Serra Park, 23 mil pessoas e uma curadoria que recusou o hype
Cheguei ao Serra Park na manhã de 6 de maio com a sensação de que o Gramado Summit havia mudado de escala. Vinte e oito mil metros quadrados, 350 palestrantes, 500 expositores e, ao longo dos três dias, cerca de 23 mil pessoas circulando entre palcos, ativações e arenas, segundo o Jornal do Comércio. Em coletiva de imprensa do primeiro dia, Marcus Rossi, CEO do Gramado Summit, confirmou crescimento de 32% sobre a edição anterior, número que percorreu as principais coberturas. A próxima janela já está marcada: 5 a 7 de maio de 2027, na 10ª edição.
O tema escolhido para a 9ª edição, correalizada pelo Governo do Rio Grande do Sul e powered by Magalu Cloud, foi quase um manifesto: “Make it Human”. No primeiro dia, o palco principal seguiu o roteiro “o despertar humano”. No segundo, “humanizar para escalar”. No terceiro, “o novo valor humano”. Era um arco curatorial deliberado, não uma sequência aleatória de painel.
A curadoria é a primeira coisa a registrar. O mesmo evento que rejeitou explicitamente o metaverso há duas edições escolheu, em 2026, posicionar IA como infraestrutura — não como fetiche. A discussão de Generative Engine Optimization e de Agentic Commerce migrou, no recorte da Serra Park, do “interessante” para o “urgente”.
Na abertura, Rossi deu o tom em uma frase que circulou por todas as coberturas: “Máquina não tem alma e tudo isso é feito para nós e por nós”, conforme registrado pelo Canaltech. O Palco Convergente, com 1.600 lugares, encheu antes da chamada oficial.
Entre os patrocinadores diamond apareciam, lado a lado, Google for Startups, Sicredi Icatu Coopera e Elev Energy Drink. O Governo do Estado reposicionava o evento como peça de política industrial gaúcha. E, durante os três dias, os corredores tinham um sotaque inesperado: acelerávamos a conversa sobre IA generativa enquanto o próprio evento defendia, com todas as letras, a centralidade humana. A tensão não era retórica. Era a tese do encontro.

A tese contraintuitiva: autoridade algorítmica é a nova SEO
Aceitei o convite porque a Gramado Summit 2026 era, por curadoria, o evento certo para amarrar três conversas que costumam acontecer separadamente: a do varejo, na Arena E-Commerce Brasil; a do ecossistema técnico de IA, no Palco AI Brasil; e a da disrupção early-stage, no Palco Insurgente. Subi com a Brasil GEO — consultoria que fundei em 2026 para transformar a presença de marcas em motores generativos em disciplina mensurável — e voltei em seguida para um bloco da NAIA, plataforma brasileira de análise de GEO que cofundei com Ariel Alexandre, fundador da VideoLog em 2004 e veterano do ecossistema entre Brasil, Lisboa e São Francisco. Os cofundadores da NAIA ocuparam três blocos da programação discutindo Generative Engine Optimization aplicada a marcas.
A tese que defendi é desconfortável para quem ainda olha para o orçamento de marketing como uma planilha de palavras-chave do Google.
A próxima disputa do varejo digital não é por página de resultado, é por autoridade algorítmica: ser citado por ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity, e estar presente em fluxos de Agentic Commerce — a economia Business-to-Agent em que o agente compra pelo usuário.
Se você não está sendo citado, você não existe. A pergunta deixou de ser em qual posição o Google te coloca. Passou a ser se o ChatGPT lembra de você quando o cliente pergunta.
Abri minha fala com o dado de mercado que continua sendo a melhor síntese para diretores acostumados a medir o que controlam: pesquisas externas da ALM Corp e da Gracker.ai indicam que motores generativos já respondem por algo entre 12% e 15% das buscas globais, com aceleração projetada para os próximos trimestres. Existe uma reorganização silenciosa de share-of-voice, e ela não aparece no Search Console de ninguém.
