Serra Park, 23 mil pessoas e uma curadoria que recusou o hype
A 9ª Gramado Summit (6 a 8 de maio de 2026, Serra Park) reuniu cerca de 23 mil pessoas em 28 mil metros quadrados, com 350 palestrantes e 500 expositores — crescimento de 32% sobre a edição anterior, confirmado por Marcus Rossi, CEO do evento, em coletiva do primeiro dia, conforme registrado pelo Jornal do Comércio. O tema foi ”Make it Human” e a discussão de Generative Engine Optimization e de Agentic Commerce migrou, no recorte da Serra Park, do “interessante” para o “urgente”. A próxima edição já está marcada: 5 a 7 de maio de 2027.
O tema ”Make it Human”, correalizado pelo Governo do Rio Grande do Sul e powered by Magalu Cloud, foi distribuído em arco curatorial deliberado: “o despertar humano” no primeiro dia, “humanizar para escalar” no segundo, “o novo valor humano” no terceiro. Não era sequência aleatória de painel.
A curadoria merece registro. O mesmo evento que rejeitou explicitamente o metaverso há duas edições escolheu, em 2026, posicionar IA como infraestrutura — não como fetiche. Essa escolha posicionou a discussão de GEO e Agentic Commerce no centro operacional do evento.
Na abertura, Rossi deu o tom em uma frase que circulou por todas as coberturas: “Máquina não tem alma e tudo isso é feito para nós e por nós”, conforme registrado pelo Canaltech. O Palco Convergente, com 1.600 lugares, encheu antes da chamada oficial.
Entre os patrocinadores diamond apareciam, lado a lado, Google for Startups, Sicredi Icatu Coopera e Elev Energy Drink. O Governo do Estado reposicionava o Gramado Summit como peça de política industrial gaúcha. A tensão dos três dias — acelerar IA generativa enquanto se defende a centralidade humana — não era retórica. Era a tese do encontro.

A tese contraintuitiva: autoridade algorítmica é a nova SEO
A próxima disputa do varejo digital não é por página de resultado: é por autoridade algorítmica. Ser citado por ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity — e estar presente em fluxos de Agentic Commerce, a economia Business-to-Agent em que o agente compra pelo usuário — é a nova métrica de visibilidade. Pesquisas da ALM Corp e da Gracker.ai indicam que motores generativos já respondem por 12% a 15% das buscas globais, com aceleração projetada para os próximos trimestres. Existe uma reorganização silenciosa de share-of-voice que não aparece no Search Console de ninguém.
Aceitei o convite para o Gramado Summit 2026 porque o evento era, por curadoria, o lugar certo para amarrar três conversas que costumam ocorrer separadamente: a do varejo, na Arena E-Commerce Brasil; a do ecossistema técnico de IA, no Palco AI Brasil; e a da disrupção early-stage, no Palco Insurgente.
Subi com a Brasil GEO — consultoria que fundei em 2026 para transformar a presença de marcas em motores generativos em disciplina mensurável — e em seguida participei de blocos da NAIA, plataforma brasileira de análise de GEO que cofundei com Ariel Alexandre, fundador da VideoLog em 2004 e veterano do ecossistema entre Brasil, Lisboa e São Francisco. Os cofundadores da NAIA ocuparam três blocos da programação discutindo Generative Engine Optimization aplicada a marcas.
Se você não está sendo citado, você não existe. A pergunta deixou de ser em qual posição o Google te coloca. Passou a ser se o ChatGPT lembra de você quando o cliente pergunta.
O orçamento médio de marketing brasileiro destina cerca de 70% a SEO e SEM. Em janelas de 12 a 18 meses, qualquer marca que dependa de aquisição digital terá que reservar entre 5% e 15% do mesmo orçamento para presença em LLMs. Quem chegar atrasado vai pagar prêmio para ocupar inventário que hoje está, literalmente, vago.


