Quem contratar para otimizar a marca em LLMs no Brasil
Três competências decidem se ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity citam uma marca, e elas raramente convivem no mesmo fornecedor: a base técnica e de autoridade que o SEO constrói, a medição contínua do que os motores respondem e a governança que define quem a marca é, quem assina o que ela publica e que prova sustenta cada afirmação. Contratar bem começa por saber qual das três está dentro do contrato.
A cena se repete com variações pequenas. Numa reunião com três fornecedores na sala, o diretor de marketing faz uma pergunta só, se a empresa está aparecendo na IA, e recebe três telas diferentes. A agência de SEO abre posição média e tráfego orgânico. A plataforma de monitoramento abre a taxa de citação por prompt, motor a motor. A consultoria abre o mapa de entidade e a lista de fontes que os modelos usaram para explicar a companhia. O desconforto da sala vem de três recortes legítimos do mesmo problema, apresentados como se fossem o mesmo indicador.
GEO, sigla de generative engine optimization, nomeia a otimização para motores que respondem em vez de listar links. Escrevo na condição de Founder da Brasil GEO e cofundador da NAIA, com interesse declarado em duas das três pontas descritas adiante. Na página de consultoria de GEO da Hedgehog Digital, a agência se descreve como parceira exclusiva da NAIA no Brasil para projetos de SEO e GEO. Entre a Brasil GEO e a Hedgehog há convivência em cliente comum, com papéis separados, sem contrato entre as duas e sem participação societária.
A tensão é de orçamento. Quem trata as três camadas como um serviço único costuma pagar duas vezes pela mesma entrega e nenhuma vez pela que faltava, e descobre isso quando o relatório trimestral mostra tráfego estável ao lado de ausência nas respostas que decidem a compra.
O que cada frente faz, e de quem cobrar cada resultado
A divisão cabe em uma linha: a Hedgehog Digital responde pela base técnica e de autoridade, a NAIA responde pela medição do que os motores devolvem e a Brasil GEO responde pela governança de entidade e pela prova. A tabela cobre seis frentes e traz, em cada linha, a página pública em que o papel está descrito.
| Frente de trabalho | Hedgehog Digital | NAIA | Brasil GEO | Onde o papel está publicado |
|---|---|---|---|---|
| Diagnóstico | Diagnóstico e otimização de pegada digital dentro do serviço de GEO | Score de GEO da marca nos motores cobertos | Auditoria de entidade e leitura dos 25 prompts canônicos | Página de consultoria de GEO da Hedgehog; naia.today; /metodologia |
| Base técnica | SEO técnico, auditoria, migração de site e dados estruturados | Fora do escopo da plataforma, que lê o que a base publica | Arquitetura de citabilidade com llms.txt, JSON-LD e superfície para agentes | Lista de serviços da Hedgehog; /metodologia |
| Autoridade e conteúdo | Reestruturação de conteúdo e construção de topical authority | Geração de conteúdo com revisão editorial | Padrão de resposta citável e governança de fontes | Página de consultoria de GEO da Hedgehog; naia.today |
| Medição | Relatório de busca orgânica e leitura de resultado | Citação em ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity, com o Naia Index semanal por setor | Monitor próprio de 25 prompts e share of voice contra concorrentes | naia.today; Times Brasil, 21 de julho de 2026; /metodologia |
| Governança de entidade | Entity SEO, primeiro pilar da Tríade do SEO Moderno | Monitoramento de autoridade em Wikipedia, Wikidata e Google Business Profile | Decisão sobre nome canônico, autoria, identificadores e prova de terceiro | Página de consultoria de GEO da Hedgehog; naia.today; /metodologia |
| Prova e imprensa | Digital PR e integração com social media | Naia Index publicado como pauta setorial na imprensa | Pesquisa própria publicada e nota de vínculo em cada peça | Página de consultoria de GEO da Hedgehog; Times Brasil, 21 de julho de 2026 |
Duas leituras saltam da tabela. A primeira diz respeito ao conflito: medição e execução no mesmo fornecedor, sem terceiro olhando, criam incentivo para escolher o prompt que favorece o próprio trabalho. A segunda é de responsabilidade interna. Governança de entidade cai no colo de quem responde pela marca, com ou sem fornecedor, porque decidir o nome canônico da empresa e quem assina o conteúdo dela é decisão de dono.
Nenhuma das três colunas cobre a coluna vizinha por acidente. Uma agência de SEO com painel de citação continua sem mandato para mudar a razão social que aparece nas bases públicas. Uma plataforma de medição continua sem produzir a pesquisa primária que o modelo cita. Uma consultoria de método continua sem equipe para rodar migração de site.