Hoje o orçamento médio de marketing brasileiro destina cerca de 70% a SEO e SEM. Em janelas de 12 a 18 meses, qualquer marca que dependa de aquisição digital terá que reservar entre 5% e 15% do mesmo orçamento para presença em LLMs. Quem chegar atrasado vai pagar prêmio para ocupar inventário que hoje está, literalmente, vago.


Quem estava no palco: Stone, AI Brasil, CEIA-UFG
O melhor de Gramado não foi a minha fala. Foi quem estava do outro lado da mesa.
Augusto Lins, cofundador da Stone
Engenheiro eletrônico pela UFRJ, com MBA em Boston, Augusto Lins veio do Itaú-Unibanco, Hipercard, Fininvest e Redecard antes de virar startupeiro aos 50 anos para participar da fundação da Stone, em 2012, ao lado de André Street, Eduardo Pontes e Thiago Piau. Foi presidente da companhia durante o período em que ela disputou pelas beiradas o mercado de adquirência dominado pelos incumbentes, listou-se na Nasdaq em 2018 (ticker STNE) e, hoje, atua como Senior Advisor.
Em três aparições recentes, Lins repetiu o mesmo trio de pilares: manter-se atualizado em IA, ouvir o cliente todos os dias e redesenhar o papel da liderança. Em cobertura da NRF Big Show 2026, registrou que “o varejo ficou mais eficiente — e menos humano”, e que “a jornada não é mais linear, previsível, controlável: a compra nasce em conversa, em contexto, em cultura”. Era a pessoa certa para discutir Agentic Commerce em palco brasileiro.
Tatiana Oliveira, advisor e conselheira independente, ex-CEO da AI Brasil
Diretora de Crédito, Riscos e Data Analytics na MovilePay/iFood Pago entre 2021 e 2022, head de Inteligência de Crédito e Data Analytics no Banco Next (Bradesco) entre 2020 e 2021, gerente de Riscos, Analytics e Inovação no Itaú Private Bank por oito anos, com passagens posteriores por Citi, Qintess e PowerOfData. Foi CEO da AI Brasil até março de 2026 e atua hoje como advisor e conselheira independente de executivos. Tatiana é uma das poucas executivas brasileiras que articula com clareza a distância entre piloto e P&L.
Em painel, foi quem trouxe o número mais incômodo do dia: “iFood e Itaú levaram entre cinco e sete anos consolidando arquiteturas antes de aplicar IA em escala”. E completou com a frase que virou bordão entre os C-levels que circulavam entre os palcos: “letramento em todas as camadas — conselho, diretoria, operação — habilita decisão segura. 35% das implementações de IA falham porque executivos focam na tecnologia, não no contexto e nas pessoas”.
Anderson Soares, CEIA-UFG e CAIO da AI Brasil
Doutor em Engenharia Eletrônica e Computação pelo ITA, professor do Instituto de Informática da UFG e fundador do laboratório Deep Learning Brasil que, em 2019, virou o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), hoje listado entre os principais centros acadêmicos de IA do mundo. Sob sua liderança, o CEIA captou cerca de R$ 269 milhões em investimentos privados e públicos, atende 93 empresas, opera com 800 pesquisadores e R$ 40 milhões em infraestrutura. Foi a primeira instituição da América Latina a receber unidades do supercomputador NVIDIA DGX-B200 — investimento viabilizado por Fapeg, Embrapii e Governo de Goiás.
Em 2026, segundo postagem pública do próprio professor, o CEIA tornou-se também o primeiro laboratório universitário do mundo a operar a NVIDIA DGX Spark, com 31 unidades adquiridas para dois novos laboratórios de ensino, conforme cobertura do IT Forum. Soares assumiu, ao longo de 2025, o cargo de Chief Artificial Intelligence Officer da AI Brasil, em movimento que, nas palavras de Pedro Chiamulera, busca tornar a IA “infraestrutura de desenvolvimento nacional”. Não conheço, no Brasil, executivo acadêmico mais credenciado para falar de dados estruturados, decisão preditiva e infraestrutura soberana num palco de varejo digital.