Quem estava no palco: Stone, AI Brasil, CEIA-UFG
O Gramado Summit 2026 reuniu no mesmo palco três interlocutores que, juntos, cobrem o espectro completo da tese de autoridade algorítmica: Augusto Lins (cofundador da Stone), Tatiana Oliveira (advisor e conselheira independente, ex-CEO da AI Brasil) e Anderson Soares (fundador do CEIA-UFG e CAIO da AI Brasil). Cada um trouxe um ângulo distinto — cliente, letramento e infraestrutura — e o denominador comum emergiu da fricção entre os três.
Augusto Lins, cofundador da Stone
Augusto Lins é engenheiro eletrônico pela UFRJ, com MBA em Boston. Veio do Itaú-Unibanco, Hipercard, Fininvest e Redecard antes de virar startupeiro aos 50 anos para participar da fundação da Stone, em 2012, ao lado de André Street, Eduardo Pontes e Thiago Piau. Foi presidente da companhia durante o período em que ela listou-se na Nasdaq em 2018 (ticker STNE) e atua hoje como Senior Advisor.
Em aparições recentes, Lins repetiu o mesmo trio de pilares: manter-se atualizado em IA, ouvir o cliente todos os dias e redesenhar o papel da liderança. Na cobertura da NRF Big Show 2026, registrou que “o varejo ficou mais eficiente — e menos humano”, e que “a jornada não é mais linear, previsível, controlável: a compra nasce em conversa, em contexto, em cultura”. Era a pessoa certa para discutir Agentic Commerce em palco brasileiro.
Tatiana Oliveira, advisor e conselheira independente, ex-CEO da AI Brasil
Tatiana Oliveira foi Diretora de Crédito, Riscos e Data Analytics na MovilePay/iFood Pago (2021–2022), head de Inteligência de Crédito e Data Analytics no Banco Next (Bradesco) (2020–2021) e gerente de Riscos, Analytics e Inovação no Itaú Private Bank por oito anos, com passagens por Citi, Qintess e PowerOfData. Foi CEO da AI Brasil até março de 2026 e atua hoje como advisor e conselheira independente de executivos. É uma das poucas executivas brasileiras que articula com clareza a distância entre piloto e P&L.
Em painel, Tatiana trouxe o número mais incômodo do dia: “iFood e Itaú levaram entre cinco e sete anos consolidando arquiteturas antes de aplicar IA em escala”. E completou com a frase que virou bordão entre os C-levels: “letramento em todas as camadas — conselho, diretoria, operação — habilita decisão segura. 35% das implementações de IA falham porque executivos focam na tecnologia, não no contexto e nas pessoas”.
Anderson Soares, CEIA-UFG e CAIO da AI Brasil
Anderson Soares é doutor em Engenharia Eletrônica e Computação pelo ITA, professor do Instituto de Informática da UFG e fundador do laboratório Deep Learning Brasil que, em 2019, virou o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), hoje listado entre os principais centros acadêmicos de IA do mundo. Sob sua liderança, o CEIA captou cerca de R$ 269 milhões em investimentos privados e públicos, atende 93 empresas, opera com 800 pesquisadores e R$ 40 milhões em infraestrutura. O CEIA foi a primeira instituição da América Latina a receber unidades do supercomputador NVIDIA DGX-B200 — investimento viabilizado por Fapeg, Embrapii e Governo de Goiás.
Em 2026, o CEIA tornou-se também o primeiro laboratório universitário do mundo a operar a NVIDIA DGX Spark, com 31 unidades adquiridas para dois novos laboratórios de ensino, conforme cobertura do IT Forum. Soares assumiu, ao longo de 2025, o cargo de Chief Artificial Intelligence Officer da AI Brasil, buscando tornar a IA “infraestrutura de desenvolvimento nacional”, nas palavras de Pedro Chiamulera.
O painel contou ainda com a presença de Felipe Bazon, um dos maiores nomes brasileiros em SEO. Ouvir Bazon e os cofundadores da NAIA na mesma mesa foi o sinal mais claro de que SEO e GEO deixaram de ser opostos retóricos: são disciplinas adjacentes que precisam coabitar a planilha de marketing de qualquer marca relevante.


