O que é comércio agêntico, em uma frase
Comércio agêntico é o estágio em que um agente de inteligência artificial pesquisa, compara e conclui a compra no lugar da pessoa, transformando o consumidor final do varejo de humano em máquina. O usuário descreve a necessidade, e o agente percorre catálogos, avalia opções e transaciona.
A escala projetada é vertiginosa. A Gartner estima que, até 2028, cerca de 90% das compras B2B serão intermediadas por agentes de IA, movimentando US$ 15 trilhões. “Quando o cliente é uma máquina, sua loja precisa ser legível para máquinas. Quem não for, simplesmente não entra na lista de opções”, segundo Alexandre Caramaschi, CEO da Brasil GEO.
O protocolo universal que vi nascer na NRF
Na NRF, a grande feira de varejo realizada anualmente em Nova York, ficou evidente que o setor está convergindo para um protocolo universal de comércio agêntico: uma camada técnica padronizada que permite a agentes de IA entender catálogos, preços, disponibilidade e condições, e então executar a transação de forma interoperável entre plataformas.
A analogia útil é a do início da web. Assim como sites precisaram ficar legíveis para os buscadores nos anos 2000, agora as operações de varejo precisam ficar legíveis para os agentes. A diferença é a velocidade: o que levou uma década na busca está acontecendo em poucos anos no comércio agêntico, empurrado pela adoção massiva de assistentes generativos.
As máquinas já leem quase tudo que existe
O comércio agêntico não é uma promessa distante, ele já bate à porta da infraestrutura atual. As requisições de bots e agentes de IA equivalem a 88% do tráfego humano orgânico (BrightEdge, 2026). Para cada cem visitas humanas a um site, há o equivalente a oitenta e oito acessos automatizados de máquinas lendo, indexando e avaliando o conteúdo.
Esses agentes consultam os mesmos motores generativos que já dominam a descoberta. Os AI Overviews do Google passaram de 2,5 bilhões de usuários por mês e o AI Mode superou 1 bilhão (Google I/O, maio de 2026). O AI Mode decompõe uma pergunta em 12 a 15 sub-buscas (Google I/O 2026; Profound), o tipo de comportamento de pesquisa profunda que um agente de compras precisa para comparar dezenas de produtos antes de decidir.
Do GEO ao ASO: otimizar para quem decide
A disciplina que prepara a marca para a resposta generativa é o GEO (Generative Engine Optimization). O comércio agêntico adiciona uma camada: o ASO (Agentic Search Optimization), a otimização para a busca feita por agentes. No GEO, o objetivo é ser citado na resposta a um humano. No ASO, é ser escolhido por um agente que executa a compra.
Na prática, isso significa dados estruturados de produto, preços e estoque legíveis por máquina, condições comerciais explícitas e reputação verificável por fontes externas. Vale lembrar que a IA confia em validação de terceiros: conteúdo próprio explica apenas de 5% a 10% do que os motores extraem, e a mídia conquistada pesa de 2,3 a 3,1 vezes mais (Chen et al., 2025, arxiv.org/abs/2509.08919). O agente também checa o que dizem de você, não só o que você diz.
As três camadas que o varejo precisa cobrir
Para o varejo brasileiro, a transição se organiza em camadas. Cada uma responde a um momento diferente da jornada e exige um tipo de preparo distinto.
- SEO e AEO: a base técnica e de conteúdo que torna a operação indexável e capaz de virar resposta direta.
- GEO: a camada que faz a marca ser citada dentro das respostas generativas que os consumidores já consultam antes de comprar.
- ASO: a camada que torna catálogo, preço e condições legíveis e confiáveis para o agente que vai efetivamente decidir e transacionar.
Pular a base para tentar a última camada não funciona: o agente precisa, antes, encontrar e confiar na marca. As técnicas que sustentam isso são as mesmas medidas por Aggarwal et al. (KDD 2024): citar fontes eleva a visibilidade em 115%, estatísticas em 41% e aspas atribuídas em 28%.
A janela do varejo brasileiro está se fechando
O risco para o Brasil é específico. Boa parte do varejo nacional ainda investe para conquistar o clique humano, justamente quando esse clique perde valor: 58,5% das buscas já terminam sem clique (Semrush, 2025) e o tráfego de busca para publishers deve cair 43% em três anos (Reuters Institute, Digital News Report 2026). Quem continuar otimizando só para humanos estará investindo no canal que encolhe.
“O varejo brasileiro tem uma janela curta para ficar legível para agentes. Quem estruturar catálogo, preço e reputação para máquinas agora vai estar na prateleira quando o agente abrir a busca. Quem esperar vai descobrir que a decisão já foi tomada sem ele”, afirma Alexandre Caramaschi, CEO da Brasil GEO.
A Brasil GEO, fundada por Caramaschi (ex-CMO da Semantix, listada na Nasdaq, e co-fundador da AI Brasil), trabalha essa preparação ponta a ponta, do GEO ao ASO, para que marcas brasileiras entrem na decisão dos agentes em vez de serem descartadas por ilegibilidade técnica.
Por que isso é pauta urgente para o varejo nacional
O ângulo de imprensa é direto e datado: a Gartner coloca 2028 como horizonte de US$ 15 trilhões intermediados por agentes no B2B, e o protocolo universal de comércio agêntico já saiu do papel na NRF. O varejo brasileiro tem cerca de dois a três anos para adaptar sua infraestrutura digital a um comprador que não é mais humano. É uma corrida silenciosa, com prazo, números verificáveis e consequência competitiva clara para o e-commerce do país.