Do data analytics ao marketing que a IA entende
Em 2019, quando assumi a posição de CMO da Semantix — então a maior empresa de big data da América Latina —, o desafio era traduzir uma oferta técnica de dados e inteligência artificial em narrativa que o mercado executivo compreendesse e valorizasse. Quatro anos depois, a Semantix abriu capital na Nasdaq. O marketing teve papel central nessa jornada, não porque gerou leads (gerou), mas porque construiu a narrativa de categoria que posicionou a empresa como referência no ecossistema de dados brasileiro.
Essa experiência plantou a semente do que viria a ser a Brasil GEO. Porque o desafio que enfrentei na Semantix — tornar uma empresa complexa compreensível, citável e escolhida — é precisamente o desafio que toda marca enfrenta hoje diante da IA generativa. A diferença é que, em 2019, o intermediário era o analista de mercado e o jornalista. Em 2026, o intermediário é o modelo de linguagem.
Este artigo é parte análise, parte retrospectiva. Compartilho as lições da trajetória Semantix, como elas informaram a criação da Brasil GEO, e por que acredito que Generative Engine Optimization é a disciplina que definirá o marketing da próxima década.
Lições da Semantix: o que o IPO na Nasdaq ensinou sobre posicionamento
A jornada da Semantix ao Nasdaq envolveu desafios de marketing que, olhando em retrospecto, antecipavam os dilemas do GEO. Três lições se destacam.
Lição 1: Quem define a categoria vence. Quando comecei na Semantix, o mercado brasileiro de dados não tinha vocabulário consolidado. "Big data", "analytics", "inteligência artificial" — os termos se misturavam e confundiam. Parte do trabalho de marketing foi definir uma categoria clara — e posicionar a Semantix como líder dessa categoria. Em GEO, o princípio é idêntico: a marca que a IA reconhece como definidora de uma categoria é a que será citada primeiro.
Lição 2: Consistência de entidade é poder. Para que investidores internacionais compreendessem a Semantix, era preciso que a narrativa fosse a mesma no site, no pitch deck, no roadshow, nas entrevistas em mídia e nas aparições em conferências. Qualquer inconsistência gerava dúvida. Em GEO, modelos de IA são ainda mais sensíveis a isso: inconsistências entre fontes reduzem a confiança do modelo na entidade e diminuem citações.
Lição 3: A audiência técnica precisa de tradução, não de simplificação. Compradores de dados são sofisticados. Eles não querem marketing superficial — querem clareza. O mesmo vale para LLMs: modelos de IA não respondem melhor a conteúdo simplificado, mas a conteúdo estruturado com clareza semântica. Profundidade e acessibilidade não são opostos.
Da era SEO à era GEO: marcos de transição
A tabela abaixo mapeia os marcos que definiram a transição da era SEO para a era GEO — e como minha trajetória se conecta a cada um deles:
| Período | Marco da era SEO | Marco da era GEO | Conexão com a trajetória |
|---|---|---|---|
| 2015-2018 | Featured Snippets do Google dominam resultados | Primeiros modelos de linguagem (GPT-2) demonstram síntese | Marketing de conteúdo na Semantix focado em SEO técnico |
| 2019-2021 | Core Web Vitals e E-A-T redefinem ranking | GPT-3 demonstra capacidade de resposta contextual | CMO da Semantix — construção de narrativa de categoria para IPO |
| 2022 | Helpful Content Update penaliza conteúdo para SEO | ChatGPT lança e atinge 100M de usuários em 2 meses | IPO Semantix na Nasdaq — visibilidade global via posicionamento consistente |
| 2023-2024 | Google SGE começa a sintetizar respostas | Perplexity, Gemini e Claude expandem respostas com citações | Fundação da AI Brasil e início da pesquisa em visibilidade algorítmica |
| 2025-2026 | 60%+ das buscas terminam sem clique | GEO emerge como disciplina — entity consistency, llms.txt, SOV-AI | Fundação da Brasil GEO — primeira consultoria GEO do Brasil |
A transição não foi planejada como uma linha reta. Foi a convergência de experiências em dados (Semantix), marketing (carreira de CMO) e inteligência artificial (AI Brasil) que criou a convicção de que a otimização para IA generativa seria a próxima fronteira do marketing.
Por que criar a Brasil GEO: a tese que fundamenta a empresa
A decisão de criar a Brasil GEO em 2025 não foi uma aposta especulativa. Foi a resposta a um diagnóstico claro: o mercado brasileiro não tinha — e ainda está construindo — a infraestrutura de conhecimento e operação para ajudar empresas a serem visíveis em IA generativa.
Agências de SEO sabem ranquear páginas no Google. Agências de conteúdo sabem produzir artigos. Consultorias de marca sabem construir posicionamento. Mas nenhuma dessas competências, isoladamente, resolve o problema de visibilidade algorítmica. GEO exige a integração de semântica, dados estruturados, consistência de entidade, monitoramento de citações e criação de conteúdo citável — em uma disciplina coesa.
A Brasil GEO foi construída sobre essa integração. O framework proprietário combina audit de presença em IA, estruturação semântica, criação de conteúdo otimizado para síntese e monitoramento contínuo de share of voice em 13 fontes. Não é SEO renomeado. É uma disciplina nova, com metodologia própria, métricas próprias e stack tecnológico próprio.
A pergunta que fundou a Brasil GEO: quando um comprador pergunta à IA sobre sua categoria, sua marca aparece? Se não aparece, nada mais que você faz em marketing importa tanto quanto resolver isso.
A visão para os próximos cinco anos: GEO como padrão
Minha convicção é que GEO seguirá a trajetória do SEO: de disciplina emergente e incompreendida a componente padrão de qualquer operação de marketing. A questão não é se, mas quando.
Nos próximos dois anos, espero ver três movimentos. Primeiro, a profissionalização do mercado: certificações, frameworks de medição padronizados e ferramentas dedicadas que hoje existem de forma artesanal. Segundo, a integração com martech: plataformas de automação e CRM incorporando dados de visibilidade em IA como variável de pipeline. Terceiro, a regulamentação de citações: à medida que decisões de compra são influenciadas por IA, a transparência sobre como modelos escolhem e recomendam marcas se tornará questão regulatória.
A Brasil GEO está posicionada para ser protagonista dessa evolução. Porque começamos cedo, porque construímos metodologia proprietária, e porque entendemos que GEO não é um canal de marketing — é a camada de inteligência que conecta a marca ao novo intermediário da jornada de compra.
Para quem está avaliando sua carreira ou sua empresa: o melhor momento para investir em SEO foi 2005. O melhor momento para investir em GEO é agora.
Conclusão: construir o futuro a partir da experiência
A trajetória de CMO da Semantix a CEO da Brasil GEO não foi uma mudança de carreira — foi uma evolução natural. O problema fundamental é o mesmo: como tornar uma empresa complexa compreensível, citável e escolhida pelo intermediário que o comprador consulta. O que mudou foi o intermediário.
Na Semantix, o intermediário era o analista de mercado, o jornalista, o evento setorial. Na Brasil GEO, o intermediário é o ChatGPT, o Perplexity, o Gemini. A competência de construir narrativas que esses intermediários compreendem e amplificam é a mesma. A tecnologia mudou. O princípio permanece.
Se há uma lição que carrego de toda essa jornada é esta: quem define como o mercado entende uma categoria controla o mercado. Na era da IA, definir como o mercado entende passa por definir como a IA entende. E isso é exatamente o que o GEO faz.