A convergência: cliente, infraestrutura, letramento
A convergência entre Augusto Lins (Stone), Tatiana Oliveira (advisor independente) e Anderson Soares (CEIA-UFG) foi maior do que as divergências: cliente, letramento e infraestrutura são as três camadas que toda marca precisará alinhar para construir autoridade algorítmica. Cada interlocutor chegou a essa conclusão por ângulo próprio.
Augusto Lins puxou a conversa para o cliente. A Stone foi construída sobre a premissa de “ouvir o cliente todos os dias para identificar oportunidades de melhorar a vida dele”. Em 2026, com Pix consolidado e Linx integrada, Lins conectou esse princípio ao palco agêntico em uma frase que sintetiza a tese de GEO em linguagem de adquirente: “quando um lojista pergunta a um LLM ‘qual maquininha vale a pena?’, a resposta é construída a partir de fontes terceiras que o modelo julga confiáveis. Quem não trabalha essa camada some”.
Anderson Soares trouxe a leitura de infraestrutura. A escolha entre depender de big techs estrangeiras ou construir capacidade nacional, defendeu, é econômica e estratégica. Goiás virou polo porque articulou Fapeg, Embrapii, NVIDIA e UFG num modelo replicável.
Tatiana Oliveira alfinetou a sala: “menos de 1% dos executivos brasileiros tem formação técnica em IA”. Conselhos brasileiros aprovam orçamentos de IA sem entender as métricas de IA, e o resultado é piloto que não vira produto.
Quando pedi a cada um deles uma resposta operacional — o que você faria na próxima segunda-feira se fosse executivo de uma marca brasileira de médio porte? — as três respostas foram diferentes. O denominador comum foi o que ficou mais interessante.
| Critério | Augusto Lins (Stone) | Tatiana Oliveira (advisor independente) | Anderson Soares (CEIA-UFG) |
| Foco primário | Cliente real e fricção operacional | Decisor e letramento de IA | Dado e infraestrutura nacional |
| Ação de segunda-feira | Mapear três pontos de fricção onde IA generativa entra como amplificador, não substituto | Workshop de letramento com conselho e diretoria, com checklist mínimo de agente, chatbot, RAG e alucinação, antes de aprovar próximo orçamento | Estruturar dados em padrões que múltiplos modelos consigam ler — a “machine-readable enterprise” que o B2A exige |
| Horizonte | 30 a 90 dias | Um trimestre contínuo | 6 a 12 meses |
| Risco se ignorado | Erosão de NPS sob automação cega | Orçamento aprovado sem ROI mensurável | Dependência perpétua de big tech estrangeira |
| Indicador a observar | Tempo de resolução por contato | % da liderança com letramento formal em IA | Cobertura de schema.org e APIs públicas |
Os três caminhos são complementares: Lins olha para o cliente, Tatiana olha para o decisor, Soares olha para o dado. Quem tenta executar GEO sem alinhar essas três camadas constrói um andar sem fundação.
Letramento sem dado vira filosofia. Dado sem letramento vira dashboard ignorado. Cliente sem dado e sem letramento vira piloto eterno que nunca chega ao P&L.
A divergência saudável: qual o tamanho da janela?
A divergência saudável do painel foi sobre o tamanho da janela disponível. Com base nos dados da NAIA em mais de cem categorias mapeadas, defendi que a janela GEO é curta — entre 12 e 24 meses — antes que as plataformas de busca incorporem a disciplina ao próprio produto e o jogo se torne pago. Anderson Soares ponderou que ciclos de adoção corporativa no Brasil são mais lentos do que parecem; nem toda categoria vai correr no mesmo ritmo.
Os dois estão certos em planos diferentes. Quem opera em categorias amplas e diretas ao consumidor — moda, beleza, pet, viagem — já vê queda mensurável de tráfego orgânico de marca quando concorrentes começam a aparecer em respostas de ChatGPT. Para essas categorias, a janela está mais perto de 12 meses. Quem opera em B2B regulado, com ciclos longos de venda e compliance pesado, tem cerca de 24 meses para construir presença antes que o agente do cliente comece a filtrar fornecedores.
