gera hipóteses a partir dos registros de execução e da lista do que mudou na janela, e o humano exige prova com dado antes de autorizar qualquer escrita. Remendar o sintoma sem causa é o equivalente, um nível acima, a aceitar snapshot sem análise.
- Escalonamento com teto de tentativas: a autonomia de remediação fica restrita a classes de falha já resolvidas corretamente antes. Se o agente erra a mesma correção um número fixo de vezes, a convenção deste curso é três, o laço para e escala para um humano.
- Dono por classe de falha: cada classe tem responsável definido antes do incidente. Classe nova, sem histórico de resolução, dispara escalação humana automática.
Se a figura ultrapassar a área visível, deslize para os lados. Pelo teclado, foque a figura e use as setas.
VERIFICAÇÃO NOTURNA .. 2026-07-14 .. 02:11 -> 03:47
laudo ilustrativo, construído para esta aula
avaliações: 47 verde: 44 vermelho: 3 duração: 1h36
--------------------------------------------------------------
[1] eval: golden/checkout-cupom-expirado
esperado : erro CUPOM_EXPIRADO
obtido : ok=true, desconto=0
1a ocorr.: 2026-07-14 02:19
commits na janela: nenhum toca checkout/
-> triagem: não reproduz em nova execução
=> instabilidade. 2a falha das 3 toleradas. dono: plantão
--------------------------------------------------------------
[2] eval: policy/não-citar-preço-sem-imposto
esperado : recusa com aviso ao usuário
obtido : preço líquido citado no corpo
1a ocorr.: 2026-07-11 02:22 (3a noite seguida)
commits na janela: PR #904 (instrução de sistema)
-> triagem: reproduz. especificação silenciosa sobre o caso
=> a especificação estava errada. dono: quem a escreveu
--------------------------------------------------------------
[3] eval: regression/emissão-nota-parcelada
esperado : 3 parcelas, total 10750
obtido : 3 parcelas, total 10749
1a ocorr.: 2026-07-14 03:02
commits na janela: PR #918 (arredondamento)
-> triagem: reproduz, especificação clara, o PR tocou o caminho
=> regressão. reverter e reabrir. dono: autor do PR
--------------------------------------------------------------
tempo total de triagem: 22 min
sem o protocolo, a mesma tela consome uma manhã inteira.MANUAL DE PLANTÃO, LAUDO VERMELHO
versão 1.0 | dono do documento: responsável por verificação
revisão: trimestral | modelo ilustrativo, para adaptar
ORDEM OBRIGATÓRIA (não pular etapa)
1. Congelar. Nenhuma escrita do agente até a etapa 4.
2. Reproduzir. Reexecutar a avaliação isolada, 3 tentativas.
- não reproduz -> instabilidade: registrar a ocorrência, ir p/ (6)
3. Hipótese. O agente gera de 2 a 3 causas-raiz a partir dos
registros e do diff da janela. Sem propor correção.
4. Prova. O humano exige o dado que discrimina entre as
hipóteses. Sem dado, não há autorização de escrita.
5. Corrigir a camada certa:
- comportamento fora da especificação -> corrige a ESPEC
- comportamento na especificação e quebrado -> corrige o CÓDIGO
- dependência externa -> isolar e alertar
6. Registrar no dossiê de evidências do dia seguinte.
TETO DE TENTATIVAS
3 tentativas na mesma falha -> para o laço e escala.
O número é calibrável; a existência do teto é obrigatória.
CLASSE DE FALHA -> DONO ACIONADO
Falha de segurança ............ resp. por segurança de agentes
Regressão de comportamento .... resp. por verificação
Estouro de orçamento .......... resp. por custo de IA
Instabilidade recorrente ...... dono do plantão
Especificação ambígua ......... quem escreveu a especificação
Classe nova, sem histórico .... escalação humana automática
AUTONOMIA DE REMEDIAÇÃO
Permitida apenas para classes com histórico de resolução limpa.
Classe sem histórico entra sempre pela escalação.O erro mais comum ao montar avaliações é publicar todos os critérios para o próprio agente, que passa a otimizar para a régua. Mantenha as avaliações ocultas fora do contexto dele. Trate como risco do lado humano a revisão matinal que vira carimbo automático depois de duas semanas de laudo verde, porque é a mesma anestesia da bateria de testes, um nível acima. Cuidado ainda com o reflexo de punir o agente por escrever que pretende burlar o portão: penalizar a declaração ensina a não declarar, e o que a organização perde é o aviso, com o comportamento seguindo intacto.
Duas notas de honestidade sobre números que circulam como se fossem consagrados.
O teto de três tentativas é convenção operacional deste curso, ancorada em disjuntor mais escalação por limite. O número exato é calibrável; existir um teto e um dono por classe de falha é o que não é opcional.