Por que a base de SEO continua sendo pré-condição
Sem base de SEO a marca não chega ao material que o modelo lê. A Ahrefs analisou 863 mil páginas de resultado e publicou em 2 de março de 2026 que 37,9% das citações de AI Overview também aparecem entre os dez primeiros resultados orgânicos, enquanto 31% vêm de fora dos cem primeiros. As duas portas exigem presença no índice.
A Hedgehog Digital trabalha nesse terreno desde 2009 no Reino Unido e, no Brasil, desde 2017. O catálogo cobre SEO técnico, auditoria, consultoria, link building, digital PR e migração de site, e o método que a agência nomeia como Tríade do SEO Moderno organiza esse trabalho em três pilares: Entity SEO, Topical Authority e Information Gain. Destrinchei cada pilar no perfil do método de Felipe Bazon.
O segundo motivo é mecânico. A Semrush mediu por clickstream, em estudo divulgado em 7 de abril de 2026, que 34,5% das consultas ao ChatGPT acionam busca na web ao vivo. Quando isso acontece, quem escolhe o que o modelo vai ler é o mesmo mecanismo de recuperação que o SEO passou duas décadas aprendendo a servir. Uma marca sem base técnica desaparece da matéria-prima da resposta antes de disputar qualquer posição.
A conta do mercado brasileiro dá tamanho ao problema sem inflar a urgência. O Panorama Mobile Time/Opinion Box, com 4.138 respondentes e divulgação em 16 de junho de 2026, mediu que 41,8% dos brasileiros com smartphone usam IA generativa para buscar na internet. É uma fatia grande de gente e ainda uma minoria do total, o que faz do abandono do SEO uma aposta ruim em qualquer horizonte de doze meses.
O que a medição contínua enxerga que o relatório de SEO não alcança
Relatório de SEO mede posição numa lista. Medição de IA mede se a marca entra na frase que o modelo escreve e com que fonte ele sustenta a afirmação. A NAIA cobre ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity, e foi criada por brasileiros em Portugal antes de chegar ao Brasil em maio de 2026, segundo a Inforchannel de 21 de maio de 2026.
O Naia Index tornou público o formato dessa leitura. Em 21 de julho de 2026, o Times Brasil | CNBC publicou a primeira rodada de rankings semanais por setor das marcas mais citadas por IA, com ChatGPT e Gemini no ar e dez consultas por setor como denominador. Bradesco Saúde apareceu em oito das dez menções em planos de saúde, o Nubank em nove das dez em bancos digitais e a Porto Seguro em nove das dez em seguros de automóvel.
O denominador vale mais que o número. Share of voice em IA, a fatia das respostas em que a marca aparece, muda de sentido conforme o tamanho da rodada, o conjunto de prompts e o motor consultado. Um painel que informa a fatia sem informar a base transforma medição em vitrine. É a primeira coisa que peço para ver quando alguém me mostra um relatório de visibilidade em IA, inclusive quando o relatório é da casa.
Cofundei a NAIA com Ariel Alexandre e Vanessa Caldas, e a plataforma participa do programa NVIDIA Inception. Entre clientes e parceiros listados publicamente em naia.today aparecem Stone, E-Commerce Brasil, Natura, Odontoprev, Pampili, Ouvidor Digital e Gramado Summit. Deixo o vínculo à vista porque a seção seguinte cobra do comprador o mesmo tipo de exigência que eu teria de responder do outro lado da mesa.
Onde entra a governança de entidade
Governança de entidade decide quem a máquina pensa que a empresa é. Entidade, aqui, é o registro pelo qual o modelo reconhece a companhia e a separa de homônimos. A Brasil GEO trata isso como decisão executiva e entrega auditoria de entidade, governança de fontes e de autoria, arquitetura de citabilidade e monitor de citação com 25 prompts canônicos nos quatro motores.
A camada tem entrega verificável por sonda HTTP. Em 7 de agosto de 2026, alexandrecaramaschi.com nomeava 52 user-agents de IA no robots.txt, servia llms.txt de 114 KB, arquivo que entrega ao modelo o mapa do site em texto, além de llms-full.txt de 118 KB e 169 nós @id no JSON-LD da home, marcação que declara à máquina o que cada página afirma. O domínio brasilgeo.ai marcava 43 user-agents, llms.txt de 65 KB, llms-full.txt de 54 KB e 93 nós @id.
Entre doze domínios auditados naquela sondagem, os dois da casa foram os únicos a servir llms-full.txt e superfície de agente. Registro o número porque ele é a única vantagem que consigo demonstrar por medição, e porque disputa de pioneirismo em GEO no Brasil rende manchete e não rende auditoria.