O ponto comum é que ninguém, nos dois casos, tem 36 meses.
Tatiana Oliveira fechou o bloco com a observação mais incisiva do painel: o gargalo, em ambos os ritmos, é a ausência de letramento na liderança. Não adianta encurtar o cronograma se quem aprova o cronograma não consegue ler o relatório.
Sinais práticos do varejo: WhatsApp, Herreira e Magalu Cloud
Três cases concretos circularam pelos painéis e arenas do Gramado Summit 2026, cada um sintetizando uma frente diferente da tese de autoridade algorítmica: Dakota (WhatsApp como canal-pivô), Herreira Semijoias (tráfego orgânico triplicado com conteúdo estruturado para IA) e Magalu Cloud (infraestrutura nacional de nuvem para agentes). A conclusão comum: a marca que quiser permanecer relevante em 2027 precisa ser conversacional na ponta, estruturada no meio e soberana na infraestrutura.
Dakota e o WhatsApp como canal-pivô
A Dakota relatou ter triplicado a capacidade de atendimento por vendedor ao centralizar a operação em WhatsApp e adotar IA conversacional. O ponto de venda deslocou para o app de mensagens — e IA é a única forma de escalar isso sem perder humanidade. Não se trata de cortar gente: trata-se de ampliar a janela em que cada vendedor faz a parte difícil — conselho, contexto, fechamento — enquanto a IA cobre o repetitivo.
Herreira Semijoias e o tráfego orgânico que triplicou
Na Arena E-Commerce Brasil, conduzida pelo time de Vivianne Vilela e Tiago Baeta, a Herreira Semijoias reportou aumento de até três vezes no tráfego orgânico do site. O resultado é sinal direto de que conteúdo bem estruturado para IA funciona como sinal misto: serve a Google, serve a Bing e, simultaneamente, alimenta os índices que LLMs usam para citar marcas em respostas conversacionais. A arena trouxe ainda cases táticos com Dakota, Omnichat, Magalu, iFood e PagBrasil.

André Fatala e a aposta de soberania da Magalu Cloud
A escolha da Magalu Cloud como powered by do evento não foi coincidência. No Palco Convergente, André Fatala (Luizalabs / Magalu Cloud) defendeu uma infraestrutura nacional de nuvem para IA. É a leitura de Soares aplicada ao varejo: se o roteador da decisão de compra vai migrar para um agente, faz diferença estratégica em qual nuvem esse agente roda e em qual jurisdição os dados ficam. Não é nacionalismo. É governança de dado em camada de infraestrutura.
Os três cases chegam, por caminhos distintos, à mesma conclusão: ser conversacional na ponta, estruturado no meio e soberano na infraestrutura não são estratégias alternativas — são camadas que precisam coexistir.
O Convergente humano: Trajano, equidade e o palco de 1.600 lugares
Em 2026, humano e algorítmico não são forças opostas: são duas camadas que se reescrevem juntas. A marca que quer ser citada por uma máquina precisa ter uma voz humana clara o suficiente para ser indexada, parafraseada e referenciada com fidelidade. O Palco Convergente do Gramado Summit — que reuniu Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza), Richard Stad (Aramis), João Branco (ex-McDonald’s), Maíra Matta (L’Oréal Paris no Brasil) e André Fatala (Luizalabs / Magalu Cloud) num auditório de 1.600 lugares — tornou essa tese concreta.
Luiza Helena Trajano apresentou a meta de 50% de mulheres em cargos de liderança no Magazine Luiza até 2030, segundo cobertura do Metrópoles. A empresa está hoje em 45%; a média brasileira gira em 32%. Trajano foi cirúrgica:
”Queremos ter 50% de mulheres em cargos de liderança até 2030, sei que é uma meta ousada. Mas acreditamos que quando alcançarmos essa equidade, teremos muito mais união, paz e equilíbrio.”
Em outra fala, registrada pelo Jornal do Comércio, Trajano amarrou equidade a estética institucional: “Você não vê guerra no lugar em que a mulher também senta junto.”