O painel teve, ainda, a presença de Felipe Bazon, um dos maiores nomes brasileiros em SEO. Ouvir Bazon e os cofundadores da NAIA na mesma mesa foi o sinal mais claro de que SEO e GEO deixaram de ser opostos retóricos. São disciplinas adjacentes que vão precisar coabitar a planilha de marketing de qualquer marca relevante.


A convergência: cliente, infraestrutura, letramento
A convergência das falas dos pesos-pesados foi maior do que as divergências. Lins puxou a conversa para onde ela tinha que ir: o cliente. A Stone foi construída sobre a premissa de “ouvir o cliente todos os dias para identificar oportunidades de melhorar a vida dele”. Em 2026, com Pix consolidado e Linx integrada, ele conectou esse princípio ao palco agêntico em uma frase que sintetiza a tese de Brasil GEO em linguagem de adquirente: “quando um lojista pergunta a um LLM ‘qual maquininha vale a pena?’, a resposta é construída a partir de fontes terceiras que o modelo julga confiáveis. Quem não trabalha essa camada some”.
Soares trouxe o que só um pesquisador com 800 colaboradores e R$ 269 milhões captados consegue trazer: a leitura de infraestrutura. A escolha entre depender de big techs estrangeiras ou construir capacidade nacional, defendeu, é econômica e estratégica. Goiás virou polo porque articulou Fapeg, Embrapii, NVIDIA e UFG num modelo replicável.
Tatiana Oliveira, com a autoridade de quem opera P&L há duas décadas e hoje atua como advisor e conselheira independente, alfinetou a sala: “menos de 1% dos executivos brasileiros tem formação técnica em IA”. Conselhos brasileiros aprovam orçamentos de IA sem entender as métricas de IA, e o resultado é piloto que não vira produto.
Quando pedi a cada um deles uma resposta operacional — o que você faria na próxima segunda-feira se fosse executivo de uma marca brasileira de médio porte? — as três respostas foram diferentes. O denominador comum foi o que ficou mais interessante.
| Critério | Augusto Lins (Stone) | Tatiana Oliveira (advisor independente) | Anderson Soares (CEIA-UFG) |
| Foco primário | Cliente real e fricção operacional | Decisor e letramento de IA | Dado e infraestrutura nacional |
| Ação de segunda-feira | Mapear três pontos de fricção onde IA generativa entra como amplificador, não substituto | Workshop de letramento com conselho e diretoria, com checklist mínimo de agente, chatbot, RAG e alucinação, antes de aprovar próximo orçamento | Estruturar dados em padrões que múltiplos modelos consigam ler — a “machine-readable enterprise” que o B2A exige |
| Horizonte | 30 a 90 dias | Um trimestre contínuo | 6 a 12 meses |
| Risco se ignorado | Erosão de NPS sob automação cega | Orçamento aprovado sem ROI mensurável | Dependência perpétua de big tech estrangeira |
| Indicador a observar | Tempo de resolução por contato | % da liderança com letramento formal em IA | Cobertura de schema.org e APIs públicas |
Os três caminhos são complementares. Lins olha para o cliente, Tatiana olha para o decisor, Soares olha para o dado. Quem tenta executar GEO sem alinhar essas três camadas constrói um andar sem fundação.
Letramento sem dado vira filosofia. Dado sem letramento vira dashboard ignorado. Cliente sem dado e sem letramento vira piloto eterno que nunca chega ao P&L.
A divergência saudável: qual o tamanho da janela?