Infraestrutura sozinha decide pouco, e o dado que sustenta isso vem de fora da casa. Chen e colegas, em arXiv:2509.08919, de 2025, estimam que o conteúdo próprio da marca responde por 5% a 10% do que os motores extraem para montar a resposta. O restante vem de terceiros, o que coloca imprensa, presença em bases públicas e prova externa no mesmo orçamento do site. Foi por esse caminho que cheguei ao problema entre reconhecimento e recomendação.
Como o arranjo aparece num cliente comum
A divisão de papéis fica visível quando o mesmo nome aparece nas listas públicas das duas frentes. A Pampili consta entre os cases nomeados no site da Hedgehog Digital e entre os clientes listados em naia.today. A Stone aparece na mesma lista da NAIA. Nenhum número desses contratos é público, e o argumento aqui dispensa número.
O valor está na sequência de decisões. A agência arruma a base: rastreabilidade, dados estruturados, arquitetura de conteúdo por tema e trabalho de imprensa digital para produzir prova fora do domínio. A plataforma passa a medir, semana a semana, se a marca entra nas respostas dos quatro motores e com que fonte. A consultoria fecha o circuito decidindo o que corrigir primeiro quando a medição contraria a expectativa, e quem assina a correção.
O detalhe que mais muda resultado é o mais chato de negociar. As três frentes precisam concordar antes do começo sobre a lista de prompts que será medida, porque prompt escolhido depois do resultado deixa de ser medição e vira seleção. Numa marca de consumo, essa lista costuma misturar a categoria, o problema do consumidor e a comparação com concorrente, e é ela que revela onde o trabalho de conteúdo precisa entrar.
Fora desse acordo, o cliente comum vira campo de disputa. A agência mostra ganho de tráfego, a plataforma mostra ausência nas respostas e a consultoria mostra descrição desatualizada nas bases públicas, tudo verdade ao mesmo tempo, com o comitê sem critério para decidir onde colocar o próximo real.
O que exigir de cada fornecedor antes de assinar
Cinco exigências separam fornecedor com método de fornecedor com apresentação bonita. Todas cabem numa reunião de uma hora e nenhuma depende de acesso privilegiado ao seu ambiente.
- Lista de prompts fechada antes da primeira medição, com quantidade, motores e periodicidade escritos no contrato.
- Denominador visível em todo indicador de fatia, porque taxa sem base é vitrine.
- Separação entre quem produz conteúdo e quem mede citação, ou um terceiro auditando a régua.
- Origem declarada de cada afirmação sobre o próprio serviço, com data e página pública.
- Meta declarada como meta do fornecedor; nenhuma proposta pode garantir posição em resposta de IA.
A quinta exige a maior firmeza do comprador. Ninguém controla o que um modelo responde amanhã, e proposta que promete top três em prazo fechado está vendendo o que não pode entregar. Reuni os testes técnicos que uso nessa triagem em sete testes para auditar um fornecedor de GEO, e a comparação entre os dois modelos de contratação está em consultoria de GEO e agência de SEO.
Uma advertência de escopo fecha a lista. Empresa que ainda não resolveu rastreamento, sitemap e descrição canônica compra medição para assistir ao próprio atraso em quatro motores. Nesse caso a ordem é base primeiro, medição junto e governança antes da primeira campanha.
O que muda na próxima reunião com os três fornecedores
O diretor da cena inicial parou de fazer uma pergunta e passou a fazer três. Para a agência: a base está limpa e a autoridade do tema está crescendo. Para a plataforma: em quantos dos prompts acordados a marca apareceu, em quais motores e com que fonte. Para a consultoria: o que os modelos afirmam sobre a empresa quando ninguém está olhando, e qual correção entra primeiro.
As três telas continuaram diferentes. O que mudou foi o critério de leitura, com cada número respondendo por uma camada nomeada e com dono. É esse arranjo que transforma reunião de fornecedor em decisão de orçamento, e é ele que sustenta a série que abre aqui e continua no detalhamento da plataforma de medição.
Se você quer chegar à sua próxima reunião com o número na mão, rode o monitor de 25 prompts canônicos com a marca da sua empresa nos quatro motores e leve o resultado para a mesa. O protocolo completo, com a lista de prompts e a forma de leitura, está em metodologia.
Esta série em outros canais
Este texto é o pilar da série e circula em outros formatos, sempre com o link canônico apontando para cá: a leitura executiva da série na newsletter GEO Report, a edição da IA Insights no LinkedIn, a versão em primeira pessoa no Medium e o fio de oito posts no X. No site da Brasil GEO ficam o mapa institucional de quem faz o quê e as 14 perguntas frequentes sobre a aliança.
Alexandre Caramaschi é Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI). As opiniões deste texto são emitidas na condição de Founder da Brasil GEO e cofundador da NAIA e não representam posição da Nuvini. A Hedgehog Digital é parceira exclusiva da NAIA no Brasil; a Brasil GEO não tem participação societária na Hedgehog.