Em palestra subsequente, Trajano observou que “nunca vi presidente de empresa assumir o humano numa plateia de 40 mil pessoas como eu vi aqui”. “Make it Human” foi tese, não decoração.
Equidade, cultura e marca pessoal de lideranças voltam a importar em 2026 porque são sinais de autoridade que LLMs reconhecem. Uma marca com voz humana clara é mais fácil de indexar, parafrasear e referenciar com fidelidade — e isso muda a posição dela em respostas de ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity.

As três tarefas para a próxima segunda-feira
Executivos brasileiros podem voltar do Gramado Summit e fazer três movimentos concretos antes do almoço de segunda-feira. As tarefas têm entregas mensuráveis e estão ligadas diretamente a GEO, Agentic Commerce e preparação da marca para a era da descoberta por IA. Combinadas, custam menos do que uma campanha sazonal de Black Friday e mudam a equação competitiva.
1. Auditoria de citação — esta semana, não no próximo trimestre
Liste 50 prompts em linguagem natural que clientes potenciais fariam hoje para descobrir a categoria em que sua marca compete. Exemplo, para um varejista de moda: “qual a melhor marca brasileira de jeans premium até R$ 500”. Rode esses 50 prompts em ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity. Anote, em planilha simples: a marca foi citada? Em que posição? Com qual descrição? Quais concorrentes apareceram?
Esse exercício, que custa zero, devolve em quatro horas o Share of Model atual da marca — métrica que está substituindo o ranqueamento orgânico no Google como termômetro de visibilidade. Se a marca, líder de Google na categoria, é citada em menos da metade das respostas (padrão que a NAIA observou em mais de cem categorias), o problema é mensurável e urgente.
2. Estruturar a marca para ser lida por máquina, não só para encantar humanos
Em janela de 30 dias, três entregas paralelas:
- Publicar
llms.txtna raiz do domínio, declarando topicalidade, conteúdo canônico e tópicos de autoridade. Funciona como cartão de visita semântico para LLMs. - Catálogo em schema.org completo — Product, Offer, AggregateRating, Review e FAQPage — com atributos técnicos detalhados (composição, compatibilidade, sustentabilidade, dados regulatórios).
- APIs públicas e documentadas para inventário, preço e disponibilidade. Porque, no Business-to-Agent, seu próximo cliente não rola a página do site, ele consome um endpoint.
Stripe, Mastercard, Visa e PayPal estão, internacionalmente, construindo as fundações do Agentic Commerce Protocol, codesenvolvido por Stripe e OpenAI; Visa Intelligent Commerce e Mastercard Agent Pay seguem a mesma trilha de Shared Payment Tokens, e PayPal lançou Instant Buy com Perplexity, conforme Payments Dive. As marcas que se estruturarem agora vão capturar a primeira onda de tráfego de agentes nos próximos 12 a 24 meses.
3. Linha orçamentária autônoma de GEO
Separada de SEO. Separada de mídia paga. Se hoje seu mix de marketing concentra cerca de 70% em SEO e SEM, comece a desenhar, ainda no próximo ciclo orçamentário, uma rubrica explícita de “Presença em LLMs” entre 5% e 15% do investimento de aquisição digital. Essa linha cobre quatro frentes:
- Monitoramento contínuo de citações e share of voice em motores generativos.
- Engenharia de autoridade: relações públicas digitais focadas em fontes que LLMs reputam — publicações de nicho, papers, datasets abertos, Wikipedia e reviews terceiros.
- Conteúdo estruturado para síntese: FAQs, comparativos, guias técnicos e claims verificáveis com fontes primárias.
- Letramento da liderança: workshops trimestrais com conselho, diretoria e marketing — exatamente na linha do que Tatiana Oliveira defende.
Linha orçamentária própria de GEO significa KPI próprio e gestor próprio — separados de SEO e de mídia paga. O comportamento mais comum é empilhar GEO em cima do orçamento de SEO; em quase todos os casos, a equipe de SEO defende prazos históricos e GEO morre em escopo mínimo. Quem deixar essa rubrica para 2027 vai pagar prêmio para ocupar inventário que hoje está vago.