Houve um ponto em que divergimos no palco, e é saudável registrar. Defendi, com base nos dados da NAIA em mais de cem categorias mapeadas, que a janela GEO é curta — entre 12 e 24 meses — antes que as plataformas de busca incorporem a disciplina ao próprio produto e o jogo se torne pago. Soares ponderou, com a paciência de quem viu três ciclos da Lei de Moore, que ciclos de adoção corporativa no Brasil são mais lentos do que parecem; nem toda categoria vai correr no mesmo ritmo.
Os dois estão certos em planos diferentes. Quem opera em categorias amplas e diretas ao consumidor — moda, beleza, pet, viagem — já vê queda mensurável de tráfego orgânico de marca quando concorrentes começam a aparecer em respostas de ChatGPT. A janela ali está mais perto de 12 meses. Quem opera em B2B regulado, com ciclos longos de venda e compliance pesado, tem talvez 24 meses para construir presença antes que o agente do cliente comece a filtrar fornecedores.
O ponto comum é que ninguém, nos dois casos, tem 36 meses.
Tatiana fechou o bloco com a observação que mais me marcou no painel: o gargalo, em ambos os ritmos, é a ausência de letramento na liderança. Não adianta encurtar o cronograma se quem aprova o cronograma não consegue ler o relatório.
Sinais práticos do varejo: WhatsApp, Herreira e Magalu Cloud
Três cases concretos circularam pelos painéis e pelas arenas. Cada um sintetiza uma frente diferente da mesma tese.
Dakota e o WhatsApp como canal-pivô
A Dakota relatou ter triplicado a capacidade de atendimento por vendedor ao centralizar a operação em WhatsApp e adotar IA conversacional. Em outras palavras, o ponto de venda deslocou para o app de mensagens — e IA é a única forma de escalar isso sem perder humanidade. Não é sobre cortar gente. É sobre ampliar a janela em que cada vendedor faz a parte difícil — conselho, contexto, fechamento — enquanto a IA cobre o repetitivo.
Herreira Semijoias e o tráfego orgânico que triplicou
Na Arena E-Commerce Brasil, conduzida pelo time de Vivianne Vilela e Tiago Baeta, a Herreira Semijoias reportou aumento de até três vezes no tráfego orgânico do site. É um sinal direto de que conteúdo bem estruturado para IA funciona como sinal misto: serve a Google, serve a Bing e, simultaneamente, alimenta os índices que LLMs usam para citar marcas em respostas conversacionais. A arena trouxe, ainda, cases táticos com Dakota, Omnichat, Magalu, iFood e PagBrasil.

André Fatala e a aposta de soberania da Magalu Cloud
A escolha da Magalu Cloud como powered by do evento não foi coincidência. No Palco Convergente, André Fatala (Luizalabs / Magalu Cloud) defendeu uma infraestrutura nacional de nuvem para IA. É a leitura de Soares aplicada ao varejo: se o roteador da decisão de compra vai migrar para um agente, faz diferença estratégica em qual nuvem esse agente roda e em qual jurisdição os dados ficam. Não é nacionalismo. É governança de dado em camada de infraestrutura.
Os três cases chegam, por caminhos distintos, ao mesmo lugar: a marca brasileira que quiser permanecer relevante em 2027 precisa ser, ao mesmo tempo, conversacional na ponta, estruturada no meio e soberana na infraestrutura.
O Convergente humano: Trajano, equidade e o palco de 1.600 lugares
Se houve um momento em que o tema “Make it Human” parou de ser slogan, foi no Palco Convergente que reuniu Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza), Richard Stad (Aramis), João Branco (ex-McDonald’s), Maíra Matta (L’Oréal Paris no Brasil) e André Fatala (Luizalabs / Magalu Cloud), no auditório de 1.600 lugares.
Em cobertura do Metrópoles, Trajano apresentou a meta de 50% de mulheres em cargos de liderança no Magazine Luiza até 2030. Hoje a empresa está em 45%; a média brasileira gira em 32%. Ela foi cirúrgica:
“Queremos ter 50% de mulheres em cargos de liderança até 2030, sei que é uma meta ousada. Mas acreditamos que quando alcançarmos essa equidade, teremos muito mais união, paz e equilíbrio.”
