O que é GEO para saúde
GEO para saúde é o trabalho de deixar as informações de um médico, de uma clínica ou de um consultório legíveis e confiáveis para os assistentes de IA, dentro das regras de publicidade do Conselho Federal de Medicina. Em outubro de 2026, isso pede três frentes: cumprir a Resolução CFM nº 2.336/2023 em toda página e perfil, tratar o conteúdo como tema YMYL (Your Money or Your Life, assuntos que, na definição do Google, podem afetar de forma significativa a saúde, a estabilidade financeira ou a segurança das pessoas) e apoiar cada afirmação clínica em fonte reconhecida.
A combinação tem uma vantagem pouco notada: os dados que a resolução obriga a publicar, como nome, CRM e especialidade com RQE, são os mesmos que um assistente precisa para descrever o profissional sem errar. Cumprir a regra e ser descrito corretamente andam juntos.
Este guia cuida das regras e da credibilidade do conteúdo. A presença local, com Perfil da Empresa no Google, avaliações e dados de endereço, está no guia de GEO local para consultório, e o curso gratuito GEO para saúde aprofunda a prática.
O que a Resolução CFM 2.336/2023 muda no conteúdo que a IA lê
A resolução foi publicada no Diário Oficial da União em 13/09/2023 e entrou em vigor 180 dias depois, pelo art. 17, substituindo a Resolução CFM nº 1.974/2011. Ela vale para sites, blogs e redes sociais, que o próprio texto chama de redes próprias do médico. A tabela resume os pontos que mais pesam numa página pensada para ser lida por assistentes.
| Regra | Onde está | Como aplicar na página |
|---|---|---|
| Nome, número no CRM com a palavra MÉDICO e especialidade com o número do RQE (Registro de Qualificação de Especialista) | Art. 4º | Coloque os dados na página principal e repita-os na marcação de autor de cada artigo |
| Em sites, blogs e redes, esses dados ficam na página principal do perfil | Art. 6º | A página "sobre" vira a fonte de fatos do profissional |
| Clínicas informam o registro no CRM e o Diretor Técnico-Médico com CRM e, quando exigível, RQE | Art. 5º | Uma página de fatos da clínica com esses dados, ligada às páginas dos médicos |
| É vedado garantir, prometer ou insinuar bons resultados do tratamento | Art. 11, XII | Descreva indicação, preparo e riscos, sem promessa de desfecho |
| É vedado aceitar listas de "melhor médico" com foco promocional e agir de forma sensacionalista ou autopromocional | Art. 11, XIII e XVI | Troque superlativos por fatos verificáveis, como formação e registros |
| É permitido informar valores de consultas e formas de pagamento | Art. 9º, VI | Publique valores e convênios aceitos, que são perguntas frequentes nos assistentes |
| Antes e depois só com texto educativo, indicações, evoluções insatisfatórias e complicações, sem edição de imagem | Art. 14, II | Se usar imagens, acompanhe com o texto completo que a resolução exige |
O art. 10 acrescenta uma regra para o conteúdo educativo: em entrevistas e artigos para o público leigo, o médico deve se abster de condutas que visem angariar clientela e declarar conflitos de interesse. Separe o artigo educativo da página de agendamento e confirme o desenho com a assessoria jurídica ou com o CRM do seu estado.
Por que saúde é tema YMYL e o que isso pede
O Google explica, no guia sobre conteúdo útil e confiável atualizado em 05/10/2026, que os sistemas dão ainda mais peso a sinais fortes de E-E-A-T em temas YMYL. E-E-A-T é a sigla em inglês para experiência, especialização, autoridade e confiabilidade, e o mesmo guia diz que, entre esses aspectos, a confiabilidade é o mais importante e que o E-E-A-T, sozinho, não é um fator de ranqueamento.
Para uma página de saúde, isso se traduz em sinais concretos: autoria médica visível com CRM e RQE, data de publicação e de revisão, nome de quem revisou, fontes clínicas citadas no texto e separação clara entre conteúdo educativo e oferta de atendimento. Os mesmos sinais ajudam o assistente a decidir se aquela página pode sustentar uma resposta sobre um tema delicado.
Fontes clínicas: quais citar e como
Cada afirmação clínica precisa apontar para a fonte que a sustenta, com data. As referências mais estáveis para conteúdo em português são as diretrizes das sociedades de especialidade, os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, as bulas aprovadas pela Anvisa e os artigos indexados em bases científicas, de preferência revisões sistemáticas.
Três cuidados evitam o erro mais comum. Cite a diretriz vigente, com o ano, e revise o texto quando ela mudar. Escreva a recomendação com as condições que a acompanham, porque um assistente que recorta só a primeira metade da frase pode transformar uma indicação restrita em conselho geral. E não divulgue método ou técnica sem reconhecimento do CFM, o que o art. 11 veda.
Roteiro em sete passos para clínica ou consultório
- Monte a página de fatos do médico ou da clínica com os dados dos arts. 4º e 5º, endereço, convênios, valores e horários.
- Repita os mesmos dados no Perfil da Empresa no Google, nas plataformas de agendamento e nas redes, com a mesma redação.
- Marque a autoria de cada artigo com nome, CRM e RQE, e ligue o autor à página de fatos.
- Escreva a partir das perguntas dos pacientes, com resposta direta no primeiro parágrafo e fonte clínica datada em cada afirmação.
- Revise contra a resolução: nenhuma promessa de resultado, nenhum superlativo autopromocional, imagens só com o texto educativo exigido.
- Libere os robôs de busca dos assistentes no robots.txt, como explica o guia como fazer sua marca virar fonte oficial das IAs.
- Meça com uma lista fixa de perguntas do tipo "dermatologista que atende convênio X em Goiânia" e conte as respostas que citam o seu endereço, em várias rodadas.
Pacientes perguntam aos assistentes pelo "melhor" especialista da cidade. O médico pode medir a própria presença nessas respostas, mas não pode se apresentar como o melhor: a resposta que o cita precisa nascer de fatos verificáveis. Quando a clínica usa IA no próprio atendimento, como triagem ou resposta automática, entra outra camada de controle, resumida no conceito de AI TRiSM.