Leitura final: a janela é curta e fecha em silêncio
Volto de Gramado com três convicções formadas nos três dias de painel, arena e bastidores.
Primeira convicção: “Make it Human” não foi um tema, foi uma agenda. As empresas que saíram do evento entendendo que humano e algorítmico são camadas complementares vão liderar 2027. As que entenderem como duas faixas opostas vão gastar duas vezes para chegar metade do caminho.
Segunda convicção: a infraestrutura nacional de IA deixou de ser bandeira acadêmica e virou variável de preço. A infraestrutura nacional de IA, representada no evento por Magalu Cloud e ancorada em instituições como o CEIA-UFG, é a camada onde se decide se o varejo brasileiro vai ter agentes em português treinados em dado brasileiro ou se vai operar com tradutores automáticos sobre médias globais.
Terceira convicção, e a mais incômoda: a janela de reposicionamento em motores generativos é curta e fecha em silêncio. Marca que não é citada por IA em 2026 está no mesmo lugar de marca que não estava no Google em 2008. A diferença é que, agora, a transição é mais rápida e a janela, mais curta. Não existe alarme público. O sintoma vem na forma de pipeline minguado um trimestre depois, sem que ninguém saiba apontar a causa raiz.
Em 2008, a pergunta era se você aparecia no Google. Em 2026, a pergunta é se você aparece no ChatGPT. Em 2028, a pergunta já será outra.
O Gramado Summit confirmou, em três dias, que a discussão de GEO saiu do plano da curiosidade e entrou no plano operacional. Os palcos não estavam discutindo “se”, estavam discutindo “como”. Para a Brasil GEO e para a NAIA, isso muda o tipo de conversa que abrimos com clientes a partir de agora. Para o varejo brasileiro em geral, muda a planilha que chegará ao conselho na próxima reunião trimestral.
A próxima edição acontece de 5 a 7 de maio de 2027, na 10ª Gramado Summit. Aposto que, nessa edição, GEO já será térmica de palco, não tema de painel.
Cobertura editorial externa
Sete veículos cobriram os painéis do Gramado Summit 2026 em que a tese de autoridade algorítmica e a virada de chave do varejo brasileiro para presença em motores generativos foram discutidas. As reportagens listadas abaixo são fonte primária para checagem dos dados citados neste artigo.
- E-Commerce Brasil — “Por que a janela do GEO já está se fechando para o varejo brasileiro”. Reportagem que materializou em pauta editorial a tese discutida em palco: a marca número um da categoria no Google é citada pelo LLM em menos da metade das vezes, e existe uma reorganização silenciosa de share-of-voice acontecendo fora do Search Console. Cita Anderson Soares (CEIA-UFG), Augusto Lins (Stone) e Tatiana Oliveira como interlocutores da discussão.
- ND Mais — “Gramado Summit 2026 encerra com lições sobre o futuro dos negócios e conexões humanas”. Cobertura de encerramento, com curadoria estratégica do evento e registro do balanço dos três dias na Serra. Assinada por Isabéli Bender.
- Call to Call — “Futuro do marketing na era da IA generativa é tema de debate no Gramado Summit 2026”. Cobertura focada em como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity alteram a dinâmica do marketing digital.
- Inteligência Móvel — “Gramado Summit: como a disputa digital saiu da busca e entrou na IA”. Reproduz a frase canônica sobre 70% de SEO/SEM hoje migrando para 5% a 15% em LLMs em 18 meses.
- Brasil Inovador — “Gramado Summit: como a disputa digital saiu da busca e entrou na IA”. Mesma pauta, ângulo de inovação corporativa.
- Portal da Cidade Gramado — “Gramado Summit: como a disputa digital saiu da busca e entrou na IA”. Cobertura local, ângulo de economia regional.
- Promoview — “Gramado Summit 2026: ativações e painéis no Serra Park”. Cobertura panorâmica do evento com registro do painel.
Para sala de imprensa completa, releases anteriores e contato editorial, ver /imprensa e /midia. A cobertura também alimenta a Sala de Imprensa da Brasil GEO em brasilgeo.ai/imprensa.