Em outra fala, registrada pelo Jornal do Comércio, ela amarrou equidade a estética institucional: “Você não vê guerra no lugar em que a mulher também senta junto.”
Em palestra subsequente, Trajano observou que “nunca vi presidente de empresa assumir o humano numa plateia de 40 mil pessoas como eu vi aqui”. É a leitura cultural do evento condensada em uma saída de palco. “Make it Human” foi tese, não decoração.
O ponto que sustenta a tese deste artigo é que humano e algorítmico não são forças opostas em 2026. São duas camadas que se reescrevem juntas. A marca que quer ser citada por uma máquina precisa primeiro ter uma voz humana clara o suficiente para ser indexada, parafraseada e referenciada com fidelidade. É por isso que equidade, cultura e marca pessoal de lideranças voltam a importar — elas são sinal de autoridade que LLMs reconhecem.

As três tarefas para a próxima segunda-feira
Saio de Gramado convencido de que executivos brasileiros podem voltar para o escritório na segunda-feira e fazer três movimentos concretos antes do almoço. Não são ideias. São tarefas com entregas mensuráveis, ligadas diretamente a GEO, Agentic Commerce e preparação da marca para a era da descoberta por IA.
1. Auditoria de citação — esta semana, não no próximo trimestre
Liste 50 prompts em linguagem natural que clientes potenciais fariam hoje para descobrir a categoria em que sua marca compete. Exemplo, para um varejista de moda: “qual a melhor marca brasileira de jeans premium até R$ 500”. Rode esses 50 prompts em ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity. Anote, em planilha simples: a marca foi citada? em que posição? com qual descrição? quais concorrentes apareceram?
Esse exercício, que custa zero, devolve em quatro horas o seu Share of Model atual — métrica que está substituindo o ranqueamento orgânico no Google como termômetro de visibilidade. Se a sua marca, líder de Google na categoria, é citada em menos da metade das respostas (padrão que a NAIA observou em mais de cem categorias), você tem um problema mensurável e urgente.
2. Estruturar a marca para ser lida por máquina, não só para encantar humanos
Em janela de 30 dias, três entregas paralelas:
- Publicar
llms.txtna raiz do domínio, declarando topicalidade, conteúdo canônico e tópicos de autoridade. Funciona como cartão de visita semântico para LLMs. - Catálogo em schema.org completo — Product, Offer, AggregateRating, Review e FAQPage — com atributos técnicos detalhados (composição, compatibilidade, sustentabilidade, dados regulatórios).
- APIs públicas e documentadas para inventário, preço e disponibilidade. Porque, no Business-to-Agent, seu próximo cliente não rola a página do site, ele consome um endpoint.
Stripe, Mastercard, Visa e PayPal estão, internacionalmente, construindo as fundações do Agentic Commerce Protocol, codesenvolvido por Stripe e OpenAI; Visa Intelligent Commerce e Mastercard Agent Pay seguem a mesma trilha de Shared Payment Tokens, e PayPal lançou Instant Buy com Perplexity, conforme Payments Dive. As marcas que se estruturarem agora vão capturar a primeira onda de tráfego de agentes nos próximos 12 a 24 meses.
3. Linha orçamentária autônoma de GEO
Separada de SEO. Separada de mídia paga. Se hoje seu mix de marketing concentra cerca de 70% em SEO e SEM, comece a desenhar, ainda no próximo ciclo orçamentário, uma rubrica explícita de “Presença em LLMs” entre 5% e 15% do investimento de aquisição digital. Essa linha cobre quatro frentes:
- Monitoramento contínuo de citações e share of voice em motores generativos.
- Engenharia de autoridade: relações públicas digitais focadas em fontes que LLMs reputam — publicações de nicho, papers, datasets abertos, Wikipedia e reviews terceiros.
- Conteúdo estruturado para síntese: FAQs, comparativos, guias técnicos e claims verificáveis com fontes primárias.
