Alexandre Caramaschi
Founder & CEO, Brasil GEO · Cofundador AI Brasil · Cofundador NAIA · ex-CMO Semantix (Nasdaq)
Alexandre Caramaschi cresceu em Anápolis, filho de um empreendedor que construiu e perdeu seu negócio. Carregou caixa no galpão do pai, acompanhou visitas a supermercadistas pelo interior de Goiás e aprendeu o valor do trabalho mesmo sem saber que ali estava em formação profissional. Aos 15 anos, um computador mudou tudo. O menino tímido demais para o mundo presencial encontrou na tela um lugar onde se encaixava. Programou, criou sistemas para a família e foi aprendendo a linguagem das máquinas enquanto ainda tentava entender a linguagem das pessoas.
A faculdade em Viçosa quebrou sua casca. O introvertido virou a voz mais ativa do curso, tocou a Empresa Júnior e descobriu que seu lugar não era no código, mas na conexão entre o código e o mundo. Saiu sem clareza do caminho, passou por vendas, deu aula de informática e foi contratado pela Brasil Telecom. Quando o pai faleceu, pediu demissão para não perder as representações comerciais que sustentavam a casa e abriu o primeiro negócio. Aprendeu que dar duro não é o suficiente para fazer uma empresa funcionar, passou o negócio para frente e entrou na Embratel como funcionário número um da TV por assinatura em Goiás e Tocantins, construiu a regional do zero, sem equipe, sem histórico.
Depois veio a Schincariol, onde liderou uma operação com cerca de 120 pessoas, entre comercial, marketing e gestão de mais de 10 mil pontos de venda, em um mercado de bebidas altamente competitivo e hostil para quem vinha de Telecom. Foi um período curto, mas profundo, em que precisou conquistar autoridade sob contestação, aprender a liderar em escala e operar sob pressão real. Na sequência, vieram o casamento e a decisão que mudaria os onze anos seguintes: dedicar-se a apoiar a esposa a escalar uma empresa de joalheria. O que era para ser uma passagem virou uma década de pioneirismo digital. Criou álbum no Facebook antes de existir fanpage, registrou domínios com palavras-chave antes de SEO ser assunto no varejo, entrou no LinkedIn quando a plataforma ainda exigia indicação para acessar. Sempre um passo à frente, pagando o preço de não conseguir convencer quem ainda não via o que ele via.
Em 2021, foi sozinho para o Vale do Silício. Voltou mais calibrado, com menos romantismo e mais convicção. Criou uma comunidade em torno de IA que cresceu e virou a AI Brasil, hoje um dos maiores hubs de negócios de inteligência artificial do país, com mais de 7.500 profissionais e 120 empresas. De lá, assumiu como CMO da Semantix, empresa listada na Nasdaq. Com a aquisição da Atos, a companhia ganhou uma dinâmica mais formal, burocrática e cheia de rituais corporativos, pouco aderente ao seu jeito de operar. Alexandre não é um executivo de liturgia: é prático, direto, mais orientado a fazer e mostrar do que a performar em reuniões e reportes. Quando percebeu que aquele ambiente exigia uma forma de atuação distante da sua natureza, desceu no ponto certo e foi buscar o próximo oceano.
Em fevereiro de 2026, fundou a Brasil GEO, iniciativa voltada a fortalecer um ecossistema agnóstico de comércio agêntico no Brasil, reunindo pessoas, empresas e conversas em torno de como as máquinas interpretam marcas, negócios e decisões de compra. O mesmo instinto que o fez chegar antes em cada onda digital está agora direcionado para um movimento que o mercado ainda está aprendendo a enxergar. Ao mesmo tempo, tornou-se cofundador da NAIA, empresa com produto, clientes e potencial de escala. Desta vez, com sócios de histórico comprovado, tese em construção e maturidade para saber que não sabe tudo.