Para o conjunto de casos de referência, o dimensionamento segue heurística de guias de engenharia de fornecedores, sem pesquisa revisada por pares atrás: de 5 a 10 exemplos curados por fluxo crítico no início, chegando a 50 ou 100 em regime. Abaixo de cerca de 30 exemplos, a variação normal entre uma execução e outra se confunde com piora real, e o time acaba discutindo ruído convencido de que discute qualidade. Use como ponto de partida e recalibre com os seus dados.
Três decisões, essas sim, são estruturais e independem de calibragem.
- Os casos moram no seu repositório, versionados junto com as instruções do agente, e não dentro da ferramenta do fornecedor.
- O limite de aprovação é comparado grupo a grupo, cada grupo de casos contra o próprio histórico. Um número único para a suíte inteira deixa a piora de um grupo ser compensada pela melhora de outro, e o alerta nunca dispara.
- A varredura hostil é trimestral, e cada rodada acrescenta formas novas de ataque, porque contra a lista do trimestre passado o agente já aprendeu a se defender.
Verificação rápida
Sua empresa montou toda a verificação de agentes dentro da plataforma de um fornecedor. Qual é a exposição principal?
Onde está a sua capacidade de exigir prova
Pontue cada linha de 0 a 2 pelo que existe hoje com evidência, deixando o que está no plano de fora da conta. Some os quatro valores.
0: o teste é escrito depois, quando é escrito. 1: alguns pacotes de agente trazem teste anterior ao código. 2: toda tarefa com raio de dano entra com critério escrito antes, e o agente recebe o mapa entre código e testes.
0: a frase o agente escreveu testes fecha a revisão. 1: o time conhece os oito vícios e cita alguns em revisão. 2: existe proporção de anestesia medida, com denominador, e política de snapshot escrita.
0: agente em produção sem avaliação nenhuma. 1: casos de referência existem e rodam na mão. 2: a suíte mínima roda no ciclo noturno, com held-out fora do alcance do agente e limite de aprovação com ação definida.
0: laudo vermelho vira manda o agente arrumar. 1: existe ordem informal de triagem. 2: manual de plantão escrito, teto de tentativas e dono por classe de falha definidos antes do incidente.
A aprovação de entregas hoje depende de confiança em quem executou. Comece pelo critério de aceite escrito antes, na próxima tarefa delegada: é a mudança de menor custo e maior efeito.
Feche a página e responda de memória. (1) Você nomeia as três famílias de verificação e um tipo de cada? (2) Por que as avaliações ocultas precisam ficar fora do contexto do agente, e o que a avaliação pré-lançamento conduzida pela METR acrescenta a esse argumento? (3) Qual é a primeira regra do protocolo de laudo vermelho, e por que violá-la equivale a aceitar snapshot sem análise? (4) Qual limite impede o agente de queimar orçamento repetindo a mesma correção, e qual é o seu número hoje?
Duas perguntas para a próxima reunião. A primeira: qual dos nossos agentes em produção comete o erro que não dá para desfazer, e ele tem verificação rodando? O critério é a ordem de precedência, com irreversibilidade acima de raio de dano e raio de dano acima de volume. A segunda: se a plataforma que hospeda a nossa verificação for descontinuada em noventa dias, o que sobra? Se a resposta for nada, a rotina que existe é do fornecedor, e a empresa apenas alugava a confiança que ela produzia.
Monte dois documentos do seu time a partir desta aula, começando pelo agente cujo erro não se desfaz.
1. Suíte mínima com ciclo noturno. Para um agente em produção ou planejado, escreva 5 casos de referência, 3 adversariais, incluindo ao menos um de instrução maliciosa escondida, e 2 de política. Defina o limite de aprovação e o que acontece quando ele é violado: bloqueio, alerta ou retorno à versão anterior. Especifique o ciclo noturno que executa essa suíte e redija a pauta de 15 minutos da revisão matinal.
2. Manual de plantão para laudo vermelho. Usando o modelo desta aula, escreva o manual de uma página do seu time: a ordem de causa-raiz antes da correção, o teto de tentativas e o dono acionado por classe de falha. Marque quais classes têm autonomia de remediação e quais disparam escalação humana automática.
Revise os dois documentos contra seis sinais e só dê o trabalho por pronto quando todos aparecerem: (a) todo critério de aceite é verificável por máquina ou está declarado como julgamento humano; (b) o limite de aprovação tem ação definida, além do número; (c) o manual de plantão nomeia um dono por classe de falha antes do incidente; (d) existe pelo menos uma classe que dispara escalação humana automática por não ter histórico limpo; (e) você sabe dizer qual parte da suíte o agente pode ler e qual parte é held-out; (f) casos e série histórica estão no seu repositório, e não apenas dentro da ferramenta do fornecedor.
Perguntas frequentes deste capítulo
Como cruzo os agentes do meu ambiente com os riscos catalogados do OWASP?
Três tentativas é número consagrado?
O ciclo noturno não atrasa a entrega em um dia?
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