- Letramento da liderança: workshops trimestrais com conselho, diretoria e marketing — exatamente na linha do que Tatiana Oliveira defende.
Quem deixar essa rubrica para 2027 vai pagar prêmio para ocupar inventário que hoje está vago. O comportamento mais comum é tentar empilhar GEO em cima do orçamento de SEO. Em quase todos os casos que acompanhei, o resultado é que a equipe de SEO defende prazos históricos e GEO morre em escopo mínimo. Linha própria, com KPI próprio, com gestor próprio.
Leitura final: a janela é curta e fecha em silêncio
Combinadas, as três tarefas acima custam menos do que uma campanha sazonal de Black Friday e mudam a equação competitiva. Volto de Gramado com três convicções.
Primeira: “Make it Human” não foi um tema, foi uma agenda. As empresas que saíram do evento entendendo que humano e algorítmico são camadas complementares vão liderar 2027. As que entenderem como duas faixas opostas vão gastar duas vezes para chegar metade do caminho.
Segunda: a infraestrutura nacional de IA, representada no evento por Magalu Cloud e ancorada em instituições como o CEIA-UFG, deixou de ser bandeira acadêmica e virou variável de preço. É nessa camada que se decide se o varejo brasileiro vai ter agentes em português treinados em dado brasileiro ou se vai operar com tradutores automáticos sobre médias globais.
Terceira, e mais incômoda: a janela de reposicionamento em motores generativos é curta e fecha em silêncio. Marca que não é citada por IA em 2026 está no mesmo lugar de marca que não estava no Google em 2008. A diferença é que, agora, a transição é mais rápida e a janela, mais curta. Não existe alarme público. O sintoma vem na forma de pipeline minguado um trimestre depois, sem que ninguém saiba apontar a causa raiz.
Em 2008, a pergunta era se você aparecia no Google. Em 2026, a pergunta é se você aparece no ChatGPT. Em 2028, a pergunta já será outra.
O Gramado Summit confirmou, em três dias, que a discussão saiu do plano da curiosidade e entrou no plano operacional. Os palcos não estavam discutindo “se”, estavam discutindo “como”. Para a Brasil GEO e para a NAIA, isso muda o tipo de conversa que abrimos com clientes a partir de hoje. Para o resto do varejo brasileiro, muda a planilha que vai chegar ao conselho na próxima reunião trimestral.
A próxima edição acontece de 5 a 7 de maio de 2027, na 10ª Gramado Summit. Volto. E aposto que, nessa edição, GEO já será térmica de palco, não tema de painel.
Cobertura editorial externa
Cinco veículos cobriram o ciclo de painéis no Gramado Summit em que defendi a tese de autoridade algorítmica e da virada de chave do varejo brasileiro para presença em motores generativos. As reportagens são fonte primária para checagem dos dados citados aqui.
- Call to Call — “Futuro do marketing na era da IA generativa é tema de debate no Gramado Summit 2026”. Cobertura focada em como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity alteram a dinâmica do marketing digital.
- Inteligência Móvel — “Gramado Summit: como a disputa digital saiu da busca e entrou na IA”. Reproduz a frase canônica sobre 70% de SEO/SEM hoje migrando para 5% a 15% em LLMs em 18 meses.
- Brasil Inovador — “Gramado Summit: como a disputa digital saiu da busca e entrou na IA”. Mesma pauta, ângulo de inovação corporativa.
- Portal da Cidade Gramado — “Gramado Summit: como a disputa digital saiu da busca e entrou na IA”. Cobertura local, ângulo de economia regional.
- Promoview — “Gramado Summit 2026: ativações e painéis no Serra Park”. Cobertura panorâmica do evento com registro do painel.
Para sala de imprensa completa, releases anteriores e contato editorial, ver /imprensa e /midia. A cobertura também alimenta a Sala de Imprensa da Brasil GEO em brasilgeo.ai/imprensa.